|
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
Silas Correa Leite Recebi um modelo de Carta de Suicida De um inusitado inimigo secreto, oculto. Tinha espaços para serem preenchidos Linhas pontilhadas, códigos de transmutações vencidos E dicas para um perfeito uso de gás butano, rifle ou cianureto. Espaços em brancos sugeriam alternativas vencidas, improváveis Sem Plano B, Rotas de Fugas ou regras de fácil compreensão Apenas era simplesmente utilizar alguns parágrafos chaves Colocar o nome ao final (ou heterônimo e código-senha de filiado pirata clandestino) E deixar depois sobre o rastilho de pólvora da solidão-albatroz. Era uma carta-partilha rara e com técnica perfeitamente funcional Meio Shakespere, meio Cantinflas, meio Fernando Pessoa Ou mesmo Rilke, Silvia Plath, Lorca ou Kafka E lembrava os quadros Campos de Trigos com Corvos e Guernica E me senti ali identificado nos arames gélidos das confeituras. (Minha mãe disse que era coisa de Mefistófeles de Fausto Meu pai bufando foi tomar providências na agência de Correios Minha irmã mãe-solteira mais sábia pediu-me uma cópia autenticada Meu irmão caçula manquitola e picego virou lobisomem E todas as minhas ex-Musas-Vítimas se vangloriaram da oferta e procura No fértil curral das aparências que enganam hienas saradinhas) Refeito temporariamente do bisonho susto paquidérmico (Nada como um choque terminal para nos tirar de dentro do pote de vísceras da havência) Tomei um porre homérico, desesperado escrevi esse poema vazão No íntimo pedi a bença pra mãe na distante Itararé Encantário E fui caçar freguesia no Porta-Lapsos da Casa dos Espíritos. Hoje a carta perfumada resta-se íntimo butim num baú de ossos Entre sachês de ódios sublimados e pertencimentos-resignações de dor Tem selos do Arco da Promessa, carimbos-andaimes, ícones neurais Técnicas de devãos e ainda cheira a pés de sagrados grilos cegos Pois o extraordinário verniz da minha tentativa de abismo Não casou com o exato cantar de galo no pré-auroral das vicissitudes. ................................................................. No entanto escrevo feito um repugnante condenado à vida E quando baixa-me um decanto-toleima saindo pelo ladrão Acordo-me para o modelo da Carta de Suicida e choro Choro muito, choro perolágrimas - choro escondido a terrível depressão Lembrando-me da íntima carta de suicida que como um registro com assinatura no DNA ainda trago comigo Como se fosse um camuflado pano de rosto trágico e inevitável De uma eternal gambiarra de angústia-vívere de castigo.
![]() |
Balcão
Cafés servidos
Clique aqui se você não está visualizando o menu esquerdo. Links
![]()
Campanhas
Bate-Papo
Seriados-TV® Blogs Indicados
A Criatura e a Moça Allons Enfants Blog da Bruxinha Caretasso Clarissa Ervilhas Dureza Flores do Bem Jopliana la vie en rose... Mais ou Menas Milton Ribeiro Na Terra do Nunca Omito, Lógico! O Monoglota On the Ledge Ópio PABLOG v. Veronica Mars Paxil Rosa Pensar Enluquece, Pense Nisso °o.O Poièsis O.o° ..:*.:* Silent Soul *:.*:.. Simples Coisas da Vida SpikeOS
|