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Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Silas Correa Leite " A mídia sabe que para um estrela brilhar, outra tem que se apagar(...) Ela é apenas o interruptor, não é parâmetro de nada(...) O sucesso é uma farsa(...) Se hoje sou estrela amanhã já se apagou..." (Raul Seixas para Paulo Coelho, in, A Verdade Absoluta, MárioLucena, Editora MacBel Oficina De Letras) Escrever faz bem, é um vício predileto (e até muito barato) de quem tem sensibilidade à flor da pele, e tem muito a dizer com palavras, principalmente o que nem sempre pode ser dito em bravata, greve de fome, coquetel molotov ou passeata fervorosa na Avenida Paulista.
Escrever é um despojo que pode até, eventualmente, dispensar uma analista ou psiquiatra cara, e ainda faz bem pro espírito atribulado nesses tempos tenebrosos pós-modernos (de um neoliberalismo globalizador amoral e inumano), e ainda nos ajuda, também literalmente, graças a Deus, a colocar historicamente os pingos nos is das mediocridades culturais por atacado - que infestam todas as mídias e emburrecem ainda mais essa terra brasilis - principalmente depois de um tucanato sem visão plural-comunitária, das suspeitas privatizações-roubos e, pior, de um FHC, o chamado Pai da Fome, deixando uma dívida sócio-cultural para o Lula Light, sem verba disponível, portanto, para encorajar uma ração melhor de cultura pop pro povão assim despolitizado e sua carente Periferia S/A Lendo, escrevendo, criando, repensando, pesquisando, tornamo-nos escritores caseiros, não necessariamente nessa ordem, mas, de alguma forma, pequenas antenas da época como preconizou Rimbaud. Vale ainda o quinhão de sensibilidade, a lucidez, a visão poético-literária-cultural, e depois, nessa prática nossa de todo santo dia, ganharmos o traquejo das palavras-armadilhas, e então, colocarmos rinocerontes e mundos-sombra pra fora. A alma na ponta do lápis. Ou da caneta. Ou, agora, do teclado de algum pc merreca e de um mouse cutucando ostras íntimas com pedras cultas. Perolizando a dor, talvez, mesmo nas palavras apenas, acabemos em ficções e versos, dando o testemunho de nós, e de nosso tempo de vacas magras e besouros de ouro de idolatrias pop-esotéricas. Faz sentido. Com isso, todo mundo sonha. Um quer ser pagodeiro de negritude suspeita, outra quer ser manequim-pilha-palito, outro quer ganhar na Loteria Três Poderes desse Cassino Brazyl, tem gente que quer ir pro Japão ou pra América do Bush-Cloaca, e, gente fina, claro, sonha em ficar e mudar o Brasil aqui mesmo, custe o que custar, doa a quem doer. Desses, alguns bicho-grilos viram pintores, alcoólatras, noiteadeiros ou escritores. Tirando os que, de certa forma, direta ou indiretamente, se prostituem de várias maneiras. Cargos, drogas, poses, salários, status quo. E existem outros. Escrever não dói. No começo. Aliás, põe a alma pra res/pirar, nos arames das sofrências brasileirinhas e mestiças. Amor e dor. O sujeito pega jeito, participa de concurso, aventureiro de primeiras águas, lustra o ego, entra numa antologia de clube de esquina, ganha nódoa, quando se vê, quer, imagine só, virar um novo PC (Paulo Coelho) da vida. Tem gente que sonha pesadelos, ora. E dose dupla é bobagem. Um raio não cai duas vezes na mesma cabeça, certo? Deve ser. Falando sério: em terra de Guimarães Rosa, de Machado de Assis, Carlos Drumond de Andrade, de Hilda Hist, de Paulo Autran, de Dias Gomes, para chegar a ser um neo PC tem que literalmente também, meter muito a mão em cumbuca esotérica. Afinal, o que se ganha com invencionices de extirpe, na arte literária genial, se não a cegueira? Jorge Luis Borges que o diga. Ou João Cabral de Mello Neto, um convertido pré-mortis. Assim, todos sonham em lançar o livro do terceiro milênio, ganhar o Prêmio Nobel, a Novela na Globo no horário das oito (mesmo que seja uma Mulheres Raquetadas qualquer), a fama, a grana, a lama, a grama. Só pra citar Gonzaguinha Dois. Em áureos tempos, mal imaginávamos ganhar um fuscão no juízo final. Agora, uma quer ser a pop Gisele Bundchen (é assim que se escreve?) outro quer ser o Netinho do Gueto-Rodeio Record, um outro o imberbe canela-de-vidro Kaká com acento e sem acento, um outro o titã barroco-concreto Arnaldo Rock Antunes, e, muitos, valha-me Deus, sonham um espaço na Folha de São Paulo, já que até o Cony está lá sem seca e casca grossa, quase que alienado desses brasis gerais de FHC et trupe...Sonhar não dói, mesmo que a fama seja reles. Falo com conhecimento de causa. Escrevo desde muito guri ainda, com 16 anos já colaborava com jornais de minha aldeia, a Estância Boêmia de Itararé, migrando, vindo pra Sampa, estudando sempre, comecei a participar de concursos e tive sorte de ganhar alguns em verso e prosa, até na USP, colaborei com jornais, suplementos e revistas lítero-culturais, até que, inocente, puro e besta, calhou de tentar fazer a via-crúcis editorial (anônimo & zé ninguém) na busca de uma avaliação crível, buscando (sem intermediário) que bancassem os meus livros, e então, finalmente, tivesse o reconhecimento que acho bom e faz parte. Triste ilusão. Ou muito me engano, ou muitos me enganam. Mal lêem os livros enviados. Devem ter gerentes de açougues de sebos em análises de mercado editorial mal-conduzido. A arma do negócio. A mercadoria-livro. Um tipo de uma grande editora carioca, jogou-me na cara que o Brasil tem mais escritor que leitor. Vejam só o disparate. Isso, quando acusam o recebimento do livro. Isso quando não somem com ele. Isso quando nunca mais devolvem, ou extraviam. Isso quando avaliam mesmo, o que é bem certo que noventa e nove por cento não o fazem com grosso calibre e conhecimento de causa propriamente dita, principalmente se não tiver um Q.I. (Quem Indique) de panelinha próxima. Corporativismos de homossexuais, jornalistas, amigos do alheio, e vai por aí a fora a cantilena do antro de escorpiões. Todos passam por tudo isso de alguma maneira?. Crivos incríveis. Só alguns se sujeitam ao teste do sofá, ou tudo é mesmo uma panelinha? Simony, Derico, Homanny Ramos e Ratinho lançaram livros inúteis. Acredite, se quiser. É a falência da avaliação das editoras. Algumas obras(...) encalharam. Imagine o avaliador(SIC) que deu o OK prum livreto desses, bocós e sem conteúdo?. Um livro meu, recusado por uma outra grande editora de Sampa (mesmo sendo pioneiro, de vanguarda, único no gênero no mundo) acabou, por asas do destino via CBN carioca, vamos colocar assim, estourando como e-book, livro virtual (eletrônico). É o caso do O Rinoceronte de Clarice, no site www.hotbook.com.br/int01scl.htm que, com onze contos fantásticos (cada conto com três finais, um feliz, um de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto) virou must da Internet, passou de 70 mil downloads, tem uma belo handicap, e assim fui de roldão e no vácuo fiz palestras, mostras, oficinas, congressos, tudo pago (e até em universidades) quando também foi recomendado como leitura obrigatória na Universidade do Sul de Santa Catarina, na matéria Linguagem Virtual, num Mestrado de Ciência da Linguagem. Caminhos foram abertos. Aleluia. Ave Bill Gates. Daí para ser tachado por fiéis amigos virtuais de o rei da Internet, foi um passo. Colaboro com mais de cem sites, até no exterior. Mesmo sendo desconhecido da chamada grande mídia (que pecado), mesmo já tendo meus vários cinco minutos de fama, fiz meu palco iluminado, e destilei meus palavreiros, meus palavrórios, meus versos e prosas por atacado. De microcontos a haikais. De ensaios a críticas. E conheci situações de semelhantes entre desigualdades. Inéditos entre iguais. Com vias parecidas ou até piores. Antologias pagas, prêmios divididos, mídias suspeitas, e assim fez-se um ninhal pop de literatura nos tempos modernos. Escritores virtuais. Não mais como um título ruim, um rótulo apenas, mas como uma realidade cristalina e bem valorada. O que as editoras de livro impresso desprezam por grande incompetência até, pode virar sucesso como livro eletrônico, em link pago ou não. Algumas editoras correm atrás (não aconteceu comigo ainda), e lançam tardiamente em livro impresso, convencional, o que virou chique de sucesso comprovado na Internet. E as provas batem: todo sucesso na Internet, com um handicap desse naipe, acontece muito bem feito mercadoria-livro no chamado mercado editorial. Curto e grosso: certos avaliadores estão por fora, são fracotes, não têm visão, ou, pior, vendem livretos como entendem de pão com banana. Não sacaram o mercadão que é a Internet, ou que o que é bom já nasce luz, cedo ou tarde quem merece acontece, principalmente se for teimoso como uma mula, e, de uma forma ou de outra, quer queiram, quer não, a cultura pop da literatura contemporânea brasileira dá um show no mundo virtual. Os donos das grandes editoras, precisam comprar computador pros seus avaliadores de ocasião, darem um curso de navegação pros tipos, ou, mudarem de avaliadores que os tempos são outros e qualidades abundam, obras espetaculares viçam pelaí. Porque o mundo virtual endossará o mercado literário do futuro. E quem acreditar ainda no livro apenas como mercadoria descartável vai ver que, como em todos os tempos, em todas as épocas, em todos os campos, quem prepara um caminho (como diz a canção My Way) cedo ou tarde vai colher frutos e os chamados louros da vitória, trocadilhando, não as morenas da derrota. É preciso persistência, determinação, estudo, releitura, fé na tábua de esmeraldas do sonho, do empenho, da luta árdua pra vencer barreiras e panelas. Mas, com certeza, um bom site ajuda, uma fama no mundo virtual é uma escada para ao céu, abre portas espetaculares, e assim, todos têm espaço garantido e cada um que procure seu balaio, seu ninho, seu canto virtual, sua trupe, mesmo que, ainda, parafraseando os evangelhos, muitos sejam chamados (vocação) e poucos colhidos em safras e searas de tantos aventureiros pops em canteiros literários virtuais de quilate. Parafraseando Silviano Santiago, eu diria, sem querer ser visionário, que os escritores contemporâneos que se destacarão no futuro, certamente na sua grande maioria sairão dentre os audazes navegantes das tribos virtuais da pós-modernidade. É a literatura pop no mundo da Internet. A salvação da lavoura. Sorte nossa. Habemus ícaros.
Domingo, Janeiro 23, 2005
Eduardo Alves da Costa Assim como a criança humildemente afaga a imagem do herói, assim me aproximo de ti, Maiakóvski. Não importa o que me possa acontecer por andar ombro a ombro com um poeta soviético. Lendo teus versos, aprendi a ter coragem. Tu sabes, conheces melhor do que eu a velha história. Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na Segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada. Nos dias que correm a ninguém é dado repousar a cabeça alheia ao terror. Os humildes baixam a cerviz; e nós, que não temos pacto algum com os senhores do mundo, por temor nos calamos. No silêncio de meu quarto a ousadia me afogueia as faces e eu fantasio um levante; mas amanhã, diante do juiz, talvez meus lábios calem a verdade como um foco de germes capaz de me destruir. Olho ao redor e o que vejo e acabo por repetir são mentiras. Mal sabe a criança dizer mãe e a propaganda lhe destrói a consciência. A mim, quase me arrastam pela gola do paletó à porta do templo e me pedem que aguarde até que a Democracia se digne a aparecer no balcão. Mas eu sei, porque não estou amedrontado a ponto de cegar, que ela tem uma espada a lhe espetar as costelas e o riso que nos mostra é uma tênue cortina lançada sobre os arsenais. Vamos ao campo e não os vemos ao nosso lado, no plantio. Mas ao tempo da colheita lá estão e acabam por nos roubar até o último grão de trigo. Dizem-nos que de nós emana o poder mas sempre o temos contra nós. Dizem-nos que é preciso defender nossos lares mas se nos rebelamos contra a opressão é sobre nós que marcham os soldados. E por temor eu me calo, por temor aceito a condição de falso democrata e rotulo meus gestos com a palavra liberdade, procurando, num sorriso, esconder minha dor diante de meus superiores. Mas dentro de mim, com a potência de um milhão de vozes, o coração grita - MENTIRA!
Sábado, Janeiro 15, 2005
O caso teve como base o suborno de 50 mil dólares feito em 2002 a um funcionário do governo para que o algodão transgênico fosse liberado sem a realização de estudos de impacto ambiental. Essas suspeitas de práticas de corrupção pela Monsanto já vinham sendo investigadas pelo Departamento de Justiça Americano. Além do episódio de 2002, a acusação diz respeito também a mais de 140 funcionários do governo da Indonésia e seus familiares que, entre 1997 e 2002, receberam mais de US$ 750 mil em propinas. A Monsanto assumiu que os US$ 50 mil foram pagos a um funcionário do ministério do meio ambiente para que ele subvertesse procedimentos adotados no país que prevêem a realização de estudos prévios de impacto ambiental para a liberação de transgênicos. A tentativa, no entanto, fracassou, já que os procedimentos foram mantidos. As demais acusações de suborno ocorridas entre 1997 e 2002 também foram confirmadas pela empresa. Jonathan Matthews, diretor da organização não-governamental GM Watch, alerta que o ¿caso de corrupção na Indonésia pode ser apenas a ponta do iceberg¿ no que diz respeito a práticas corruptas da empresa para facilitar a entrada de transgênicos nos países. Em Brasília, o poderoso lobby das indústrias de biotecnologia conseguiu aprovar no Senado um projeto de lei (PL) de Biossegurança que coloca nas mãos da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança/Ministério da Ciência e Tecnologia) a palavra final sobre a liberação de transgênicos. Mas a grande vitória do lobby pró-transgênicos está no fato de a controversa comissão poder subverter a legislação ambiental brasileira e a própria Constituição Federal e autorizar o plantio e a comercialização de transgênicos sem a realização de estudos de impacto ambiental -- caso o PL seja ratificado pela Câmara. Quais outras conexões ocultas poderá nos revelar o restante desse iceberg? A Syngenta, líder mundial em agroquímicos e terceira maior companhia do setor de sementes e biotecnologia, entrou com um pedido de patente em 115 países que, se aprovado, lhe dará o monopólio sobre o genoma de pelo menos 40 espécies. A medida representa, na prática, uma ameaça à segurança alimentar e um ataque aos sistemas públicos de pesquisa agropecuária, disse Hope Shand, diretora científica da ONG Grupo ETC (Grupo de Ação em Erosão, Tecnologia e Concentração). Em uma solicitação de 323 páginas, a empresa requer controle monopólico do DNA que regula o florescimento, a formação das flores, a arquitetura da planta e o tempo para florescimento do arroz, em 115 países. Mas o pedido não está restrito a seqüências vitais do arroz. De acordo com um estudo do Dr. Paulo Oldham, da Universidade de Lancaster (Reino Unido), o escopo dessa solicitação massiva de patentes é praticamente ilimitado, podendo se estender a plantas que produzem flores em geral, inclusive àquelas ainda não classificadas por botânicos. De fato, a Syngenta alega que uma vez que ela é capaz de identificar determinadas seqüências de genes no arroz, ela também pode monopolizar as seqüências correspondentes em outras espécies. O seqüenciamento genético do arroz está prestes a ser concluído, e este mapa de DNA do cultivo que alimenta metade da população mundial é também a base para se identificar características genéticas similares em outras plantas. O pedido da Syngenta abrange seqüências genéticas vitais das 23 principais espécies alimentícias listadas no Tratado da FAO sobre Recursos Genéticos Vegetais para a Agricultura e a Alimentação. Caso o pedido seja aceito, o tratado da FAO (órgão das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) cairá na inutilidade, alerta Silvia Ribeiro, do Grupo ETC no México. Também conhecido como Tratado Internacional sobre Sementes, o acordo tem como objetivo garantir que a biodiversidade agrícola cultivada e manejada por agricultores há milênios seja conservada e que os benefícios gerados a partir de seu uso sustentável sejam repartidos eqüitativamente. Mais de 55 países, entre eles o Brasil, já o assinaram (veja Boletim 216). A empresa suíça alimentou outras polêmicas quando foi convidada para integrar o Grupo Consultivo Internacional para a Pesquisa Agropecuária (CGIAR, na sigla em inglês). É crucial nesse momento que a FAO e o CGIAR bloqueiem essa iniciativa, defendendo a segurança alimentar da população mundial e protegendo o bem público antes que o monopólio esteja sacramentado. AS-PTA -- Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
Felipe Biglia Penso em você, penso em nós. Eu lhe quero e lhe afasto. Tenho medo de lutar por você E do que posso perder nesta luta. Não sei se agüento as palavras Que me dirão e que me dirá. São poucas as vantagens que vejo E são essas que eu quero gozar. Liberdade também é solidão. Ir e vir tem o seu preço. Não me ajoelho para pedir perdão. Entro num mundo que não conheço. Uma crise pequena mas exata. Poucos vêem, e ninguém sabe. No fundo é você que me mata, Faz com que meu mundo desabe. Minhas palavras não tem sentido. Você é a conjunção que se encaixa. Sei que sem isso estou perdido, Sentado com a cabeça baixa. Queria lhe ver imediatamente. Dizer o que o papel recolhe. A responsabilidade me impede, E o meu ego se encolhe. Cegar-me à luz de seus olhos, Ser guiado pelo aroma de seu corpo. Escrever por cima do passado Com a caneta que o presente me empresta. Esquecer o tamanho do mundo Nem que seja por um momento. Fazer transbordar pelo universo Este amor que aumenta com o tempo. Parece que a distância se expande. Sua imagem está na minha frente. Mas sua alma ocupa outro espaço. Meu coração não mais lhe sente. As lembranças são maus guias Que distorcem o caminho. Parece que está acompanhado Mas caminha sozinho. Deito e lhe abraço. Acordo sem você ao meu lado. Desespero-me sem lhe ver. Lembro-me do sonho acabado. Mato-me sem você. Despejo-me no cinzeiro. Nada mais faço. Apenas ouço. Quando a música acaba A fumaça voa sem rumo, Segue o balanço do vento Com meus sentimentos juntos. Onde está você? Repito freqüentemente. Quero-lhe em mim Como a força do meu coração. Vejo que a coragem é escassa. A vontade que me engrena É o peso que me esmaga Enquanto o coração gangrena. De tão rápido quase para. Precisa do comando da sua voz. Em cada sorriso seu uma diástole, Em cada viagem uma sístole. Tento provar para mim Que conheço o caminho certo. Sigo bem uma parte do caminho E paro quando já estou perto. Espera que eu diga algo. O seu rosto me questiona. Não consigo e me calo. Síndrome de quem se apaixona. O remédio é caseiro Não se vende em farmácia. Extraído do mel dos lábios, Tem comprovada a eficácia. O tempo é curto e passa rápido. Não o enfrento e por isso espero, Sei que no fundo não estou perdido. Amo a força com que lhe quero.
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