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Domingo, Fevereiro 27, 2005
Felipe Biglia Espalhe sob os seus pés Os pecados do mundo. Veja de cima O que não se vê do meio. Esteja acima Dos que se consideram tanto E abaixo daqueles Que se abaixam aos seus olhos. Seja para as pessoas Aquilo que você espera delas. Seja delas Sendo você.
Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
O Poeta e Ficcionista Premiado, Silas Corrêa Leite, da Estância Boêmia de Itararé-SP, Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor, entre outros, será sabatinado online no site do SESC-SP sob a coordenação do escritor João Silvério Trevisan O belo conto Quando a Tragédia Bate a Sua Porta foi selecionado e será discutido na sala do Balaio de Textos do SESC-SP ON LINE, na próxima quinta, dia 24 de FEVEREIRO de 2005, a partir de 20 horas. Gostaria de contar com a presença de leitores especiais interessados em cultura literária contemporânea e em pólos de discussão da nova ficção brasileira. O conto estará exposto no Fórum do Balaio, onde é possível conferir também as opiniões deixadas. Você poderá entrar no site pelos endereços: http://www.sescsp.org.br/sesc/convivencia/oficina/frabalaio.htm ou poderá entrar na sala do Balaio pela home page do UOL http://www.uol.com.br/; clicar em Bate Papo; a seguir, clicar em Variados; aí descer até Parceiros e rolar a barra até Oficina de Leitura ou SESC-on line, Sala 1.
Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005
Castro Alves ao grêmio literário
Talhado para as grandezas, Pra crescer, criar, subir, O Novo Mundo nos músculos Sente a seiva do porvir. - Estatuário de colossos - Cansado doutros esboços Disse um dia Jeová: "Vai, Colombo, abre a cortina "Da minha eterna oficina... "Tira a América de lá". Molhado inda do dilúvio, Qual Tritão descomunal, O continente desperta No concerto universal. Dos oceanos em tropa Um - traz-lhe as artes da Europa, Outro - as bagas de Ceilão... E os Andes petrificados, Como braços levantados, Lhe apontam para a amplidão. Olhando em torno então brada: "Tudo marcha!... Ó grande Deus! As cataratas - pra terra, As estrelas - para os céus Lá, do pólo sobre as plagas, O seu rebanho de vagas Vai o mar apascentar... Eu quero marchar com os ventos, Corn os mundos... co'os firmamentos!!!" E Deus responde - "Marchar!" "Marchar! ... Mas como?... Da Grécia Nos dóricos Partenons A mil deuses levantando Mil marmóreos Panteons?... Marchar co'a espada de Roma - Leoa de ruiva coma De presa enorme no chão, Saciando o ódio profundo. . . - Com as garras nas mãos do mundo, - Com os dentes no coração?... "Marchar!... Mas como a Alemanha Na tirania feudal, Levantando uma montanha Em cada uma catedral?... Não!... Nem templos feitos de ossos, Nem gládios a cavar fossos São degraus do progredir... Lá brada César morrendo: "No pugilato tremendo "Quem sempre vence é o porvir!" Filhos do sec'lo das luzes! Filhos da Grande nação! Quando ante Deus vos mostrardes, Tereis um livro na mão: O livro - esse audaz guerreiro Que conquista o mundo inteiro Sem nunca ter Waterloo... Eólo de pensamentos, Que abrira a gruta dos ventos Donde a Igualdade vooul... Por uma fatalidade Dessas que descem de além, O sec'lo, que viu Colombo, Viu Guttenberg também. Quando no tosco estaleiro Da Alemanha o velho obreiro A ave da imprensa gerou... O Genovês salta os mares... Busca um ninho entre os palmares E a pátria da imprensa achou... Por isso na impaciência Desta sede de saber, Como as aves do deserto As almas buscam beber... Oh! Bendito o que semeia Livros... livros à mão cheia... E manda o povo pensar! O livro caindo n'alma É germe que faz a palma, É chuva - que faz o mar, Vós, que o templo das idéias Largo - abris às multidões, Pra o batismo luminoso Das grandes revoluções, Agora que o trem de ferro Acorda o tigre no cerro E espanta os caboclos nus, Fazei desse "rei dos ventos" - Ginete dos pensamentos, - Arauto da grande luz! ... Bravo! a quem salva o futuro Fecundando a multidão! ... Num poema amortalhada Nunca morre uma nação. Como Goethe moribundo Brada "Luz!" o Novo Mundo Num brado de Briaréu... Luz! pois, no vale e na serra... Que, se a luz rola na terra, Deus colhe gênios no céu!...
Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
Fernando Pessoa A espantosa realidade das cousas É a minha descoberta de todos os dias. Cada cousa é o que é, E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. Tenho escrito bastantes poemas. Hei de escrever muitos mais, naturalmente. Cada poema meu diz isto, E todos os meus poemas são diferentes, Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto. Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra. Não me ponho a pensar se ela sente. Não me perco a chamar-lhe minha irmã. Mas gosto dela por ela ser uma pedra, Gosto dela porque ela não sente nada. Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo. Outras vezes oiço passar o vento, E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido. Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto; Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo, Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar; Porque o penso sem pensamentos Porque o digo como as minhas palavras o dizem. Uma vez chamaram-me poeta materialista, E eu admirei-me, porque não julgava Que se me pudesse chamar qualquer cousa. Eu nem sequer sou poeta: vejo. Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho: O valor está ali, nos meus versos. Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
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