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Domingo, Dezembro 28, 2003
Flaming meu olhar é parado e às vezes não consigo lhe dizer nada meus olhos verdes trazem também minhas têmporas amarradas e tem vezes que não consigo lhe dizer nada meus olhos estão vermelhos distantes de espelhos eu não quero lhe dizer nada!!! minha boca carnuda, sorri cínica, distante da sua ela não quer tocar suas palavras meu pesamento, uma só frase em aberto você não consegue ler pois nem por telepatia damos certo uma só frase em aberto meu pensamento, o dia inteiro: não mais lhe quero!!!
Bebido por... [Flaming] às 5:19 AM
Terça-feira, Dezembro 23, 2003
Felipe Biglia Luzes enfeitam casa antigas, Que já não chamam atenção. E os que passam por ali, Apreciam com emoção. Todos os dias, grita o sol Ao apontar no horizonte. E seus brados o ar aquece, Traz a vida mais calor. Ignorado, esconde-se, Dando chance à lua aparecer, Roubando olhares e suspiros, Dos que passam sem perceber A casa velha que se enfeita E quer agora se esconder.
Bebido por... [Dostoiévski] às 7:32 AM
Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
Felipe Biglia As pessoas lutam por sua liberdade. Derramam suor, sangue e lágrimas. As pessoas matam por sua liberdade Trazendo ao mundo mais lástimas. A busca da liberdade é uma armadilha Pois ela é uma bomba programada Enquanto se está restrito a uma ilha Em toda parte vida é encontrada. No fio da espada do grande guerreiro Que defende uma liberdade alheia, Ou na pequena colher do pedreiro Que constrói as casas da aldeia. Liberdade! Onde está a minha? Sinto que a tenho e que a perco. O homem, enquanto sozinho, caminha, Sempre tenta escapar deste cerco. Muitos fogem e outros até desistem. Não conseguem resistir à tentação. Mas a liberdade só é dos que persistem Pois conhecem a verdadeira missão.
Bebido por... [Dostoiévski] às 4:24 PM
Domingo, Dezembro 14, 2003
Silas Correa Leite A Vida, não por acaso é um milagre A invenção do Ser Humano é um Deus um dia acordou de ótimo humor celestial E materializou um caco do espelho que sangrava luz Em cabeça, tronco, membro, espírito - e Milagre! A Vida é um Milagre do pão e do quartzo-róseo Da boemia, de todos os poetas enluados E dos que enfrentam tantos moinhos e adventos Como é milagre o deserto, a nuvem ou um show de circo Até a sobrevivência da espécie - maravilhoso milagre! A Vida é um Milagre do gênesis à globalização Por horizontes e tantas auroras boreais Tudo em confeito de sagas e mil videiras magnas Entre o arco-da-promessa e o refluxo da piracema Ou caldas regadas à harmonia de templários milagres! A Vida é um Milagre do presépio ao raio laser Passando por silos, moendas e lagares Tudo uma orquestração de Deus com som timbral Entre vulcões, tempestades e plangentes encantários Com o amor divinal de tantos santos milagres! A Vida é um Milagre da concepção ao ninhal De Mozart a Monet, de Violeta Parra à Poeta Lucy É tudo uma iluminura de peregrinos sonhadores Pois o ser se fez carne e luz, para evoluir e ser anjo Assim na terra como céu, de infinital milagre! A Vida é um Milagre como a porcelana Como a invenção do telégrafo ou telefone Deus precisava se comunicar com a perolização das ostras E depois que criou a mulher e seu calendário de lágrimas Teve piedade desse enternurado milagre! A Vida é um Milagre do silêncio ao tornado Da tecnologia neural ao Projeto Genoma Tudo uma tábua de esmeraldas de berçários e ampulhetas O ser humano buscando a impressão digital no punho de Deus Além da dimensão cósmica que é esse canteiro de milagre! A Vida é um Milagre do golfinho ao açúcar Do azeite ao solário que habita na tez do tamarindo Cada mulher grávida é uma nova tentativa do Pai Criador Querendo um novo ser na evolução de sua essência matriz À sua imagem e semelhança repurificada num outro milagre! A Vida é um Milagre de Sócrates a Rubem Alves Seresteiros e anjonautas virtuais O louvam por satélites Tudo é uma só soma no paraíso de questionários cósmicos Desde a semente pra Ganimedes ou uma Viagem no Tempo E toda babel humana quer decifrar o código legado do milagre! A Vida é um Milagre grávidas e marceneiros Professores e inventores de sanduíches ou reciclagens inclusivas O parto do mico-leão-dourado ou a técnica de chorar escondido Até as tentativas de cadastrar vidas nos objetos-não-identificados Ou fazer pamonha com maizena imitando milho feito milagre! A Vida é um Milagre de Darwin a chips orientais Do granizo azul-xadrez ao gafanhoto branco transgênico Tudo um solo de Deus no palco de sua pandimensional galáxia Preparando a Nave Terra geóide para um futuro novo céu Muito além do curtume da vida que se decanta num milagre! A Vida é um Milagre com diásporas ou saraus Tudo um mesmo espetáculo de tulipas ou chuvas de meteoros De Pelé a Carlitos, de Mazzaropi à Estância Boêmia de Itararé Tudo reinando purificações em altares com esperanças limpas Na sagração angelical de zilhões de binários milagres! A Vida é um Milagre Deus reina em todos eles Borboletas de veludo e esquilos marrons sabem desse equilíbrio Tudo é espetáculo de grandeza além de nossa compreensão Querendo campos de trigos sem guernicas e sem joios Com jacintos de jade ornando jazidas de milagres .................................................................. A Vida é um Milagre do fermento ao átomo Do hangar sideral ao complexo sítio de urânio além do sol Tudo divinal como se um sudário de magníficas constelações Então colhemos poemas e amizades com luzes que se abraçam E nos revelam a eternidade de vida em elos desse MILAGRE!
Bebido por... [Dostoiévski] às 9:57 PM
Sábado, Dezembro 13, 2003
Bebido por... [Dostoiévski] às 4:02 PM
Domingo, Dezembro 07, 2003
Felipe Biglia Talvez eu apenas durma. Talvez eu apenas morra. Talvez o lindo sonho Seja trazido pela morte. Da janela do quarto: Um estalo no silêncio; Um brilho a frente; Um zunido no ar. Quando a foice age Sem acertar o destino Alguma coisa acontece. O que está errado?
Bebido por... [Dostoiévski] às 1:12 PM
Contagem de tiros que eu já ouvi esta noite: 7. Por sorte minha todos longes.
Bebido por... [Dostoiévski] às 3:01 AM
Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
- Vô, vó parabéns pelos setenta anos de casados, finalmente bodas de vinho, aqui está uma cálice para você e outro para você, mas não bebam muito rápido pois pode fazer mal. E não demorem muito a tomar pois já está quase na hora de vocês irem para a cama descansar. Não entendo isso, seja lá quem fez esta tabela deveria ter pensado melhor e posto as bodas de vinho ali pelos dez anos de casamento, que é quando ainda se pode aproveitar para encher a cara e realmente comemorar. Para quem não conhece a lista aqui vai: 1 ano Bodas de Papel 2 anos Bodas de Algodão 3 anos Bodas de Trigo ou Couro 4 anos Bodas de Flores e Frutas ou Cera 5 anos Bodas de Madeira ou Ferro 6 anos Bodas de Perfume ou Açúcar 7 anos Bodas de Latão ou Lã 8 anos Bodas de Papoula ou Barro 9 anos Bodas de Cerâmica ou Vime 10 anos Bodas de Estanho ou Zinco 11 anos Bodas de Aço 12 anos Bodas de Seda ou Onix 13 anos Bodas de Linho ou Renda 14 anos Bodas de Marfim 15 anos Bodas de Cristal 16 anos Bodas de Safira ou Turmalina 17 anos Bodas de Rosa 18 anos Bodas de Turquesa 19 anos Bodas de Cretone ou Água Marinha 20 anos Bodas de Porcelana 21 anos Bodas de Zircão 22 anos Bodas de Louça 23 anos Bodas de Palha 24 anos Bodas de Opala 25 anos Bodas de Prata 26 anos Bodas de Alexandrita 27 anos Bodas de Crisopázio 28 anos Bodas de Hematita 29 anos Bodas de Erva 30 anos Bodas de Pérola 31 anos Bodas de Nácar 32 anos Bodas de Pinho 33 anos Bodas de Crizo 34 anos Bodas de Oliveira 35 anos Bodas de Coral 36 anos Bodas de Cedro 37 anos Bodas de Aventurina 38 anos Bodas de Carvalho 39 anos Bodas de Mármore 40 anos Bodas de Rubi ou Esmeralda 41 anos Bodas de Seda 42 anos Bodas de Prata Dourada 43 anos Bodas de Azeriche 44 anos Bodas de Carbonato 45 anos Bodas de Platina ou Safira 46 anos Bodas de Alabastro 47 anos Bodas de Jaspe 48 anos Bodas de Granito 49 anos Bodas de Heliotrópio 50 anos Bodas de Ouro 51 anos Bodas de Bronze 52 anos Bodas de Argila 53 anos Bodas de Antimônio 54 anos Bodas de Níquel 55 anos Bodas de Ametista 56 anos Bodas de Malaquita 57 anos Bodas de Lápis Lazuli 58 anos Bodas de Vidro 59 anos Bodas de Cereja 60 anos Bodas de Diamante ou Jade 61 anos Bodas de Cobre 62 anos Bodas de Telurita 63 anos Bodas de Sândalo 64 anos Bodas de Fabulita 65 anos Bodas de Ferro ou Safira 66 anos Bodas de Ébano 67 anos Bodas de Neve 68 anos Bodas de Chumbo 69 anos Bodas de Mercúrio 70 anos Bodas de Vinho 75 anos Bodas de Brilhante ou Alabastre 80 anos Bodas de Nogueira ou Carvalho Nem vou falar o que eu imaginei das bodas de 80 anos de casamento serem de Nogueira ou Carvalho.
Bebido por... [Dostoiévski] às 7:46 AM
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
Eu sou um homem ridículo. No momento dizem que estou louco. Seria um título excelente, se para eles eu não permanecesse nada mais que ridículo. Mas, de ora em diante não me zango mais, todo mundo é assaz gentil para comigo, mesmo quando caçoa de mim, e, dir-se-ia, mais gentil ainda naquele momento. Eu riria de bom grado com eles, não tanto de mim mesmo, quanto para lhes ser agradável, se não sentisse tal tristeza ao contemplá-los. Tristeza de ver que não conhecem a verdade, esta verdade que só eu conheço. Como é duro ser o único a conhecê-la! Porém, eles não compreenderão.
Outrora, eu sofria muito por parecer ridículo. Não parecia, era. Sempre fui ridículo e sei que o sou, de nascença. Acho que tinha apenas sete anos, quando soube que era ridículo. Em seguida, estudei na Universidade - e quanto mais estudava, mais sabia que era ridículo. De maneira que toda a minha ciência universitária parecia não existir senão para me provar e me explicar, à medida que a aprofundava, que eu era ridículo. Aconteceu na vida como na ciência. De ano para ano, adquiri cada vez mais certeza de que, sob todos os pontos de vista, eu me mostrava um personagem ridículo. Todo mundo zombou de mim, por toda a parte e sempre; mas ninguém podia desconfiar que se havia alguém no mundo que soubesse melhor que todos os outros que eu era ridículo, esse homem era eu mesmo; também experimentei uma espécie de despeito, ao verificar que ninguém desconfiava disso. Nisso a culpa é minha: meu orgulho me impediu sempre de confessar o meu segredo. Esse orgulho não fez mais que crescer com a idade e se eu tivesse ido à presença de não importa quem para reconhecer que era ridículo, creio bem que nessa mesma noite teria estourado a cabeça com um tiro de revólver. Adolescente, quanto sofri, pensando que não poderia resistir, que de repente eu deveria confessá-lo aos meus colegas. Mas, chegando a moço, embora de anoa para ano ficasse cada vez mais certo de minha terrível singularidade, acabei, por uma razão ou por outra, por me tranqüilizar. Precisamente porque eu ignorava até aqui o porquê e o como. Talvez o devesse a esta imensa melancolia que se apoderou de minha alma, após uma circuntância infinitamente acima de mim, a saber: minha convicção, doravante bem firmada, de que aqui embaixo tudo é sem importância. Suspeitava disso há muito tempo, mas adquiri de súbito a certeza plena e completa, senti bruscamente que me seria indiferente que o mundo existisse ou que nada houvesse em parte alguma. Comecei a perceber e a sentir que, no fundo, nada existia para mim. Até aí, sempre me parecera que muitas coisas tinham existido antes de mim. Percebi nesse momento que nada existia anteriormente, ou antes, que não havia senão aparências. Pouco a pouco adquiri a convicção de que nunca haveria nada. Parei então de me irritar contra os homens e acabei quase não os notando mais. Esta disposição se manifestava nas circuntâncias mais banais da vida: por exemplo, acontecia-me, quando andava nas ruas, esbarrar nas pessoas. Não que estivesse absorvido em qualquer pensamento, eu já não pensava então nas coisas em que deveria pensar: tudo me era indiferente. Se pelo menos eu tivesse conseguido a solução dos problemas! Não tinha resolvido um único. E Deus sabe que não se tinham apresentado ao meu espírito! Mas, tudo me sendo indiferente, os problemas iam por água abaixo. Fiodor Mikhailovitch Dostoievski - O Sonho de um Homem Ridículo.
Bebido por... [Dostoiévski] às 2:08 AM
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