Domingo, Abril 25, 2004

O REGGAE
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo/Marcelo Bonfá
Álbum: Legião Urbana



Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora

Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: - Cresça e apareça!

Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia o jornal da TV
E aprendi a roubar prá vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor prá mim.

[solo]

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui

Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam meu sangue e não me deixam viver
Tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vem falar de liberdade prá depois me prender
Pedem identidade prá depois me bater
Tiram todas minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram está batalha
Quanto a guerra,
Vamos ver.

Bebido por... [Dostoiévski] às 2:04 AM

Cafeinizaram:


Quarta-feira, Abril 21, 2004

Ninguém

Domingos Neto

E naquele momento
Em que eu olhava para o mundo
Da janela do meu quarto
Eu via que o planeta não girava em torno de mim.
Pude perceber que o centro de tudo
Não me dizia respeito
E que se eu comprimisse o meu dedo no gatilho
Seria apenas mais um
Entre outros que por algum motivo
Não tiveram ou se deram o direito de parar
E ver o que faziam.


Sou apenas mais um e ninguém é
Nada temos em comum
A não ser o poder de acabar
Com algo que é nosso.


Se queremos a verdade, lutamos
Se perdemos a luta, levantamos
Se queremos viver, vivemos
Se queremos morrer, morremos
Se queremos outra chance, a temos
Se nada queremos, por fim nos condenemos.

Bebido por... [Dostoiévski] às 7:02 PM

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Terça-feira, Abril 13, 2004

Nada Mais

Felipe Biglia

Amizade, sinceridade, lealdade, paixão.
Felicidade, sofrimento, calor, emoção.
Sensação, carinho, dor.
Nada mais do que Amor.

Bebido por... [Pablo Bullseye] às 12:12 AM

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Sábado, Abril 10, 2004



O Lobo

Pitty

Houve um tempo em que os homens
E suas tribos eram iguais
Veio a fome e, então, a guerra
Pra alimenta-los como animais
Não houve um tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais


O homem é o lobo do homem
O homem é o lobo do homem


Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais


O homem é o lobo do homem
O homem é o lobo do homem

Bebido por... [Dostoiévski] às 6:17 PM

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Sexta-feira, Abril 09, 2004



E você, o que está procurando???

Bebido por... [Dostoiévski] às 11:18 AM

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Quinta-feira, Abril 08, 2004

Os Deuses Esfarrapados

Pablo Neruda

HÁ SÉCULOS vive a miséria
no sul da Itália. Olha seu trono:
pendem dele como tapeçarias
as trêmulas aranhas negras
e ratos cinzentos roem
as antigas madeiras.
Esburacado trono que através
das janelas quebradas
da noite de Nápoles respira
com estertor terrível,
e entre os buracos
os negros riços caem nas faces
dos meninos formosos
como pequenos deuses esfarrapados.
Oh Itália, em tua morada
de mármore e esplendor, quem habita?
Assim tratas, antiga loba rubra,
a tua progênie de ouro?
Triste é a voz do sul nos caminhos.
Ácida sombra o céu
deixa tombar sobre as casas destruídas,
lá das portas sai
o ramo desgrenhado
da fome e a pobreza
e contudo canta
tua cabeça sonora.
Triste é a voz do sul nos caminhos.
Os povoados adiantam
mais de uma voz faminta
que no entanto canta.
O vermelho vinho bebo
levantando na taça
não só o sol maduro,
mas a luz antiga da ira.

Marcham rumo à terra
os camponeses da Itália.
Cansaram-se
de rasgar a pedra
e penetraram no domínio,
no feudal território.
Homens, mulheres, meninos
de repente se reuniram sob uma árvore
e de imediato
a limpar a terra,
a cavá-la,
a rompê-la,
e no sulco
cai o trigo,
o punhado de trigo que guardaram
como se fosse ouro
as mãos dos pobres,
e então
a primeira cozinha deitando fumaça,
o fogo,
a roupa que se lava,
a vida.

Vieram
o soldados,
o governo cristão.
"Não podeis semear,
não podeis fazer fogo.
A terra
dos senhores deve continuar estéril.
Tirai o trigo,
desfazei o sulco,
apagai o fogo".
Os velhos rostos,
as enrugadas mãos,
tão semelhantes à terra, sulcos, sementes, fogo,
ficaram imóveis
e quando levantaram os fuzis
os soldados cristãos
eles cantavam, e caíram
cantando.

O sangue regou o trigo
mas ali cresce
um cereal indomável,
um cereal que canta até na morte.
Isso se deu quando vivi na Itália.
Mas os componeses
assim conquistaram a terra.

Bebido por... [Dostoiévski] às 8:13 PM

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Segunda-feira, Abril 05, 2004

ÚLTIMO TRAGO

Flaming

sopra a fumaça para o alto
e desencana com a vida

na mesa copo vazio,
havia cicuta
no coração só há cinzas

a alma socada de bitucas
como o cinzeiro na escrivaninha

Bebido por... [Flaming] às 4:54 AM

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Sábado, Abril 03, 2004

A Dama

Felipe Biglia

Não penso em você.
Você invade minha mente,
Olha-me fixo, e seus olhos
Afogam-me em esmeraldas.

Encantado,
Tive medo de jogar,
Deixei de ganhar
Com as cartas na mão.

Batalho novamente
Para encontrar a carta
Que me dará a vitória:
A Dama.

Aquela que plantou meu coração
Em estranho solo.
Luto para o solo germinar.
Penso para poder agir,
Pois agi sem pensar.

Deito. O som invade o ambiente.
Tento dar forma a fumaça.
Quem sabe seu rosto,
Quem sabe seu corpo.
Mas a fumaça se espalha;
Como a minha esperança.

Viro as cartas,
Mas ainda dista
A que pretendo encontrar
Nas cartas da vida.

Bebido por... [Dostoiévski] às 6:01 AM

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Sexta-feira, Abril 02, 2004

Pressago

Cruz e Souza

Nas águas daquele lago
Dormita a sombra de Iago...

Um véu de luar funéreo
Cobre tudo de mistério...

Há um lívido abandono
Do luar no estranho sono.

Transfiguração enorme
Encobre o luar que dorme...

Dá meia-noite na ermida,
Como o último ai de uma vida.

São badaladas nevoentas,
Sonolentas, sonolentas...

Do céu no estrelado luxo
Passa o fantasma de um bruxo.

No mar tenebroso e tetro
Vaga de um naufrago o espectro.

Como fantásticos signos,
Erram demônios malignos.

Na brancura das ossadas
Gemem as almas penadas

Lobisomens, feiticeiras
Gargalham no luar das eiras.

Os vultos dos enforcados
Uivam nos ventos irados.

Os sinos das torres frias
Soluçam hipocondrias.

Luxúrias de virgens mortas
Das tumbas rasgam as portas.

Andam torvos pesadelos
Arrepiando os cabelos.

Coalha nos lodos abjetos
O sangue roxo dos fetos.

Há rios maus, amarelos
De presságio de flagelos.

Das vesgas concupiscências
Saem vis fosforescências.

Os remorsos contorcidos
Mordem os ares pungidos.

A alma cobarde de Judas
Recebe expressões comudas.

Negras aves de rapina
Mostram a garra assassina.

Sob o céu que nos oprime
Languescem formas de crime.

Com os mais sinistros furores,
Saem gemidos das flores.

Caveiras! Que horror medonho!
Parecem visões de um sonho!

A morte com Sancho Pança,
Grotesca e trágica dança.

E como um símbolo eterno,
Ritmos dos Ritmos do inferno.

No lago morto, ondulando,
Dentre o luar noctivagando,

O corvo hediondo crocita
Da sombra d'Iago maldita!


OBS.: Leia também do fim para o começo.

Bebido por... [Dostoiévski] às 9:49 AM

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Quinta-feira, Abril 01, 2004

Nada me demove

Paulo Leminski

nada me demove
ainda vou ser
o pai dos irmãos Karamazov.*

* Os Irmãos Karamazóvi é um livro de Dostoievski.

Bebido por... [Dostoiévski] às 11:34 AM

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