Quinta-feira, Janeiro 25, 2007

Pre (visões)

Enquanto não entramos em 2007, jogo os meus búzios, corto o meu tarô, consulto os oráculos e coleciono mensagens de um copo animado pelos desencarnados. A neblina que paira sobre o mundo, entretanto, é resistente. As técnicas divinatórias são lamparinas de azeite diante da densidade da névoa trazida pelo século 21.

Para quem foi, como eu, um leitor embalado pelo otimismo progressista e pela engenhosidade utilitária de Júlio Verne, o século 21 era o futuro. Tudo o que vi, li e me foi prometido iria ocorrer no famoso milênio. Daí o medo do terrível: "De mil passarás, mas a dois mil não chegarás!", que ouvi de uma professora religiosa e severa, moto que esvaziava no seu pessimismo milenarista as grandes promessas do novo século.

Mas o tempo passou, as crises da 3ª Guerra Mundial se desfizeram; em vez de um mundo socialista, como previam as cartilhas, o que aconteceu foi um tremendo desmascaramento orwelliano do 1984; desmanchou-se a União Soviética; caiu o Muro de Berlim. E, no final das contas, quem deu um formato inesperado ao planeta foi uma imprevista globalização financeira tocada a consumismo fanático, ao lado de um messianismo islâmico igualmente não antecipado. Tudo isso tendo como cenário o dado maior deste mágico 2007: o palpável risco de destruição do planeta.

Para quem imaginava o século 21 como o marco das utopias, como o momento em que as doenças, a pobreza, o fanatismo e até mesmo a morte seriam finalmente derrotados, esses cruzamentos computadorizados de extrema pobreza, extremada violência, doença e fome na África, no Haiti e no Brasil, com obesa abundância e consumismo desenfreado nos Estados Unidos e na Europa ocidental, assombram.

Quem teria sido capaz de prever essa embrulhada brasileira de uma vida urbana, afinal, majoritária, mas sem a menor segurança e civilidade? Quem poderia antever este nosso mundo inflado de atrações, mas, ao mesmo tempo, assolado pela incúria administrativa e pela mendacidade política como valor? Se o século 20 acabou com Deus, como é que hoje vivemos tantas guerras religiosas? Como é que a previsão de um século 21 paradisíaco terminou nessa enorme lista de violência, de conflitos insolúveis e de tanta dor, perda e sofrimento?

Cá estamos diante do sétimo ano do novo século e o que aparece diante de nós é o mais desolador prognóstico de destruição.

O bicho-homem, a espécie sem especificidade porque destituída de natureza, de programa geral e de instinto; o macaco nu - onívoro, inventor da roda, da música, da piedade e da bomba atômica - começou ceifando o mato em torno de suas cabanas e, tendo construído a "aldeia global", vai liquidando o planeta por meio de uma exploração impiedosa de todos os seus domínios. A terra deixou de ser mãe generosa para ser a propriedade privada de Estados nacionais e de companhias multinacionais. Enfim, o senhor do mundo, aquele que vivia à mercê dos deuses e que foi feito à imagem e semelhança do seu Criador conseguiu, viva, liberar-se de si mesmo. Tudo o que lhe havia tolhido a existência de felicidade individual foi colocado entre aspas. Livre para amar tanto o caos quanto a ordem, o senhor do mundo vai finalmente consumar o seu maior feito: a destruição do próprio planeta. Do nicho onde vive, da terra mãe que o sustentou e o viu nascer, do cenário onde desempenhou tantos papéis, lutou tantas batalhas, gozou e sofreu em tantas realizações, viveu e morreu em tantas tragédias.

O que os oráculos anunciam em 2007 não é simplesmente que o "político X vai morrer", que quem é de Touro vai ter um grande ano ou que a Mariazinha vai encontrar um grande amor. É, puxa vida, o fim do planeta!

Graças ao consumismo estabelecido como religião, a nave na qual ele tem navegado pelo infinito do universo está sucumbindo. E como que para aumentar sua glória e abrilhantar, como uma valsa de Strauss, a sua capacidade destrutiva, o fim do planeta não resulta de um conflito lógico entre blocos representativos do Bem ou do Mal, da Liberdade e da Submissão, ou do "nosso" Deus e do "deles". Resulta precisamente da hegemonia da parte sobre o todo, dos atores sobre a peça, do padre sobre a missa, da palavra sobre o texto.

Corta para o ano 27777 e.C. (vinte e sete mil, setecentos e setenta e sete da era do Consumo).

O bicho-homem não morreu. Salvou-se do planeta que destruiu numa emigração que levou os mais ricos e os mais corretos - os desenvolvimentistas, os consumistas, os acumuladores, os planejadores (e eu quase digo, os economistas) - para outros mundos. Primeiro, colonizaram alguns planetas do seu sistema solar, depois invadiram mundos em outros sistemas.

Hoje, neste glorioso ano mágico de vinte e sete mil, setecentos e setenta e sete e.C., estamos todos orgulhosos de termos inventado planetas lixo, luas esgoto, asteróides latrinas e sóis exauridos de calor e de luz. Pois em todos os lugares por onde passamos deixamos, em nome da lei, da ética, do mercado, do progresso, da revolução, da justiça, da política, de Deus, da pátria e do povo, um rastro inigualável de morte e destruição. Ao fim e ao cabo, sabemos, as estrelas surgem e fenecem, e até os deuses nascem e morrem, mas só o bicho-homem, com seu glorioso e inabalável pendor destrutivo, continua a reinar absoluto pelos séculos e séculos, amém.

Roberto Damatta


Bebido por... [Dostoiévski] às 11:27 PM

Cafeinizaram:


Sábado, Janeiro 06, 2007

Eu conheci o Luís Felippe em um grupo de mensagens de literatura e quando descobri sua história, como qualquer ser "humano", fiquei chocado, não só com a lentidão da justiça (tão mal acostumados estamos), mas principalmente pela omissão da grande imprensa. Ressalto que o conheci em 2002, não mantive contato depois que o grupo se desfez. Sempre que possível acompanhei o desenrolar do caso, já estamos em 2007 e você provavelmente ainda nunca ouviu falar nesta história.

Clique aqui (é preciso Windows Media Player) para ver a gravação feita pelo programa Inclusão da TV Senado, que aborda temas da maior complexidade e foi levado ao ar em rede nacional e internacional. Esse programa recebeu premiação e elogios da mesa do senado e, também, perante os órgãos de divulgação. Nele você vai conhecer a história de Renata, um caso de erro médico, que nos apresenta um acurado raio-X da justiça brasileira.

Se depois, ainda, tiver interesse em saber e tomar conhecimento das últimas informações médicas do CASO RENATA e, como está evoluindo o tratamento dela, após 5 (cinco) anos, acesse o site www.erromedico.org procure do lado direito CASO RENATA (tem a foto dela) clique em LEIA MAIS: lá você encontrará vários itens.

No ítem leia também: O principal Negligência Médica: O Caso RENATA - Por Luiz Felippe Gonçalves, é o que contém as últimas informações de seu tratamento (veja como é dificil para todos nós e como é complicado tratar de pessoas na situação em que ela se encontra. Todos dizem que imaginam como é. E se enganam. Somente aqueles que passaram por situações parecidas com pessoas da família, podem avaliar o que se passa). Eles conseguiram acabar, literalmente, com a vida dela e de todos os seus familiares, que com muita dor e sofrimento, já estão todos, também, apresentando problemas médicos importantes e de alto risco.

Este alerta é feito contra médicos inescrupulosos e mercantilistas, que estão trazendo sempre tragédias e desgraças para as famílias. Só em Brasília, existem aproximadamente, 10.000 médicos, inscritos no Conselho Regional de Medicina, sendo que 15%, ou seja 1.500 médicos, são irresponsáveis, incapazes, imprudentes, negligentes, cometem todo tipo de barbaridade, fazendo muito das vezes, o paciente de cobaia, dando diagnósticos errados, receitando remédios inadequados e, o pior, nenhum de nós, sabemos os nomes desses médicos que estão soltos, clinicando em nossa comunidade. São todos acobertados pelo CRM e pelos próprios companheiros de classe, num corporativismo, sem fim. CUIDADO COM ELES. Preservem o bem estar de todos os seus familiares. Em caso de acontecer qualquer coisa que leve prejuízo médico e financeiro DENUNCIEM à AVEMB - Associação das Vítimas de Erros Médicos de Brasília (0xx61-3225 4452 ou associacaoerromedico@terra.com.br ).


Bebido por... [Dostoiévski] às 11:48 PM

Cafeinizaram:


Café Dostoiévski POP - Nem Parece Internet Grátis BloG by BLOGGER! By Dostoiévski!

Balcão


Cafés servidos

[English]

[Xícaras Passadas]

Clique aqui se você não está visualizando o menu esquerdo.


Links

Entre para o Grupo Seriados-TV® e discuta tudo sobre seriados! Digite seu e-mail na caixa abaixo, clique em "enviar" e siga as instruções!



Sites Indicados

Abstrações
Allons Enfants

Ervilhas Dureza

Flores do Bem

Google

Jopliana

Lactobacilo Morto
la vie en rose...

Mais ou Menas
Malvados
Milton Ribeiro

Na Terra do Nunca

Omito, Lógico!
Ópio
Ora, pílulas

Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Simples Coisas da Vida
SpikeOS

Wikipedia