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Segunda-feira, Março 29, 2004
Flaming quando deixo a voz de lado e uso as palavras fico como que entorpecido: meu corpo anestesiado meu espírito o nega fico gasoso solto pelo ar depois volto a ser matéria.
Sábado, Março 27, 2004
Silas Correa Leite As coisas existem antes de nós Apenas as continuamos Ou não O poeta mesmo com sua irrazão É elo de continuação As coisas sobrevivem depois de nós - Além da razão - As poesias mesmo São eternas como centeio, trigo, aveia Grãos As coisas existem dentro de nós Antes mesmo da concepção Poemas nada mais são Que íntimos aleijados Querendo ser purificados Nos escombros da perpetuação
Quinta-feira, Março 25, 2004
Felipe Biglia Da janela do meu quarto não posso ver o horizonte Conseqüentemente, o sol não ilumina as minhas manhãs. A luz do sol ilumina tudo a minha volta Mas eu continuo nas sombras. Eles vêem apenas um brilho em meus olhos, Que não lhes pode revelar o vai em minha alma Nas sombras ninguém vê quem eu sou. As pessoas seguem seus caminhos. As pessoas seguem seus destinos. Eu fico aqui, apreciando este movimento, Que eu penso, nunca vai cessar. Um dia, cada um descobrirá Dentro dos seus mais íntimos pensamentos Que perdeu a maior parte Do que um dia chamou de sua juventude. O que estará por vir? Se a hora mais fria da manhã É a que antecede os primeiros raios de sol. O que se pode esperar? Se o que está por vir é o que é esperado. O cansaço não me detém. O perfume não me mata. A dor da morte somente vale Quando se tem em seu destino o amor. Marco meu território. Ilumino meu caminho. Espero por uma só palavra. O silêncio é um tiro certeiro. O que seria de mim se não fossem os pássaros?
Sábado, Março 20, 2004
Felipe Biglia O mundo está dominado Por seres que não têm sentimentos E querem o mundo exterminado Mas com muito sofrimento. Eles vêm montados em cavalos negros, Armados com ódio pela humanidade. E com eles não tem apelos. Eles só têm uma finalidade. O fim da raça A que eles pertencem. Seu esporte é a caça Dos humanos que descendem. Eles pensam que seu dia chegou. Mas o erro deles é total, Pois o tempo deles terminou E seu fim será fatal. Por maior que sejam as forças Maior será o seu castigo. E se resolverem atacar Verão o poder dos inimigos. Será uma batalha de um só vencedor. Apenas espero ver no final, O chão em um só rubor Do infecto sangue do mal. (Pelo 1 ano da Guerra no Iraque. Se é que alguém lembra.)
Quinta-feira, Março 18, 2004
Tudo aquilo que sinto em minha alma.. Muitas pessoas ao me verem sorrindo, Chorariam comigo."
Segunda-feira, Março 15, 2004
... "Quando eu era criança, bem novinho, meu pai comprou o primeiro telefone da nossa vizinhança. Eu ainda me lembro daquele aparelho preto e brilhante que ficava na cômoda da sala. Eu era muito pequeno para alcançar o telefone, mas ficava ouvindo fascinado enquanto minha mãe falava com alguém. Então, um dia eu descobri que dentro daquele objeto maravilhoso morava uma pessoa legal. O nome dela era "Uma informação, por favor" e não havia nada que ela não soubesse. "Uma informação, por favor" poderia fornecer qualquer número de telefone e até a hora certa. Minha primeira experiência pessoal com esse gênio-na-garrafa veio num dia em que minha mãe estava fora, na casa de um vizinho. Eu estava na garagem mexendo na caixa de ferramentas quando bati em meu dedo com um martelo. A dor era terrível mas não havia motivo para chorar, uma vez que não tinha ninguém em casa para me oferecer a sua simpatia. Eu andava pela casa, chupando o dedo dolorido até que pensei: O telefone! Rapidamente fui ate o porão, peguei uma pequena escada que coloquei em frente a cômoda da sala. Subi na escada, tirei o fone do gancho e segurei contra o ouvido. Alguém atendeu e eu disse: "Uma informação, por favor". Ouvi uns dois ou três cliques e uma voz suave e nítida falou em meu ouvido."Informações." "Eu machuquei meu dedo...", disse, e as lágrimas vieram facilmente, agora que eu tinha audiência. "A sua mãe não está em casa?", ela perguntou. "Não tem ninguém aqui...", eu soluçava. "Está sangrando?" "Não", respondi. "Eu machuquei o dedo com o martelo, mas tá doendo..." "Você consegue abrir o congelador?", ela perguntou. Eu respondi que sim. "Então pegue um cubo de gelo e passe no seu dedo", disse a voz. Depois daquele dia, eu ligava para "Uma informação, por favor" por qualquer motivo. Ela me ajudou com as minhas dúvidas de geografia e me ensinou onde ficava a Philadelphia. Ela me ajudou com os exercícios de matemática. Ela me ensinou que o pequeno esquilo que eu trouxe do bosque deveria comer nozes e frutinhas. Então, um dia, Petey, meu canário, morreu. Eu liguei para "Uma informação, por favor" e contei o ocorrido. Ela escutou e começou a falar aquelas coisas que se dizem para uma criança que esta crescendo. Mas eu estava inconsolável. Eu perguntava: "Por que é que os passarinhos cantam tão lindamente e trazem tanta alegria pra gente para, no fim, acabar como um monte de penas no fundo de uma gaiola?" Ela deve ter compreendido a minha preocupação, porque acrescentou mansamente: "Paul, sempre lembre que existem outros mundos onde a gente pode cantar também..." De alguma maneira, depois disso eu me senti melhor. No outro dia, lá estava eu de novo. "Informações.", disse a voz já tão familiar. "Você sabe como se escreve exceção?" Tudo isso aconteceu na minha cidade natal ao norte do Pacifico. Quando eu tinha 9 anos, nós nos mudamos para Boston. Eu sentia muita falta da minha amiga. "Uma informação, por favor" pertencia aquele velho aparelho telefônico preto e eu não sentia nenhuma atração pelo nosso novo aparelho telefônico branquinho que ficava na nova cômoda na nova sala. Conforme eu crescia, as lembranças daquelas conversas infantis nunca saiam da minha memória. Freqüentemente, em momentos de dúvida ou perplexidade, eu tentava recuperar o sentimento calmo de segurança que eu tinha naquele tempo. Hoje eu entendo como ela era paciente, compreensiva e gentil ao perder tempo atendendo as ligações de um molequinho. Alguns anos depois, quando estava indo para a faculdade, meu avião teve uma escala em Seattle. Eu teria mais ou menos meia hora entre os dois vôos. Falei ao telefone com minha irmã, que morava lá, por 15 minutos. Então, sem nem mesmo sentir que estava fazendo isso, disquei o número da operadora daquela minha cidade natal e pedi: "Uma informação, por favor." Como num milagre, eu ouvi a mesma voz doce e clara que conhecia tão bem, dizendo: "Informações." Eu não tinha planejado isso, mas me peguei perguntando: "Você sabe como se escreve exceção?" Houve uma longa pausa. Então, veio uma resposta suave: "Eu acho que o seu dedo já melhorou, Paul." Eu ri. "Então, é você mesma!", eu disse. "Você não imagina como era importante para mim naquele tempo." "Eu imagino", ela disse. "E você não sabe o quanto significavam para mim aquelas ligações. Eu não tenho filhos e ficava esperando todos os dias que você ligasse." Eu contei para ela o quanto pensei nela todos esses anos e perguntei se poderia visitá-la quando fosse encontrar a minha irmã. "É claro!", ela respondeu. "Venha até aqui e chame a Sally." Três meses depois eu fui a Seattle visitar minha irmã. Quando liguei, uma voz diferente respondeu : "Informações." Eu pedi para chamar a Sally. "Você é amigo dela?", a voz perguntou. "Sou, um velho amigo. O meu nome é Paul." "Eu sinto muito, mas a Sally estava trabalhando aqui apenas meio período porque estava doente. Infelizmente, ela morreu há cinco semanas." Antes que eu pudesse desligar, a voz perguntou: "Espere um pouco. Você disse que o seu nome é Paul?" "Sim." "A Sally deixou uma mensagem para você. Ela escreveu e pediu para eu guardar caso você ligasse. Eu vou ler pra você." A mensagem dizia: "Diga a ele que eu ainda acredito que existem outros mundos onde a gente pode cantar também. Ele vai entender." Eu agradeci e desliguei. Eu entendi..." NUNCA SUBESTIME A "MARCA" QUE VOCÊ DEIXA NAS PESSOAS! PABLO HP Layout versão 2004.
Bebido por... [Pablo Bullseye] às 5:59 AM
Flaming só se interesse com o agora não busque explicação pra nada se importe com aquilo que não precisa ter resposta encontre o que não está procurando e quando sentir sede beba água da dor não fuja das pessoas tenha um certo receio pois elas são como a lua, que mesmo quando mostra seu brilho você sabe que do outro lado é negro assim, deixe a lucidez caminhar com a loucura saberá quando uma delas estiver ao seu lado aceite seu descontentamento lúcido bem como seus momentâneos surtos por que sua alma é luz e a lua é toda negra
Sexta-feira, Março 12, 2004
Felipe Biglia Nossos corações bateram de frente uma vez Enquanto nossos lábios se tocavam. Foi um momento diferente. Será a paixão? Talvez. O tempo Não nos queria juntos. Temos ainda muitos amigos Que queriam que ficássemos bem. Entre eles, mantendo-nos junto, o vento. A urgência rugia forte em meus ouvidos Para ajudar a quem me esperava. Algo me impedia de seguir. Mais forte do que eu, Você. Desisti Acuado pelo medo. Pedi tempo para pensar. O que fazer com o passado e o futuro, Correr atrás e esquecer de tudo que já perdi?
Segunda-feira, Março 08, 2004
Flaming um pulo um salto uma alegria não contida um mergulho de cabeça e miolos no asfalto
Domingo, Março 07, 2004
Construção Drummond Um grito pula no ar como foguete. Vem da paisagem de barro úmido, caliça e andaimes hirtos. O sol cai sobre as coisas em placa fervendo. O sorveteiro corta a rua. E o vento brinca nos bigodes do construtor.
Sexta-feira, Março 05, 2004
Mário Quintana Sinto os poemas... alguns com arritmia... outros, acelerados... aqueles, vagarosos... não importa! Palavra ditas e escritas com o coração nos dão alento à alma... nos traz um ar vital... nos ajudam a viver...
Quarta-feira, Março 03, 2004
Artista Felipe Biglia Embalado pela harpa de Orfeu Ouço a chuva que castiga o telhado. A vida que já se viveu Agora são estampas em meus quadros.
Segunda-feira, Março 01, 2004
Flaming pode ser chuva no meu rosto pode ser o sol na minha cara pode ser um sorriso pode ser lágrima pode ser dor pode ser calo pode ser prazer poder ser pedra no sapato pode ser situação financeira pode ser sem dinheiro no bolso pode ser na pirambeira pode ser que ganhei no jogo pode ser farmácia pode ser drogaria pode ser de falar na cara pode ser com ironia pode ser lei pode não ser cumprida um cigarro amassado na boca, pode ser só mais um dia...
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