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Sexta-feira, Outubro 29, 2004
"Se eu choro É porque imploro Por um pouco de carinho Não quero ficar sozinho E nessa imensidão Eu só vejo a escuridão Se antes, no fim do túnel luz havia Era porque você me conduzia Agora, nada mais me importa Porque você saiu e fechou aquela porta..." Pablo Biglia
Segunda-feira, Outubro 18, 2004
Tô aqui na esquina Do outro lado da rua Onde todos me vêem E ninguém olha Onde todos passam Caminham Sobre mim pisam Me esmagam com olhares corriqueiros Nem me notam Um dia um rapaz se aproximou e me deu dinheiro Quando fui agradecer Ele nem me olhou direito Fechou os olhos quando me viu Olhar pra mim, sorrir, pra quê? Fez sua boa ação do dia O caminho dos céus lhe é garantido Pois ajudou um mendigo (Será apenas de esmolas que necessito?) É assim que olham pra mim Seguem em frente sorridentes Eu aqui em baixo, Na calçada, cabisbaixo Menos gente Ah... Nem me olham Pego os trocados Compro uma garrafa de pinga E bebo na rua da amargura Que fica aqui bem perto Distante da sua A vida de vocês difícil é como a minha Eu noto vocês do outro lado da esquina A dor é a mesma que sente... Uma cama vazia no conforto de sua casa A dor é a mesma para mim... Que só tenho pra dormir o banco da praça **** Um dia na praia Fiz meu castelo com areia e água E depois desmoronei tudo
Domingo, Outubro 10, 2004
Felipe Biglia Lutar por aquilo que acredita Torna a vida emocionante e bonita. A força de vontade o ser humano engrandece. E tudo que se quer acreditando acontece. Não importa o que seja ou o que valha. O que importa é que vença essa batalha. E como auxílio nessa dança Quero que conheça a nossa amiga esperança. Conhecida pela sua imortalidade, Traz consigo a justiça e a verdade. Um céu sem estrelas a brilhar É a vida sem esperança pra sonhar. E o pintor na ponta do seu pincel Une o verde da esperança com o azul do céu. Combinação que nos deixa na lembrança A mágica força que nos traz a confiança. E o conjunto esperança e amor Dá a vida um novo sabor. Use a receita e obtenha a alegria Que de outro modo jamais conseguiria.
Quinta-feira, Outubro 07, 2004
Segunda-feira, Outubro 04, 2004
"E foi então que apareceu a raposa: -Bom dia, disse a raposa. -Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada. -Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira... -Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita. -Sou uma raposa, disse a raposa. -Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste... -Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda. -Ah! Desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou: -O que quer dizer "cativar"? -Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras? -Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar? -É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços"... -Criar laços? -Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia: -Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe: -Por favor, cativa-me! disse ela. -Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer. -A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! -Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
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