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Sábado, Fevereiro 24, 2007
Temos o costume de tomar as vitórias eleitorais como auto-explicativas, negligenciando a análise posterior dos fatos determinantes, sempre útil à compreensão do curso histórico. Do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso recebo o resumo dos debates ocorridos entre 25 e 29 de janeiro no Fórum Especial - uma edição, pela internet, de seu já tradicional Fórum Nacional, buscando responder à pergunta simples porém relevante: "Por que Lula ganhou?"
Tento resumir os textos-guia do debate, um de Marcos Coimbra (Vox Populi) e outro de Jairo Nicolau e Vitor Peixoto (Iuperj). A pergunta serve a qualquer pleito mas paira muito sobre a reeleição de Lula por conta de tantas singularidades. De candidato imbatível ele foi ao fundo do poço com a crise de 2005. Governo despedaçado, reuniu os cacos, ditou as políticas, emergiu no início de 2006 e tornou-se favorito. Não ganhou no primeiro turno mas colheu vitória expressiva no segundo. Ele mesmo, ainda no primeiro turno, no encontro com intelectuais paulistas, perguntava: "Como pudemos chegar até aqui?". A pergunta de Velloso, no fundo, é: "Por que Lula ganhou, apesar de tudo?". Os dois textos expressam olhares distintos sobre o processo, convergentes em alguns pontos. Coimbra vale-se das muitas pesquisas realizadas pelo seu e por outros institutos para sustentar que foram quatro as razões da vitória de Lula. Uma, o tamanho do lulismo, uma base eleitoral que a seu ver nenhum outro presidente teve. Candidato nas cinco eleições diretas pós-ditadura, Lula teria contribuído para estruturar o eleitorado em três terços distintos: lulistas, anti-lulistas e independentes, cabendo a estes últimos o papel pendular. Estes, tendo optado por ele em 2002, dobraram a aposta em 2006. E o fizeram em nome do conforto econômico que sentiram, representado não apenas pelo Bolsa Família mas também pelo baixo preço dos alimentos e o aumento do poder aquisitivo. Pesaram, em terceiro lugar, os acertos da campanha de Lula - quanto ao tempo, ao direcionamento, ao marketing e ao comando exercido por ele mesmo - e os erros da oposição e de seu candidato, o vazio de propostas alternativas. Mais subjetivamente, teriam decidido os eleitores que, apesar dos erros, não estava ainda na hora de mandar Lula para casa. "A alternância com Lula teve um sentido mais complexo para seus eleitores, o de ser uma alternância de classes no centro do sistema", diz Coimbra. O texto de Nicolau e Peixoto tem outro foco. Parte do detalhamento das votações de Lula em 2002 e 2006, descendo aos municípios e à estratificação dos mesmos por IDH e outros indicadores sociais. A comparação revela uma mudança importante no perfil do eleitorado de Lula, sobretudo nos municípios que têm entre 10 mil e 20 mil eleitores. Neles, Lula teve 54,3% dos votos válidos em 2002, e 64,2% em 2006. Já nos municípios com eleitorado entre 50 mil e 200 mil - eleitores politicamente mais exigentes - a votação dele minguou de 64,3% para 59,6% no segundo turno das duas eleições. Repete-se o declínio nos municípios com mais de 200 mil eleitores. Com gráficos e tabelas, eles demonstram que a votação de Lula cresceu nos municípios mais pobres, com grande concentração de beneficiários do Bolsa Família, programa que investiu 53,7% de seus recursos no Nordeste, colhendo a retribuição eleitoral. "Seu desempenho (de Lula) é melhor na medida em que pioram os indicadores sociais", diz o estudo. Estas conclusões servem aos adversários do governo que vêem no Bolsa Família um instrumento populista. Servem também a Lula, por confirmar a idéia de que, apesar dos problemas éticos, cumpriu a promessa de dar prioridade aos pobres. Importante, no estudo, é a demonstração cabal de que um programa social pode alterar significativamente a disposição do eleitorado, o que só reforça a tese de que, com reeleição, as chances do governante são sempre maiores. Os dois textos, assim como os cientistas políticos que os comentaram - concordando basicamente com ambos, ou mais com um do que com outro, - deixaram porém de responder a um enigma da eleição passada: por que Geraldo Alckmin perdeu quase 2,5 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno? Tema para novos estudos. O BRASIL é signatário de uma convenção da ONU pelo qual renuncia ao direito de fabricar supercomputadores. O deputado Alexandre Cardoso, secretário de Ciência e Tecnologia do Rio, anuncia um movimento da comunidade científica para convencer o governo a rever esta decisão, tomada no ano 2000, por pressão dos Estados Unidos no início da crise com o Iraque. A vedação da importação de equipamentos impede até mesmo, diz ele, a fabricação de computadores de porte médio, o que tem consequências danosas para a ciência nacional. "Não podemos sequer produzir bons estudos sobre o clima", diz ele. O GLOBO< e mais... Coentro Volta com força total a ação do MST em São Paulo. O líder, José Rainha Jr., está condenado a 18 anos de prisão, mas responde em liberdade pelos crimes de porte ilegal de arma, formação de quadrilha, furto qualificado e incêndio criminoso. O movimento é chamado de facção porque não tem agricultores. Invade, monta barracos, proíbe as pessoas de falar, e nenhum pé de coentro é colhido nos assentamentos.
Bebido por... [Dostoiévski] às 11:56 PM
Temos o costume de tomar as vitórias eleitorais como auto-explicativas, negligenciando a análise posterior dos fatos determinantes, sempre útil à compreensão do curso histórico. Do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso recebo o resumo dos debates ocorridos entre 25 e 29 de janeiro no Fórum Especial - uma edição, pela internet, de seu já tradicional Fórum Nacional, buscando responder à pergunta simples porém relevante: "Por que Lula ganhou?"
Tento resumir os textos-guia do debate, um de Marcos Coimbra (Vox Populi) e outro de Jairo Nicolau e Vitor Peixoto (Iuperj). A pergunta serve a qualquer pleito mas paira muito sobre a reeleição de Lula por conta de tantas singularidades. De candidato imbatível ele foi ao fundo do poço com a crise de 2005. Governo despedaçado, reuniu os cacos, ditou as políticas, emergiu no início de 2006 e tornou-se favorito. Não ganhou no primeiro turno mas colheu vitória expressiva no segundo. Ele mesmo, ainda no primeiro turno, no encontro com intelectuais paulistas, perguntava: "Como pudemos chegar até aqui?". A pergunta de Velloso, no fundo, é: "Por que Lula ganhou, apesar de tudo?". Os dois textos expressam olhares distintos sobre o processo, convergentes em alguns pontos. Coimbra vale-se das muitas pesquisas realizadas pelo seu e por outros institutos para sustentar que foram quatro as razões da vitória de Lula. Uma, o tamanho do lulismo, uma base eleitoral que a seu ver nenhum outro presidente teve. Candidato nas cinco eleições diretas pós-ditadura, Lula teria contribuído para estruturar o eleitorado em três terços distintos: lulistas, anti-lulistas e independentes, cabendo a estes últimos o papel pendular. Estes, tendo optado por ele em 2002, dobraram a aposta em 2006. E o fizeram em nome do conforto econômico que sentiram, representado não apenas pelo Bolsa Família mas também pelo baixo preço dos alimentos e o aumento do poder aquisitivo. Pesaram, em terceiro lugar, os acertos da campanha de Lula - quanto ao tempo, ao direcionamento, ao marketing e ao comando exercido por ele mesmo - e os erros da oposição e de seu candidato, o vazio de propostas alternativas. Mais subjetivamente, teriam decidido os eleitores que, apesar dos erros, não estava ainda na hora de mandar Lula para casa. "A alternância com Lula teve um sentido mais complexo para seus eleitores, o de ser uma alternância de classes no centro do sistema", diz Coimbra. O texto de Nicolau e Peixoto tem outro foco. Parte do detalhamento das votações de Lula em 2002 e 2006, descendo aos municípios e à estratificação dos mesmos por IDH e outros indicadores sociais. A comparação revela uma mudança importante no perfil do eleitorado de Lula, sobretudo nos municípios que têm entre 10 mil e 20 mil eleitores. Neles, Lula teve 54,3% dos votos válidos em 2002, e 64,2% em 2006. Já nos municípios com eleitorado entre 50 mil e 200 mil - eleitores politicamente mais exigentes - a votação dele minguou de 64,3% para 59,6% no segundo turno das duas eleições. Repete-se o declínio nos municípios com mais de 200 mil eleitores. Com gráficos e tabelas, eles demonstram que a votação de Lula cresceu nos municípios mais pobres, com grande concentração de beneficiários do Bolsa Família, programa que investiu 53,7% de seus recursos no Nordeste, colhendo a retribuição eleitoral. "Seu desempenho (de Lula) é melhor na medida em que pioram os indicadores sociais", diz o estudo. Estas conclusões servem aos adversários do governo que vêem no Bolsa Família um instrumento populista. Servem também a Lula, por confirmar a idéia de que, apesar dos problemas éticos, cumpriu a promessa de dar prioridade aos pobres. Importante, no estudo, é a demonstração cabal de que um programa social pode alterar significativamente a disposição do eleitorado, o que só reforça a tese de que, com reeleição, as chances do governante são sempre maiores. Os dois textos, assim como os cientistas políticos que os comentaram - concordando basicamente com ambos, ou mais com um do que com outro, - deixaram porém de responder a um enigma da eleição passada: por que Geraldo Alckmin perdeu quase 2,5 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno? Tema para novos estudos. O BRASIL é signatário de uma convenção da ONU pelo qual renuncia ao direito de fabricar supercomputadores. O deputado Alexandre Cardoso, secretário de Ciência e Tecnologia do Rio, anuncia um movimento da comunidade científica para convencer o governo a rever esta decisão, tomada no ano 2000, por pressão dos Estados Unidos no início da crise com o Iraque. A vedação da importação de equipamentos impede até mesmo, diz ele, a fabricação de computadores de porte médio, o que tem consequências danosas para a ciência nacional. "Não podemos sequer produzir bons estudos sobre o clima", diz ele. O GLOBO e mais... Visto, Lido e Copiado Volta com força total a ação do MST em São Paulo. O líder, José Rainha Jr., está condenado a 18 anos de prisão, mas responde em liberdade pelos crimes de porte ilegal de arma, formação de quadrilha, furto qualificado e incêndio criminoso. O movimento é chamado de facção porque não tem agricultores. Invade, monta barracos, proíbe as pessoas de falar, e nenhum pé de coentro é colhido nos assentamentos. CORREIO BRAZILIENSE
Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007
Um sujeito comprou uma geladeira nova. Para livrar-se da geladeira velha, colocou-a no gramado em frente à casa e pendurou um aviso dizendo: "De graça para um bom lar. Se a quiser, basta levá-la." A geladeira ficou lá três dias sem receber sequer um segundo olhar dos passantes. Finalmente, o sujeito chegou à conclusão de que as pessoas não acreditavam no que ele estava propondo. Parecia bom demais para ser verdade... Ele então mudou o aviso, que passou a ser: "Geladeira à venda, por $50 reais." No dia seguinte alguém a tinha roubado.
Olhando uma casa, meu irmão perguntou à corretora de imóveis de que lado era o norte, porque, explicou ele, ele não queria que o sol o acordasse todas as manhãs. Ela perguntou, "O sol nasce no norte?" Quando meu irmão explicou que o sol nasce no Leste (e aliás há um bom tempo isso vem acontecendo), ela sacudiu a cabeça e disse "Ah, sabe, eu não me mantenho atualizada a respeito desse tipo de coisa." Antigamente eu trabalhava em suporte técnico num centro de atendimento a clientes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Um dia recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto. Eu disse a ele "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana." Ele respondeu: "Pelo horário de verão ou o normal?" Querendo acabar com o assunto rapidamente, respondi: "Horário de verão." Meu colega e eu estávamos almoçando em nosso restaurante self-service quando ouvimos, por acaso, uma das assistentes administrativas falando a respeito das queimaduras de sol que ela havia tido ao ir de carro ao litoral no fim de semana. Ela tinha ido num conversível, mas "não pensou que ficaria queimada, pois o carro estava em movimento." Detalhe: ela não era loira! Minha irmã tem uma ferramenta salva-vidas no carro dela.. É uma ferramenta projetada para cortar o cinto de segurança se ela ficar enredada nele. Ela guarda a ferramenta no porta-malas. Meus amigos e eu fomos comprar engradados de cerveja e notamos que os engradados tinham desconto de 10 por cento. Compramos 2 engradados.. O caixa multiplicou 10 por cento por 2 e nos deu um desconto de 20 por cento. Saí com uma amiga e vimos uma mulher com um aro no nariz, atrelado a um brinco por meio de uma corrente. Minha amiga disse "Será que a corrente não dá um puxão a cada vez que ela vira a cabeça? Expliquei que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância independentemente de para que lado a pessoa vira a cabeça. Eu não conseguia achar minha bagagem na área de bagagens do aeroporto. Fui, então, até o setor de bagagem extraviada e disse à mulher que minhas malas não tinham aparecido. Ela sorriu e me disse para não me preocupar, porque ela era uma profissional boas mãos."Apenas me informe," perguntou-me, "o seu avião já chegou?" Trabalhando numa pizzaria observei um homem que estava fazendo pedido de uma pizza para viagem. Ele parecia ser sozinho e o pizzaiolo perguntou se ele preferiria que a pizza fosse cortada em 4 ou 6 pedaços. Ele pensou durante algum tempo antes de responder. "Corte só em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços."
Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007
Um casal sai de férias para um hotel fazenda.
O homem gosta de pescar de madrugada e a mulher gosta de ler. Uma manhã, o marido volta de horas pescando e resolve tirar uma soneca. Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ir ler no lago. Ela navega um pouco, ancora, e continua lendo seu livro. Chega um guarda do parque em seu barco, para ao lado da mulher e fala: - Bom dia, Madame. O que estás fazendo? - Lendo um livro - ela responde, e pensando: será que não é óbvio?!... - A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, ele informa. - Sinto muito, tenente, mas não estou pescando, estou lendo. - Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente, terei que multá-la e processá-la. - Se o senhor fizer isso, terei que acusá-lo de assédio sexual, diz a mulher. - Mas eu nem sequer a toquei! - diz o guarda. - É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, poderá começar a qualquer momento. - Tenha um bom dia, Madame - ele diz e vai embora. MORAL: Nunca discuta com uma mulher que lê; é certo que ela pensa!!!
Sábado, Fevereiro 17, 2007
Nada pior do que exagerar no álcool e sofrer com os desprazeres da indesejada ressaca do dia seguinte. A cabeça parece que vai explodir, o enjôo, a tontura, a fraqueza e uma sede de matar fazem você desejar nunca ter esvaziado um copo antes. Não é à toa que seu corpo está debilitado. Funciona assim: o organismo gasta glicose para metabolizar o álcool. Glicose é açúcar, açúcar é energia. Resultado: ficamos enfraquecidos.
O excesso de álcool também ataca o sistema nervoso central e provoca sono e irritação; corrompe mecanismos químicos cerebrais, ocasionando dor-de-cabeça; irrita as mucosas do aparelho digestivo, causando náuseas, vômito e diarréia; e inibe a ação do hormônio antidiurético, levando a sede e boca seca. A zonzeira não pára aí. A ingestão excessiva de álcool pode trazer diversos prejuízos à saúde como o ganho de peso e acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. "O consumo crônico pode causar lesões cerebrais, diabetes tipo 2, úlceras e inflamações no estômago e intestino, hepatite, depressão, lesão nos rins, na bexiga, próstata e pâncreas, entre outras doenças" , alerta a nutricionista Fabiana Honda, da consultoria nutricional Patrícia Bertolucci. Como evitar 1. Alimentar-se antes de beber é a regra de ouro contra a ressaca. "Quando bebemos de estômago cheio, os alimentos diminuem a difusão do álcool pelas paredes do estômago e retardam a passagem do álcool para o intestino, onde ele é rapidamente absorvido" , explica Fabiana. Dessa forma, o álcool entra gradualmente na corrente sangüínea e demora mais tempo para chegar ao cérebro. 2. Procure ingerir alimentos que irão proteger o seu fígado. É ele que fabrica a enzima que digere o álcool e, quando sobrecarregado, produz uma toxina que causa dor-de-cabeça. Dias antes, encare um suco de beterraba e alho para turbinar o orgão. Inclua na sua refeição alimentos com gordura poliinsaturada, encontrada em peixes e no azeite de oliva extravirgem. Então pegue a sua colher de azeite, despeje-a num prato, adicione sal e mergulhe pedaços de pão na mistura. 3. O ideal é beber moderadamente. A nutricionista Fabiana Honda aconselha intercalar a bebida com quitutes e copos de água. Dessa forma, o álcool não fica sozinho no estômago e, claro, você bebe menos, já que a barriga cheia reduz o espaço para as bebidinhas. "Os petiscos com carboidrato e/ou gordura retardam a absorção do álcool, por exemplo, uma torradinha com patê ou um pedaço de queijo" , recomenda. Dê preferência aos queijos, ricos em gordura, e às carnes, fontes de proteína, que facilitam a digestão do álcool. Castanha, amendoim, queijo e, para extrapolar, salaminho são bem- vindos. O sal e a gordura estimulam a secreção de substâncias estomacais que protegem o estômago do álcool. Mas evite petiscos muito salgados, que aumentam a sede a não ser que você opte por água. 4. Outra dica é colocar gelo ou água no drinque para diluí-lo ou intercalar bebidas não-alcoólicas e alcoólicas. Trocar a água por suco ou refrigerante também pode. Essas bebidas são ricas em carboidratos, que ajudam a metabolizar o álcool. 5. Embora a ressaca seja inevitável se você ingerir muito álcool, ela pode ser ainda pior: batidas, licores e uísque geram mais desconforto por causa da concentração e da mistura de substâncias. 6. Álcool e fumo formam uma dupla nefasta para o organismo. Quanto mais nicotina, menos oxigênio no sangue e mais rápido se dá o processo de intoxicação. Como aliviar 1. A principal causa da ressaca é a desidratação provocada pelo álcool, um potente diurético que estimula a perda de líquido do corpo. Vá de água antes, durante e, principalmente, depois da bebedeira. Antes de dormir, ingira bastante água. Essa tática ajuda seu organismo a metabolizar o álcool enquanto você descansa. Se acordar para fazer xixi, tome mais água. Além de hidratar seu corpo, ela ajuda a eliminar o álcool e livrar-se das toxinas. Suco de acerola, limão e laranja também ajudam, porque bombeiam antioxidantes protetores e vitamina C no seu corpo. Beba isotônicos, para repor os sais minerais perdidos e abuse da água-de-coco, rica em potássio. 2. Evite o famoso cafezinho amargo, muitas vezes recomendado para diminuir a dor-de-cabeça. A bebida também tem propriedades diuréticas, ou seja, desidrata ainda mais o seu corpo. 3. Consuma alimentos de fácil digestão para não estressar ainda mais o organismo, já detonado pelo esforço de processar o álcool. "Para amenizar os efeitos da ressaca deve-se ter uma alimentação leve, pobre em gorduras, rica em frutas, vegetais e líquidos" , ensina Fabiana Honda. Inclua no cardápio os carboidratos complexos, como pão e biscoito de água e sal. O álcool aumenta a acidez e irrita a mucosa estomacal. Os alimentos secos e salgados desaceleram a produção de ácido. Essas comidas também dão energia para o fígado na hora de processar as toxinas e o excesso de bebida. Deixe de lado molho branco, queijos amarelos e fritura. 4. Embora alguns medicamentos ajudem a minimizar os estragos produzidos pelo álcool, como aqueles que unem analgésico (contra dor-de-cabeça), antiácido (contra a queimação no estômago) e antiemético (contra enjôos), nenhum é capaz de resolver tudo de uma só vez. 5. Por onde passa, o álcool causa baderna. Dentro da cabeça ele age nos neurônios daí a desinibição e a tonteira. Cerca de cinco horas depois da bebedeira as células cerebrais começam a se recuperar, mas ficam ultra-sensíveis. É por isso que a luz e o barulho incomodam tanto. No dia seguinte, os danos ainda são sentidos e é praticamente impossível se concentrar. Repouse. Mantenha a luz apagada, cortinas fechadas e fique deitado. Nesse momento o que o corpo mais pede é descanso. 6. Algumas ervas ajudam a renovar as células hepáticas e, assim, acelerar o processo de purificação das toxinas do álcool que estão no corpo. Chás de salsaparrilha, erva-picão, macela e erva-cidreira são excelentes desintoxicantes. Depois das refeições, o chá verde e o de hortelã facilitam a digestão.
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... A Srª Patrícia Saboya Gomes (Bloco/PSB - CE) - Minha querida Heloísa, eu, que fiz tanta questão que você viesse aqui hoje, eu que tenho lhe aperreado esses dias todos, porque você não podia sair desta Casa sem esta despedida e sem esta homenagem que, eu tinha certeza, no meu coração, aconteceria, agora estou aqui, desde o começo, derretida em lágrimas, muito mais por ver como você é querida e amada. Ainda Deputada Estadual no Ceará, eu ficava atenta sempre, ouvindo-a e admirando-a. E nem imaginava a possibilidade de, um dia, ser sua colega e companheira no Senado Federal. Conviver com você talvez seja uma das coisas mais bonitas que eu tenha tido, nesses últimos anos da minha vida. Desculpe-me, queria tanto ter inspiração e palavras para dizer... Mas Deus é tão bom que sabe do meu carinho, do meu amor, do nosso companheirismo, da nossa amizade e o quanto você tem acrescentado na minha vida, o quanto tenho aprendido com a sua doçura, firmeza, honestidade e seriedade. Você, Heloísa, não sabe como é prazeroso andar com você na rua. Às vezes, discretamente, só você dirigindo o seu jipe - e eu ali do lado -, faltando gasolina (Risos). Às vezes, parando para comer uma coxinha e sem dinheiro (Risos). E como é rico tudo que eu tenho visto. O carinho das pessoas. Como me dá prazer ver as pessoas te admirando, acenando quando você passa de carro e lhe dizendo: "Daqui a quatro anos, de novo, Heloísa". Tenho também essa mesma torcida. É muito bom... Talvez seja a coisa mais sagrada e mais preciosa, quando conseguimos fazer uma amizade já na idade que eu tenho, a mesma idade sua, 44 anos, e saber que ainda é possível fazer amigos tão preciosos e, tenho certeza, para sempre. Este é o sentimento que tenho em relação a você: um sentimento de carinho e de uma amizade que vai ser para sempre. Eu queria, como não tenho palavras - você me deixou para falar praticamente por último e já estava muito preocupada porque não sei mais o que lhe dizer, mas você sabe o que estou sentindo -, ler uma música de um compositor que já se foi. Faz dez anos, este ano, que ele se foi. Mas é a letra de uma música muito bonita, chamada "Índios" (trechos):
Quem me dera, ao menos uma vez, Ter de volta todo o ouro que entreguei A quem conseguiu me convencer Que era prova de amizade Se alguém levasse embora até o que eu não tinha. Quem me dera, ao menos uma vez, Esquecer que acreditei que era por brincadeira Que se cortava sempre um pano-de-chão De linho nobre e pura seda. Quem me dera, ao menos uma vez, Explicar o que ninguém consegue entender: Que o que aconteceu ainda está por vir E o futuro não é mais como era antigamente. Quem me dera, ao menos uma vez, Provar que quem tem mais do que precisa ter Quase sempre se convence que não tem o bastante E fala demais por não ter nada a dizer. (...) Quem me dera, ao menos uma vez, Que o mais simples fosse visto como o mais importante, Mas nos deram espelhos E vimos um mundo doente. (...) Quem me dera, ao menos uma vez, Acreditar por um instante em tudo que existe E acreditar que o mundo é perfeito E que todas as pessoas são felizes. Quem me dera, ao menos uma vez, Como a mais bela tribo, dos mais belos índios, Não ser atacado por ser inocente (...) Nos deram espelhos E vimos um mundo doente Tentei chorar e não consegui. Heloísa, o Sol a cada dia brilha mais para você. Você amou sem limites e foi amada. Você é uma pessoa muito amada. E como diz o nosso sábio Senador... Como diz o nosso sábio Senador Pedro Simon, você tem de andar por este Brasil inteiro amanhã. E esta turma que está aqui na frente, a Luciana, o Ivan e tantos outros, precisa te pegar pela mão, porque, a partir de amanhã, você precisa, mais uma vez, dividir com o povo do nosso País, que acreditou, que confiou numa mulher forte, valente, que quebra muitas vezes preconceitos e tabus. A primeira mulher candidata à presidente do nosso País, uma mulher respeitada por todos nesta Casa, independentemente de Partido ao qual pertençamos, mas todos aqui têm um enorme respeito e admiração por você. Vai aqui o meu beijo no seu coração, a minha amizade eterna, o meu carinho, não só meu, mas daqueles como do Delcídio, da minha mãe Marly, que manda um beijo, da Lívia, do Cirinho, do Yuri e da "cumadi" Bia. Um beijo no seu coração e até já. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, minha irmã! Minha irmãzinha que compartilha comigo tantas dores e tantos lamentos. O Sr. Mozarildo Cavalcanti (PTB - RR) - Senadora Heloísa, sentamos lado a lado durante muito tempo, aliás, durante todo esse tempo ali na primeira bancada. Inicialmente, como Líder do PPS, depois como Líder do PTB, e sempre comungamos de idéias muito comuns. Inclusive, lembro-me da mais ferrenha, que foi a luta naquele projeto de gestão das florestas. Tive oportunidade, não só naquela ocasião, como em outras, de ver principalmente o sentimento nacionalista de V. Exª, o sentimento que não se confundia com concessões baratas. E o povo brasileiro soube entender muito bem isso. É verdade que foi aquém do que merecia ter ido. Mas, como foi dito aqui, foi o primeiro embate. V. Exª deve continuar, pois a etapa queimada não foi em vão. Com certeza, essa boa semente que V. Exª plantou vai germinar, e com muita segurança. Conte sempre com um amigo e admirador. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço o carinho de V. Exª. Quero agradecer, de coração, ao Senador Mozarildo, por tantos momentos de disputas políticas que aqui tivermos e pela generosidade de V. Exª em todos os momentos. O Sr. José Maranhão (PMDB - PB) - Senadora Heloísa Helena, lamento porque cheguei atrasado à sessão e não pude ouvir todo o seu discurso. Mas, ao mesmo tempo, diria que não precisava ouvir, porque V. Exª não está fazendo uma despedida. Pelas manifestações que ouvi aqui, V. Exª está se apresentando a esta sessão para receber as homenagens dos seus colegas de todos os credos políticos e partidários. E foi esta a maior característica de V. Exª, a de representar o pensamento democrático naquilo que é essencial à democracia: a pluralidade do pensamento político. Qualquer um de nós poderia divergir de V. Exª, das suas idéias, mas jamais divergiria do seu espírito de representar, aqui nesta Casa, como autêntica democrata, e no papel que há bem pouco desempenhou na sucessão de Presidente da República, uma parcela muito grande da população brasileira, dos cidadãos e das cidadãs brasileiras que não encontravam similitude nos partidos convencionais, nos partidos existentes, nos políticos brasileiros, para conformar as suas idéias e os seus pensamentos com os candidatos que se apresentavam à Presidência da República ou com os Senadores que tenham assento nesta Casa. Tenho certeza de que esse papel, que V. Exª desempenhou aqui com tanta autenticidade, com tanto desprendimento e espírito público, dificilmente será exercido por qualquer um de nós, porque, nesse aspecto, o espírito e a postura de V. Exª têm sido singulares. V. Exª nunca se preocupou com o poder, mas sempre se preocupou com a defesa daqueles que, pelas vias convencionais, não têm conseguido expressar o seu pensamento por intermédio dos Deputados e Senadores que têm assento nas Casas do Congresso Nacional. Por isso, lamento muito que V. Exª não continue aqui. A democracia é essencialmente plural e, aqui nesta Casa, para que ela seja plural, vai ficar faltando a presença ímpar, corajosa, carregada de espírito público, desprendimento e de coragem cívica de V. Exª. Por isso, quero render as minhas homenagens à eterna Senadora Heloísa Helena. Esta Casa, composta de 81 representantes, vai continuar, até que V. Exª retorne ao Senado da República, com um lugar vago. Tenha certeza disso, Senadora Heloísa Helena. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, a delicadeza de sempre, a generosidade de V. Exª, Senador Maranhão. Algumas pessoas que têm acompanhado de perto tantas dores na minha vida pessoal - a Luciana, no P-SOL, a Patrícia - sabem, mais do que outras pessoas, que algumas vezes achei que não iria agüentar, sinceramente. Eram noites acordadas chorando as perdas, as mutilações, as humilhações, as cicatrizes. Eu secava as lágrimas que, sem dúvida, feito lâminas muito cortantes e amoladas, fizeram cicatrizes na minha alma e no meu coração; no outro dia, eu secava as lágrimas e vinha cumprir minhas obrigações de forma disciplinada, firme, estudiosa, com zelo e com dedicação, cometendo muitos erros, alguns acertos. Mas, se algo me faz a consciência tranqüila é que - cem por cento, cem por cento de erros ou de acertos - nada foi movido por ambição, por dinheiro, por vaidade, por cargos, prestígio, poder. Nada! Cem por cento das minhas ações, Simon, cem por cento sempre tiveram, ou errando ou acertando, motivações nobres. Nobres! Nunca nenhuma outra! Eu, às vezes, não conseguia acreditar que iria ter força, mesmo tendo força em Deus, sendo fortalecida pela humanidade, pelo lado bom da humanidade, pelo carinho das pessoas. Eu não sei como agüentei enfrentar e vou continuar enfrentando, com toda a firmeza que Deus, que a minha história de vida me dão. Eram adversários muito, muito, imensamente superiores em poder, em pressão política, adversários que trabalham como mercenários, bárbaros, que vão à guerra cotidiana não por um ideal, não por uma causa, mas para aniquilar, para liquidar, para tomar para si os despojos que uma maldita guerra deixa. Com essas pessoas eu aprendi a não ser o que elas são; aprendi a não ser o que elas são. Enfrentei o ódio implacável, a tirania, a trapaça de gente pusilânime, inescrupulosa; comerciantes, só são talentosos para fazer o comércio das amizades, dos sentimentos, dos valores morais, das estruturas partidárias, das convicções ideológicas. Essa gente suja e sórdida age com a meticulosidade dos ratos para tentar impedir que uma mulher seja livre, dona da sua alma, do seu coração, das suas convicções. Enfrentar o que eu enfrentei, Patrícia sabe, Luciana... Deus do céu! Os telefonemas malditos, as ameaças de morte; gente de almazinha pequena, homenzinhos de almazinha pequena. O que enfrentei, o que meus filhos enfrentaram... Bocas - o Arthur sabe disso -, bocas pusilânimes, vadias, vagabundas, de só quem tem o talento para o baixo calão... O que fizeram com a minha mãe, comigo, realmente, só tendo muito força em Deus, só tendo Ele como refúgio e fortaleza, para agüentar, Senador Sérgio, o que eu agüentei, enfrentando essa gente horrorosa. Então só tenho a agradecer, agradecer a todos como já fiz aqui antes, aos funcionários, a todas as pessoas, das mais simples às mais competentes, todas as pessoas. Agradeço muito ao meu Partido, o P-SOL, saúdo nossa militância, a frente de Esquerda que tive a honra de representar no processo eleitoral. Agradeço muito os mais de seis milhões de votos, em todos os Estados brasileiros, as flores, o carinho, as preces, tudo o que tive de amor em plenitude dessas pessoas que, essas sim, merecem ser amadas; essas pessoas que são capazes de amar em plenitude, de forma desinteressada, merecem ser amadas, merecem o maior do que podemos dar. Sei que talvez eu não tenha ajudado muito a mudar o Brasil, mas tenho a consciência tranqüila de que não contribui para ele ficar pior, para ele ficar mais apodrecido. Disso tenho convicção. E já disse ao Senador Jefferson Péres que ele não pode deixar a vida pública. Essa história de ele dizer que vai deixar a vida pública... Ele não pode deixar. Não vamos. Senador Pedro Simon e todos os Senadores e Senadoras que me deram a honra do aparte, tenham a certeza de que quero agradecer, de coração mesmo, todos os apartes, a generosidade das palavras, a forma delicada e preciosa como sempre fui tratada. Sabem todos da nossa esperança guerreira mesmo nas derrotas nos campos de batalha. Arthur, ela olha para a espada utilizada e diz: eu estou usando a espada com mais habilidade. Então eu só tenho a agradecer, de fato é isto, agradecer de coração. Claro que eu vou ficar até o último dia do meu mandato, cumprindo minha obrigação de forma disciplinada, certinha, acompanhando os projetos todos, mas vou voltar a dar aulas na Universidade. Quero agradecer aos convites maravilhosos que recebi de universidades européias e brasileiras, mas estou decidida. Vou voltar para a Universidade Federal de Alagoas; vou ficar com vinte horas para que eu possa ter as outras horas semanais, Simon, para estar lutando pelo Brasil, lutando pelo povo brasileiro, lutando para fazer deste Brasil maravilhoso uma Pátria como eu sonho, que compreendo que pode ser soberana, justa, igualitária, fraterna, socialista. Isso que eu acho que é uma declaração de amor à humanidade. É isto o que me move: o amor pela humanidade, senão eu não agüentaria. Eu não agüentaria passar o que passei, sofrer o que eu sofri, agüentar o que agüentei. Foi realmente muito difícil. Encerro agradecendo a V. Exª, Senador Efraim Morais... Agradeço a V. Exª a generosidade do tempo. (Palmas)
Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - Não nego que eu já estava me preparando para esta reunião, sentindo o baque das mágoas da reunião. Mas a reunião está sendo exagerada. Não pode continuar nesse tom. Não pode continuar nesse tom! A sua mensagem, a sua vida, a sua história é de garra e de luta. De repente, parece que você está entregando os pontos. De repente, parece que você está entregando os pontos! Não! Parou a luta? Olha, em primeiro lugar, sou contra você ir para Alagoas. Com todo o carinho e com todo o respeito a Alagoas, eu acho que não tem lógica: vai deixar de falar na Globo e vai falar na Gazeta de Alagoas, pedindo licença ao Collor para uma matéria sair ou não. Quer dizer, o Brasil vai ter de acompanhar a notícia da Heloísa pela grandeza ou não de o Collor deixá-la sair ou não. É piada, não é? Acho que você tinha que ficar aqui em Brasília. Por que o P-Sol não cria a fundação? A primeira coisa que vocês têm de fazer é exatamente ter uma fundação, e você fica como presidente da fundação aqui em Brasília. A fundação não precisa receber obrigatoriamente só do Partido; pode receber de pessoas abertas - eu já sou um contribuinte. Estarei em todas as palestras suas, em algumas outras de Deputadas Federais do P-SOL do Rio Grande do Sul. Olha, Heloísa, o Teotônio foi um homem fantástico. Para mim, de 64 para cá, foi o número um. Foi o número um, e Teotônio não mudou. Olhando para você, estou-me lembrando dele. Já contei esta história. Ele estava lá no Rio Grande do Sul, naquela época em que a imprensa não podia falar. A Assembléia Legislativa estava fechada, não tinha uma palavra que saísse na imprensa. Ele, com os seus quatro cânceres, entrava, numa cadeira de rodas. E, da cadeira de rodas, para levá-lo à tribuna da Assembléia, nós o carregávamos. Ele se sentava com as duas muletas e, daqui a pouco, começava falar. E ele dizia: "Eu tenho quatro cânceres. O meu médico disse: 'Você é uma pessoa muito rica. Hoje, o câncer não tem cura, mas você vai poder ver que, no estágio final do seu câncer, você não vai sentir nenhuma dor. Vá para Paris, pega a tua mulher...'" Daqui a pouco ele diz: "Se não quer, deixa a mulher e vá para Paris, vá se distrair, vá passear. Quer escrever, escreva as cartas que você está acostumado a mandar para todo mundo, com 10, 12, 15 laudas. Escreva, mas não leve essa vida que está levando". Ele contou isso para uma mocinha bonita como você, que deve ser da sua idade, aparentando uns 24 ou 25 anos. Ele ficou emocionado e disse: "Minha filha, você está repetindo o que o meu médico disse. Meu médico disse isso que você está dizendo: vá descansar, sai". Ele pegou as duas bengalas e bateu na mesa com força e disse: "Minha filha, aqui tem dois mil estudantes. Vocês têm olhos para ver, pernas para caminhar, ouvidos para sentir o sentimento do nosso povo, a voz para falar, gritar, protestar. Que, pelo menos, eu sirva de exemplo, para vocês dizerem que Teotônio, com quatro cânceres, andando de cadeiras de rodas ou, então, com duas bengalas... Dizia: "No entanto, eu falo para mostrar para vocês que são vocês que devem falar, o povo tem que falar, a sociedade tem que falar". A rigor, você está numa situação infinitamente superior a de Teotônio, porque ele morreu e você está com vida, no esplendor da sua vida. Você tem que percorrer o Brasil e já está convidada, primeiramente, para ir ao Rio Grande do Sul. O povo do Rio Grande do Sul, não apenas o PMDB do Rio Grande do Sul, te convida para fazer a palestra lá em Porto Alegre. Nós fazemos o convite para que você vá e inicie lá pelo sul essa caminhada, porque ela é importante. Você não calcula o que significa você, saindo dessa situação, da campanha que você fez, percorrer o Brasil, debater e discutir e analisar e acordar! Desculpe-me, mas você não pode ir para Alagoas. Nem o Collor ficou lá, veio embora. Olha, Heloísa, é interessante salientar que há alguns anos nossa luta era contra a ditadura. Era até fácil aparecer. Bastava dizer um palavrão para um general, fazer um discurso protestando, havia mil maneiras, até apanhando, sendo preso. Hoje, não. Hoje, para se destacar, você tem que apresentar alguma coisa de concreto. Bem ou mal, o Brasil tem liberdade; bem ou mal, nós temos a nossa tribuna; bem ou mal, o povo está nos acompanhando. Quer dizer que, para você desempenhar o papel que está desempenhando, para você ganhar essa credibilidade que ganhou, para você ganhar esse prestígio que você tem, é porque você é muito mais do que isto. Fico emocionado quando ouço as pessoas falarem de ti. Há pessoas que dizem que choram quando a ouvem. Hoje, no Rio Grande do Sul, o que deve ter de gente chorando contigo ao vê-la na televisão é impressionante, porque você diz as coisas que existem, porque você fala com a alma. Dentro de uma imensidão de problemas e dificuldades, tu sabe nivelar, tu sabe pinçar as coisas nos seus devidos termos. Você dá prioridade ao que é prioritário. Você podia ser, hoje, Ministra do Governo, não tenha nenhuma dúvida, se não tivesse radicalizado como radicalizou. Eu sei. As pessoas me contaram que havia um movimento de aproximação. Quando fui falar com alguém do Governo com quem eu tinha intimidade à época, eu disse: "Vocês não podem fazer isso. Ela tem que ficar. Vocês não calculam o que ela representa de patrimônio para vocês!" Ele me olhou e falou: "Então, vai tu convencê-la a ficar, porque ninguém mais convence". Isso que você representa é um patrimônio do povo brasileiro. Quando digo, minha querida, que hoje o Brasil não tem referência, que é difícil saber para onde ir, o que queremos fazer, é porque não há para quem olhar. Você olha para o Exército e vê uma "milicada" nova, que está começando agora e não deu para aparecer. Você olha para a Igreja e o último que está começando a aparecer agora vai lá para Roma e ainda pega o pior lugar que poderia pegar, para ver o negócio dos padres que são isso, que são aquilo. No contexto geral, sobra pouca gente. Então, você chegou aonde chegou - desculpe-me pela sinceridade - porque é brilhante e, mais do que pelo seu brilhantismo, pela ansiedade do povo brasileiro de encontrar alguém em quem confiar. Então, nestes oito anos, o povo aprendeu: quando você fala, eles ficam em silêncio. Quando você fala, eles dizem que você tem razão. Quando o PT te expulsou, o que foi o ato mais ridículo que ele cometeu, você é que saiu com a razão. Você é um patrimônio. Você é mais do que candidata do P-SOL. Você é mais do que uma Senadora. Você é uma mulher que não vai parar. Você vai organizar movimento, movimento pelas mulheres, promover debates para os quais vão te convidar. E, quando a convidarem, mandem a passagem, porque ela não tem dinheiro e não quer dinheiro de empresário. Mandem a passagem e garantam a estadia. Você tem que andar pelo Brasil. É isso que você tem que fazer. Você vai andar pelo Brasil e será uma sementinha pequena. Você não terá essa tribuna do Senado, você não terá um partidão atrás de ti, mas terá o povo ao teu lado, porque vai fazer algo de espetacular, vai fazer algo de magnífico. Numa hora dessas, com a televisão de um lado, com o Governo com essa máquina de dinheiro de outro,com esses partidos que se entregam por qualquer coisa, sem diálogo, sem bandeira, sem coisa alguma, lá vem ela, do fim do mundo, lá do interior, uma guriazinha, bonitinha é verdade, mas toda ingenuazinha, e, de repente, começa a levantar sua voz e faz surgir uma idéia. Olha, as grandes idéias nascem... Cristo morreu na cruz, coitadinho. Todos perguntavam - até tinham razão os fariseus quando perguntavam - se aquele não era o filho do carpinteiro. De onde teria vindo toda aquela cultura? A mesma coisa podem perguntar para ti. A Heloísa Helena não era uma professorazinha de Alagoas? Não estava vivendo na política de Alagoas? E Alagoas é terra para ter política e para dar aula para o Brasil nos dias de hoje? Você é isso. Naquilo que creio, no infinito, você recebeu esse dom para isso. Você não é o que é porque é a tal, porque é formidável. É, mas quem acredita no espírito acha que você recebeu uma missão e a está cumprindo. Quando você não aceitou ficar no PT, o Partido que é dono, que ia se reeleger, pegar ministério, como está lá a Marina e tanta gente, que está por cima, e ficou aqui, vocês tomaram uma posição. E olha que não é fácil! Olha, o PT, a Esquerda levou anos para chegar lá. Quando chegou, era só fechar os olhos. "Olha, esse negócio desses funcionários aí é só um ano. Então vamos fazer o seguinte, vamos fazer e daqui a pouco vamos devolver. É só resolver o problema da Previdência. É só inventar uma fórmula". Teriam inventado essa fórmula com a maior facilidade, mas você foi radical: não, não e não. Nós até encontramos uma fórmula, em que eu votei. Não era a ideal, mas foi uma fórmula. Quando foram falar contigo, fiquei até com medo. Quando foram lá falar com ela, eu disse que não iria. "Vai, ela gosta tanto de ti". Eu disse: "Eu não vou. Ela vai dizer que não. Daqui a pouco ela vai dizer alguma coisa e eu vou ter que votar contra também". Você é a figura mais fantástica que este Parlamento teve que eu conheço. Não me lembro de uma mulher que tenha tido a força que tu tiveste. Uma mulher singela como tu teve essa garra. Você poderia ter virado. Poderia ter sido vaidosa, petulante, convencida, exibida, mas não. "Não quero dinheiro de empresário. Dinheiro de banqueiro eu também não tenho, mas não quero". É uma coisa fantástica. Olhando, analisando o que foi, é uma coisa fantástica. E foi indo. O Governo e o sistema que estamos vivendo teve a grandiosidade de dar menos tempo para o Enéas e você foi. Você não calcula a emoção das pessoas naquele minuto em que você falava, ouvindo a sua voz. Você não calcula a emoção das pessoas ouvindo a sua voz. Você não calcula o número impressionante de brasileiros que rezavam por ti e que torciam por ti. A verdade é que eleição no Brasil é um troço anormal. A maneira com que é feita é uma coisa estúpida. Agora, nós apenas modernizamos. Antigamente, na sua Alagoas, lá nos sertões do Nordeste, os coronéis distribuíam dinheiro para cá e para lá. Agora, o Governo oficializou. O PT chegou lá e fez uma coisa espetacular, está oficializado o negócio do dinheiro. É bolsa de estudo, vai lá, pega o dinheiro e vota. E vota com a consciência tranqüila, pois está votando. Você tem uma missão muito importante. Eu te falo sem nenhuma representatividade. Não represento nada, mas represento o cidadão comum que vale mais pela idade do que pelo que conhece, assim como o Diabo vale mais porque é velho do que por ser Diabo. Ser político e velho faz com que o cara aprenda. Pode até aprender burrice, mas aprende. Eu aprendi. Não há hoje no Brasil uma pessoa mais viva para ser aquela luz acesa, para começar uma caminhada a partir de 1º de janeiro. Vou dizer uma coisa: você não tem o direito de rezar para que o Governo Lula vá mal, nem eu, porque nosso espírito não permite. Rezar para que ele acerte, torcer para que ele acerte, é positivo. E se você, nesses primeiros seis meses, andasse pelo Brasil, numa linguagem - quando você quer, você sabe ser meiga, ser carinhosa - para o Governo, dizendo: "Vamos mudar, não vamos cobrar para trás, mas vamos fazer um governo decente, vamos fazer um governo com dignidade, um governo com correção, um governo com respeitabilidade, um governo com credibilidade..." Eu falei com o Lula. Estive, por duas horas, conversando com ele. Eu não sei, todo mundo diz que eu sou um otimista inveterado, mas eu senti que ele gostaria de fazer um bom governo. Até pode ser por vaidade, mas eu senti. Ele disse coisas que... Como é Senador?
O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Porque eu tenho a convicção de que o... O SR. PRESIDENTE, EFRAIM MORAIS (PFL - PB) - Senador Eduardo Suplicy, não é permitido apartes ao aparte. O Sr. Pedro Simon (PMDB - RS) - Eu entendi quando ele disse: "Eu não sou mais candidato, eu vou fazer um governo". Eu estou comprometido muito mais com a minha vida, com a minha história, com o que eu vou deixar do que com o que vai acontecer. Gostaria que se esquecesse um pouco de mim, na parte da briga, do rancor recíproco, e pensasse um pouco no Brasil. Ele disse: "Eu gostaria de chamar o Tasso Jereissati, conversar com ele. Gostaria de encontrar com o Fernando Henrique e conversar com ele, no sentido de encontrar um esquema". No que vai dar, eu não sei. Eu só acho que não tenho o direito de atirar pedra. Todo mundo está perguntando: "Mas tu não estás falando, Simon? Tu não estás falando?" Eu sou como o passarinho na muda. Modéstia à parte, na época da ditadura mais violenta, em que havia perigo de cassação, eu não parei um dia de falar. Falei e protestei todos os dias. O meu problema agora é que eu não sinto vontade de bater para pular lá para o fundo. E não tenho coragem de defender, porque não dá para defender, se não derem motivo para defender. Então, estou na expectativa. Se der certo, vamos levar adiante. Se não der certo, vamos bater. Você pode ajudar nesse sentido. De repente, se você levantar um elo, mas não é o elo do "vamos dar cobertura para o Governo", não é o elo do "vamos aplaudir o Lula", não o elo de "vamos esquecer o que o Lula fez". Não. É o elo do "vamos olhar para o Brasil". Vamos conclamar o Líder do PSDB no Senado, que é um cara excepcional. Vamos dar um crédito de confiança e vamos falar de coisas positivas que podemos fazer. Vamos fazer. Vamos nos reunir para fazer uma pauta digna do Senado Federal, uma pauta honrada, decente, séria e responsável. Isso nós podemos fazer. E você pode ser o farol dessa hora, você pode iniciar um período novo, fantástico e espetacular, maior do que todos nós, porque o Brasil vai atrás de ti. E se você se transformar no que você já é, apenas consolidar o que você é, ser o farol, ser um orientador, um estimulador pelo Brasil afora, você vai entrar na história muito mais do que se estivesse eleita aqui para o Congresso. De resto, eu não consigo me acostumar, eu não consigo imaginar chegar aqui e você não estar. Estão todos, está o Antonio Carlos, eu e outros. E você não está. Se você perguntar para o Senador Antonio Carlos, ele vai dizer a mesma coisa. Você se acostuma a chegar aqui sem vê-la? Você é um patrimônio. Você é um patrimônio, porque você tem essa grandeza de falar, de criticar, mas todo mundo te admira pelo que você é. O convite está feito. Eu e a minha mulher convidamos você e seus filhos a irem ao Rio Grande do Sul. E vamos dar um banho naquele Rio Grande do Sul, nessa tua caminhada, percorrendo Porto Alegre, Caxias, Pelotas. Vou lá em Santa Maria, que é a terra do Tarso, para mostrar como deve ser feita a coisa. Meu carinho, meu abraço, meu amor, minha amizade, meu afeto e a minha convicção de que você é uma mulher fantástica, e vai continuar sendo uma mulher fantástica. Você cumpriu uma etapa. Nas nossas vidas temos várias. Hoje, você está cumprindo uma etapa, mas eu acredito - cobre de mim - que você está iniciando uma etapa muito mais importante, e não é em Alagoas. Um beijo. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, meu querido Senador Pedro Simon. Sabe V. Exª que vou ficar dois dias em Alagoas, dando aula, e vou continuar andando pelo Brasil. Luciana Genro já colocou aqui um bilhete protestando, porque S. Exª disse que eu não falei que ia andar pelo Brasil. Acredito que, neste mandato, honrei meus filhos, minha mãe, meu irmão, minha família, meus amigos, independente das ideologias que professam, meus queridos companheiros de tantas caminhadas. Estão aqui o Ivan, o Orlando Fantazzini, o Chico Alencar, o João - tenho a honra de ter um quarto em sua casa - e minha companheira Luciana Genro. Sei que ganhei a memória de muitos também, muitos socialistas que não se entregaram, não se renderam, não venderam suas convicções, a memória de muitas pessoas queridas que se foram, do Dante ao Lauro, de tantas outras, e a memória de meu pai. Senador Pedro Simon, uma das coisas mais honradas para mim foi quando, um dia, V. Exª disse, na tribuna, que queria muito ter tido a honra de ter sido o meu pai. Para quem não teve pai, Senador Gilberto Mestrinho, pois o meu morreu quando eu tinha dois meses, imagine o significado disso. Agradeço de coração a V. Exª. continua... "Piauí" e os baianos ACM leu na tribuna um anúncio da "Piauí", revista-cabeça de João Moreira Salles, que "agradece" a Waldir Pires, ministro da Defesa e adversário do senador na Bahia, pelo apagão aéreo. O anúncio diz que por causa da longa espera a venda da revista nos aeroportos aumentou. Ancelmo Góis O GLOBO (RJ) - 14/2/2007
Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... O Sr. Augusto Botelho (PDT - RR) - Senadora Heloísa Helena, ainda bem que V. Exª deu sua Bíblia ao Senador Romeu Tuma - e espero que ele não a leve -, pois sempre dou umas olhadinhas nela ali, na sua gaveta. Queria só dizer aqui que o que acontece no Paraná, V. Exª sabe, também se passa com o pessoal de Roraima: gostavam de vir aqui, pegar na sua mão, abraçá-la e tirar fotografias. V. Exª vai fazer muita falta aqui: em alguns momentos V. Exª parecia um anjo nesta Casa, mas, em outros momentos, V. Exª parecia uma onça baleada. Em Roraima, o bicho mais feroz que há é uma onça baleada. Mas V. Exª sempre defendia suas convicções políticas, sua formação moral e lutando pelos mais pobres. V. Exª sempre lutou pelos mais pobres, pelos mais necessitados. Peço que o povo de Alagoas a reconduza para onde V. Exª quiser nas próximas eleições. Tenho certeza de que tudo o que se disse aqui, se multiplicarmos por um milhão, ainda não será suficiente para expressar o sentimento desta Casa em relação a sua partida. Espero que Deus continue a abençoando, porque V. Exª é uma mulher abençoada, e que volte para cá para lutar pelos direitos das minorias. Muito obrigado.
A SRª HELOISA HELENA (P-SOL - AL) - Muito obrigada, Augustinho; obrigada, Doutor, pessoa com quem a gente vive discutindo sobre a saúde aqui. O Sr. Valter Pereira (PMDB - MS) - Senadora Heloisa Helena, lembro-me de um determinado dia, em plena campanha eleitoral, quando recebi uma ligação do nosso saudoso amigo comum Senador Ramez Tebet, que estava em sua residência, passando pelo seu calvário. E ele me disse: "Valter Pereira, eu vou receber a visita da Senadora Heloísa Helena daqui a pouco e não quero recebê-la sem que você esteja presente". Imediatamente aprontei-me e fui à residência do nosso grande comandante do Mato Grosso do Sul. Dali a pouco, eis que chega a estrela, eis que chega a famosa Senadora Heloísa Helena. E chegava com um batalhão de seguidores, de humildes seguidores. E, enquanto eu a via adentrar a residência do Senador Ramez Tebet com aqueles seus companheiros que faziam a sua campanha, eu voltava o meu pensamento para o final dos anos 60 e início dos anos 70, em plena ditadura. Eu era um jovem ainda, militante do antigo MDB. E ali eu via V. Exª reeditando aquele épico momento da resistência contra a ditadura. É bem verdade que não estávamos na ditadura, mas V. Exª estava numa dura resistência, mostrando que a mulher tem fibra, não tem medo de cara feia, do embate, da discussão, do enfrentamento. E o que mais me chamava atenção ali? Cheguei a comentar com o Ramez na época. "Ô Ramez, a Heloísa, por acaso, está em primeiro lugar nas pesquisas?" Ele: "Por que, Valter?" "Porque a Heloísa Helena sorri como se estivesse na liderança absoluta. A fisionomia dela é a de um soldado vitorioso, a fisionomia dela é a de alguém que está triunfando". E, na verdade, estava, porque o triunfo não advém só do voto no embate eleitoral, o triunfo vem das idéias que são transmitidas, dos sonhos que são passados, das esperanças que são despertadas, e V. Exª estava sintonizada com a juventude, estava sintonizada com a mulher. Na minha casa, tive que liberar geral, porque, de repente, as mulheres da minha família estavam todas apaixonadas pela candidata Heloísa Helena. Então, quero dizer o seguinte: parece que aqui, de repente, algumas intervenções dão idéia de despedida, mas o que entendo aqui e a leitura que faço é que V. Exª está aqui hoje, diante do Presidente desta Casa, pedindo umas merecidas férias; férias que não sabemos se vão ser de quatro anos, mas tenho absoluta certeza de que são férias que V. Exª vai gozar. Mas não se pode dar esse tom de despedida, porque ela não está acontecendo neste instante. V. Exª comandou uma bela luta, Senadora, e a sua luta está no meio. Ela teve um começo, está no meio e vai ser concluída no momento em que terminarem as suas férias. Que Deus abençoe as suas férias! Que Deus abençoe as tarefas a que se propuser nesse período de férias, de estudo, de descanso, de convívio com a família! Quero dizer que esta homenagem que presto a V. Exª agora não é minha. Hoje, neste instante, estou traduzindo o sentimento de todas as mulheres e também dos homens valentes do meu Estado. E quero dizer que, se aqui estivesse presente neste momento, o Senador Ramez Tebet estaria derramando lágrimas, assim como V. Exª o está fazendo. Eu sei do afeto e da profunda admiração que ele tinha por V. Exª. Muitas felicidades, Senadora Heloísa Helena. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço de coração, Senador Valter Pereira. Mando um abraço às mulheres poderosas da sua família, também à família Farid, à família do nosso querido Senador Ramez Tebet. O SR. PRESIDENTE, Renan Calheiros (PMDB - AL) - Terei de me retirar, mas devo, em nome do Senado Federal, expressar um sentimento, que é unânime - é mais do que consensual, é unânime -, do carinho e do respeito que esta Casa tem por V. Exª. Como Presidente do Senado, devo dizer isso antes de me retirar. Estou interrompendo circunstancialmente o pronunciamento de V. Exª. Voltarei rapidamente, porque há um acordo para votarmos a Ordem do Dia. Como Senador de Alagoas, devo dar ao meu Estado e ao Brasil o testemunho do que V. Exª sempre caracterizou neste Senado. Este Senado não seria o mesmo sem V. Exª. Com a sua bravura, com a sua combatividade, com a sua humildade, V. Exª defendeu sempre os interesses do nosso Estado e batalhou como ninguém pelos interesses do nosso País. Independentemente de posições que muitas vezes conflitavam do ponto de vista político, mas meramente político, não posso perder a oportunidade de dizer do carinho e do respeito que todos nós temos por V. Exª. Esse é um sentimento comum no Senado Federal. O SR. ARTHUR VIRGÍLIO (PSDB - AM. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Apenas para dizer que V. Exª toma uma atitude sábia. Registro que, com a homenagem que V. Exª faz à Senadora Heloísa Helena, nós apenas aqui constatamos que é possível alguém ser radical, como ela é, sem ser sectário - e ela não é sectária. Alguém pode ser ardoroso - e ela é ardorosa - e, ao mesmo tempo, ganhar a estima de todo o Congresso. Lá fora, para quem imaginasse que a Senadora vivia num gueto aqui dentro, é bom que saiba o Brasil que ela é consagrada pelos seus Pares de todos os quadrantes ideológicos. O SR. PRESIDENTE, Renan Calheiros (PMDB - AL) - Para além da posição política da Senadora e dos outros Senadores, é importante destacar a convivência que ela sempre cultivou com todos nós, a maneira como todos nós fomos tratados durante esse tempo todo, com amabilidade e muito respeito. E esse é o sentimento que a Casa expressa neste momento. O Sr. Romero Jucá (PMDB - RR) - Querida Senadora Heloísa Helena, eu quero falar hoje do fundo do meu coração. Ninguém vai sentir mais falta de V. Exª neste plenário que eu, porque foram oito anos de muitas contendas e de muitos embates, às vezes, com posições convergentes e, muitas vezes, com posições divergentes, mas sempre com muito carinho, com muita lealdade e com muita transparência. Tivemos aqui embates, mas esses embates jamais nos afastaram - pelo menos da minha parte e sei que da sua parte também - nenhum milímetro do carinho, da convivência e da admiração que tenho por você. Você foi uma contendora duríssima, mas, como dizia Che Guevara, nunca perdeu a ternura. Eu acho que isso conquistou esta Casa. V. Exª é uma guerrilheira do bem. V. Exª é algo na política que é importante para o País. Eu sei que esta não é uma despedida da política; talvez seja uma despedida da convivência administrativa política local, mas V. Exª vai continuar trilhando um caminho importante. A sua ação na política brasileira é essencial. Queria dizer isso do fundo do coração, pela admiração, pelo carinho e pelo respeito que lhe tenho, desejar felicidade e dizer que vamos estar torcendo, procurando registrar os ensinamentos e guardar no coração o carinho, a amizade e a fraternidade que tivemos aqui esse tempo todo. Seja feliz, continue no seu trabalho, levante as bandeiras que tem levantado, empunhe-as com coragem, como tem feito, porque tenho certeza de que esse papel é muito importante para a sociedade brasileira. Muitas felicidades. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço a V. Exª, Senador Romero, Romerito. Não tenho dúvida de que o que disse V. Exª é a expressão do que realmente V. Exª sente no coração. O Sr. Delcídio Amaral (Bloco/PT - MS) - Senadora, minha querida Heloísa Helena... Esse é o problema; por isso, vou ser muito telegráfico. Se eu falar demais, fica complicado. Hoje estou vendo aqui, Heloísa, todos os Senadores e Senadoras falarem. Sou um Senador de primeira viagem e não sei se, no Senado, também vivenciamos, em outras épocas, uma tarde como esta. Penso que foram poucas, se existiram, sessões como a que hoje estamos aqui presenciando e vivenciando, em que estamos fazendo um esforço grande para demonstrar o carinho, a admiração e o respeito que temos por você. Você, Heloísa - se me permite quebrar o protocolo e falar do fundo do coração -, dignifica o Congresso, o seu Estado e o nosso País. Você tem uma folha de serviços prestados para a democracia, para a dignidade, para a honestidade, para a decência, representado efetivamente o que a população mais espera de um parlamentar: firmeza, determinação, coerência, em todas as coisas que você fez ao longo de todos esses anos. Quero dizer a você que a impressão que passa é como se fosse uma despedida, mas esta sessão de despedida não tem nada. Você é jovem, você tem muitas coisas a fazer pelo seu Estado e pelo Brasil. E tenho absoluta convicção disso, por tudo aquilo que você conquistou, não só como Senadora, como candidata heróica à Presidência da República, fundando um partido jovem, novo, que tantas perspectivas e esperanças traz para os corações e mentes de todos nós, brasileiros e brasileiras, e, acima de tudo, por seu papel como mulher, num país machista, onde talvez poucas mulheres conseguiram tão bem defender a sua causa como você. E é por isso que vejo, nos próximos anos, um grande futuro. Sabe por quê? Porque você merece, e Deus faz justiça com quem se coloca na vida à disposição do seu próximo. É isso o que você fez, com determinação, com coragem, muitas vezes sendo mal entendida, outras vezes não, mas você deixou uma marca extraordinária, de um dos políticos que pode andar pelo País, e será sempre uma política, uma Senadora, uma mulher bem recebida, benquista e respeitada por todos nós. Eu não vou falar muito mais, Heloísa, porque depois vou começar a me atrapalhar e nem sei mais... Hoje, particularmente, estou muito... É difícil falar essas coisas para você. Quero dizer que a minha família, Maika, as minhas filhas, a minha mãe, Rosely Pantaneira, mandam-lhe um grande beijo, beijo de admiração, beijo de reconhecimento e beijo de respeito à sua história. Não tenho dúvida alguma: você vai ter um grande futuro, Heloísa - você e os parlamentares do seu Partido -, ajudando a construir um Brasil melhor. Conte comigo, conte com todos nós, e que você continue sempre vencendo na vida, porque esta é a sua maior referência: a sua história, os seus compromissos com a sociedade e os seus valores. Um grande beijo a você e que Deus a ilumine e abençoe sempre. Sucesso! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Delcídio. Quero abraçar você, a Dona Rosely, a comadre Maika, as meninas. Agradecer, de coração, a delicadeza do seu pronunciamento.
Domingo, Fevereiro 11, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... O Sr. Sérgio Guerra (PSDB - PE) - Senadora Heloísa, não tenho grande facilidade de expor meus sentimentos, muito menos os sentimentos de tanta gente, mas é real a solidariedade, o apoio e o consenso em relação à Senadora Heloísa Helena. Eu, por formação, não gosto de palavras jogadas ao vento; gosto de palavras que tenham conteúdo, consistência. É uma verdade completa o respeito, a admiração, a solidariedade e a amizade de todos, sem exceção, pela Senadora Heloísa Helena, como é verdade que a Senadora vai fazer muita falta ao Senado e ao Brasil. Acompanhei, participei da última campanha eleitoral, e a Senadora Heloisa fez uma bela campanha. Uma vez, participei de uma discussão com o coordenador da campanha do PT, do candidato Lula, que falava da esquerda. Eu lhe disse que no segundo turno a esquerda não disputava eleição porque a Senadora Heloísa não era candidata. Se existe de fato no Brasil alguém que tem coerência, que tem um pensamento e que transforma em realidade o que diz é a Senadora Heloisa. Ela é uma pessoa coerente, coisa difícil na vida pública brasileira. S. Exª honra a palavra, limpa, como muitas mulheres do Nordeste, daquele Nordeste seco, que conhece a dureza da vida e sabe que é necessária a confirmação da palavra. Tenho sincera e honesta indignação contra os assuntos que são capazes de indignar V. Exª. Por isso, a sua radicalidade. Eu a compreendo intensamente a sua radicalidade. Ninguém pode viver neste Brasil com o quadro que predomina nele sem ser também radical, se tem honestidade, princípios objetivos e se quer fazer o País melhor. V. Exª é radical por isso. A forma como V. Exª quer resolver os problemas do Brasil pode não ser a que escolhi ou a que alguém escolheu, mas é uma forma na qual a Senadora Heloísa acredita, na qual ela faz a sua aposta e na qual ela empenha a sua vida. Quero lhe dar o meu abraço honesto, correto e com a convicção perfeita de que tudo que estou dizendo aqui é muito menos do que eu deveria dizer para honrar o seu papel na vida pública brasileira.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Senador Sérgio Guerra, muito obrigada. Obrigada de coração pela delicadeza das palavras. O Sr. Mão Santa (PMDB - PI) - Heloísa Helena, uma vez, com muita emoção dessa tribuna, eu dizia: homem se escreve com um H, mulher com dois Hs. Mulher é: Heloísa Helena. Primeiro quero dizer o seguinte: despedida... Lembro-me de que, quando terminei a minha pós-graduação em cirurgia, fugi de despedir-me de um médico, Dr. Fischmann, que me ensinara a operar. Emocionado, eu, num grande hospital, o Hospital do Servidor do Estado, evitei encontrá-lo para despedir-me. Mas hoje, tantos anos depois - vou fazer quarenta anos como médico -, enfrento essa despedida e sinto aquela emoção. Aprendi a ser cirurgião e a ser valente, buscar a verdade e ter a coragem de lutar como V. Exª. Aqui quero dizer que V. Exª simboliza e revive a grandeza das mulheres da Bíblia - a mulher de Pilatos, Verônica, as três Marias, aquelas que anunciaram o ressuscitar de Cristo, Maria e todas as demais mulheres bíblicas. A sua virtude ensina. Enfermeira de profissão, o que nos deixa orgulhosos. V. Exª representa e simboliza Florence Nightingale, que dizem ser a maior e a madrinha das enfermeiras, Ana Nery e a enfermeira Heloísa Helena. V. Exª pode ser chamada de mestre. Da classe que representou, V. Exª é única - não se chama Senador, Presidente e banqueiro de mestre, igual a Cristo - e deu essa grandeza. Como política das Alagoas, assim como o nosso Renan Calheiros, das Alagoas, Estado, talvez, que mais deu Presidente no começo da República - os militares Teodoro, Floriano etc. V. Exª traduz e simboliza, neste Senado, o que foi Rui Barbosa. Ele não foi Presidente, mas lutou pela democracia, foi aquele que teve coragem de dizer que só tem uma salvação: a lei e a justiça. E V. Exª representa isso. Ele foi aquele que teve coragem de dizer que a primazia é o trabalho do trabalhador. É ele que faz a riqueza e o capital. Não vamos nos ajoelhar diante dos banqueiros. V. Exª dizia isso. V. Exª, como ele, não ganhou a Presidência, mas, com a ajuda de Deus e com o exemplo de V. Exª, haveremos de melhorar a democracia. Muito obrigado pelo que aprendi com o exemplo. O exemplo arrasta. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Mão Santa. V. Exª está me devendo uma visita àquele lugar lindo. O Sr. Antônio Carlos Valadares (Bloco/PSB - SE) - Senadora Heloísa Helena, sabemos que toda despedida, por menor que seja o tempo da separação, traz um quê de tristeza e de saudade. Mas a tristeza e saudade são substituídas ou afastadas, pelo menos temporariamente, quando sabemos que aqui V. Exª deixou um exemplo edificante de coragem, de coerência e de devotamento à causa pública, mesmo porque a sua situação política especial, gravada na memória de todos nós, foi traçada, única e exclusivamente, pelo ideal de bem servir a comunidade e de defender uma causa que considera justa. Quantos são os políticos que hoje em dia se arriscam, perdem o poder porque querem? São poucos, e V. Exª resolveu assumir o caminho mais difícil em benefício de uma causa que considera justa, leal e correta. Por isso, todos a admiramos e acreditamos que o seu exemplo vai proliferar. Qualquer que seja a causa que estamos a defender, devemos manter a coerência e a coragem e dizer ao Brasil que Heloísa Helena continua a serviço do nosso País. Numa época mais longínqua, em que as mulheres não tinham o poder, a posição nem a garantia que têm hoje na sociedade, Victor Hugo afirmava que o homem era invencível pela força e a mulher, pelas lágrimas. V. Exª é invencível pela força de sua coragem, de sua coerência. Por isso, seu exemplo vai proliferar. Certamente, um dia nos encontraremos na vida pública. V. Exª em uma posição de destaque que lhe será trazida pela consciência e pela gratidão do povo de Alagoas e do povo do Brasil. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço a V. Exª, Senador Antonio Carlos Valadares, com quem tantas vezes, juntos, travamos batalhas pelos produtores rurais. O Sr. José Jorge (PFL - PE) - Senadora Heloísa Helena, eu também gostaria de registrar a minha admiração pelo trabalho e pela personalidade de V. Exª. Acho que aqui, no Congresso Nacional, há uma tendência a ter Parlamentares - inclusive eu - que sempre buscam o acordo e um caminho comum. Mas é também necessário que tenhamos Parlamentares como V. Exª, que dão ênfase a sua posição, porque há outros que, pelo outro lado, dão ênfase à posição contrária. Dessa discussão entre essas posições que, muitas vezes, são antagônicas, nasce a luz. Então, V. Exª dá essa grande contribuição ao Senado Federal, quando defende posições claras e límpidas que nos permitem, muitas vezes, trabalhando pelo acordo - como eu, por exemplo, que fui relator de muitas matérias - considerá-las exatamente para formar uma base para se chegar a um acordo que represente não somente o consenso, mas o melhor pelo País. V. Exª foi candidata e fez um grande trabalho. V. Exª é Senadora e, como seu colega durante oito anos, minha admiração por V. Exª somente fez aumentar. Muito obrigado. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Senador José Jorge. Estaremos nas lutas da universidade também. O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Senadora Heloísa Helena, V. Exª, que sempre disse nesta Casa que foi contra a tortura, me torturou tanto, deixando esse coração torturado, doido para participar com todos os outros dessa sua homenagem. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - O companheiro de toda sexta e segunda tinha que ser torturado um pouco. O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - É verdade. Veja bem, é uma despedida inusitada, porque é entremeada de choro e alegria. Aliás, chorar é a sua grife. Quantas vezes V. Exª chorou! Se tivéssemos um reservatório, nesta Casa, para acumular as suas lágrimas, evidentemente que aliviaria - e muito - a muita dor da seca dos nordestinos, que V. Exª tanto ama. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Um lago de melancolia. O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Mas esse é o seu perfil, a sua história: entrou chorando e sai chorando. Choro por vários motivos e razões. Choro de ódio, de indignação e, hoje, o choro da alegria, do reconhecimento de toda esta Casa pela grande Senadora que V. Exª é. E tenho certeza de que exercerá com toda altivez esse mandato até o último minuto, porque é o seu estilo. Senadora Heloísa Helena, vemos os Senadores, os seus colegas Deputados aqui no Plenário, participando dessa festa, mas V. Exª precisa ver e sentir a alegria e emoção, entremeada também de tristeza, dos funcionários. Olhe para os contínuos, para esse pessoal que foi motivo de sua preocupação durante todo esse tempo - foram oito anos de atenção e preocupação -, e V. Exª verá a Senadora que foi e passou por aqui, que deixará, com certeza, a digital por todos os cantos desta Casa. Deixará a digital pela maneira como se comportou como Senadora da República. E pode até ter cometido erros, jamais por omissão. Senadora Heloísa, V. Exª marcou posição e presença todas as vezes que este Senado necessitou: no protesto, na aprovação e, acima de tudo, na luta. Felizmente eu não era Senador na legislatura passada. Via lá da outra Casa a garra com que V. Exª defendia uma candidatura à Presidente da República: com unhas e dentes. Eu, do outro lado, do lado contrário, achava que aquilo não ia dá certo. Respeitava V. Exª, mas dizia: se fôssemos iguais, se estivéssemos na mesma Casa, iríamos brigar. Finalmente estávamos separados. E V. Exª terminou triunfando na festa da posse. Tanta gente comprou vestido em Paris e V. Exª fez o maior sucesso com o tricozinho feito pela madrinha. Como esse tricô deu Ibope! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - E tristeza para mim depois. O Sr. Heráclito Fortes (PFL - PI) - Como esse tricô repercutiu! É essa a marca de V. Exª. Fique certa de uma coisa - e ontem vimos uns se despedindo: amanhã todos irão exercer uma atividade. V. Exª disse que vai voltar para cátedra, mas vou lhe dar uma sugestão: monte uma consultoria, uma consultoria afetiva. Seu gabinete vai ficar cheio dos amigos para aprender a lição. Quanto ao resto, quanto ao futuro, nós não podemos adivinhar. Só digo uma coisa: quem primeiro vai pedir que você volte é Alagoas. É só esperar. Quatro anos passam rápido. Um abraço e até lá. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigado, Senador Heráclito pela sempre ... O Sr. José Agripino (PFL - RN) - Senadora Heloísa Helena, eu vou sentir muita falta. Muita falta! Eu não, o Plenário todo. Deixe-me abrir um pouco meu coração. Não é despedida. Fizemos uma amizade sólida pela proximidade física. O lugar que ocupa agora sua companheira de Partido você sempre esteve. Eu acho que... Eu vou lhe chamar de você. Você se lembra do primeiro dos oito anos? Nós mal nos olhávamos. Era uma relação distante - você era do PT, eu era do PFL. A proximidade e a convivência nos fizeram parceiros de objetivos que construímos com argumentos diferentes. Eu ousaria dizer que nós passamos a nos admirar. Eu muito mais a você do que você a mim, muito mais, porque seus méritos são muito maiores do que os meus. Posso dizer que acompanhei talvez alguns momentos difíceis seus. Acho que faz uma hora que você chora, Heloísa, eu lhe vi chorando - sempre sinceramente - há uns tempos, quando você, se referindo aos melhores anos da sua vida, botava para fora a amargura da sua expulsão do Partido dos Trabalhadores. Aquele foi o seu momento maior de calvário, mas foi naquele calvário que você fez o nome Heloísa Helena. Foi ali que o povo do Brasil entendeu que por trás da figura, que até hoje se veste coerentemente com uma calça jeans desbotada e surrada - nem de marca é - e uma blusinha que de malha modesta o é, de domingo a domingo, e não muda, foi ali que o povo do Brasil percebeu que, por trás da aparente fragilidade de uma moça de cabelo sempre preso num rabo de cavalo, de compleição frágil, existia uma mulher coerente e valente e em quem valia a pena apostar. Estão aí seus milhões de votos. Naquele calvário, naquele seu pranto, o Brasil percebeu que havia uma pessoa diferente e um valor político em que valia a pena acreditar e confiar. Isso me fez me aproximar de você. Criamos uma amizade, uma afinidade. Conheço os seus filhos e você conhece quem me é mais caro: Lucas, o meu netinho. Você foi a única que eu levei ao meu gabinete, quando ele veio ao Brasil, para vê-lo dormindo - e você foi lá. Ficamos amigos pessoais. Divergências doutrinárias à parte, somos amigos e eu a admiro muito. Admiro-a pela sua coerência, pela coragem cívica, pelas atitudes e pelo modelo de brasileira que você é. Penso que muitos dos que estão nos vendo e nos ouvindo estão dizendo: é verdade o que o José Agripino está dizendo; essa é uma brasileira de boa qualidade. Ela vai deixar de ser Senadora e vai voltar para Alagoas para dar aula. Ela foi convidada para passar uns tempos na França, mas não vai aceitar; vai preferir voltar para Alagoas, para dar aula, porque ela quer ficar perto do povo e quer continuar militante e Presidente do P-Sol, um partido que ela fundou e que ela quer, em nome de um ideal, ver crescer. Heloísa, vou sentir muita saudade de você, pode estar certa. Eu não vou muito longe neste meu aparte, porque me emociono com certa facilidade. Quero dizer uma coisa só: eu me orgulho muito de sua amizade. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agripino, muito obrigada pela delicadeza. Quero abraçar com muito carinho a você, a sua esposa, ao Lucas. Vou ficar lá monitorando a má influência do Arthur - porque eu sempre ficava brigando com os dois. Quero agradecer, de coração, Agripino, este lugarzinho aí onde a gente teve oportunidade de conviver tantas vezes, tantas vezes. Quando a gente estava em algumas lutas juntos, você, com a mais absoluta clareza, dizia: "Heloísa, essa luta eu não vou aceitar", ou ainda, "Palavra dada, palavra cumprida". Agradeço a V. Exª. O Sr. Flávio Arns (Bloco/PT - PR) - Senadora Heloísa Helena, eu gostaria de lhe dizer pelo menos três coisas. Muitas poderiam ser ditas, mas quero pelo menos enfatizar três aspectos. Muitas pessoas do Paraná já vieram me visitar aqui no plenário, olhavam os Senadores e Senadoras que estavam no plenário e diziam: "olha, eu quero falar com a Heloísa Helena, quero tirar fotografia com ela, quero abraçá-la e quero beijá-la". Costumo dizer a V. Exª que se disputasse uma eleição no Paraná com certeza obteria muitos votos. Em todas as ocasiões em que isso acontecia, a gente conversava, as fotos eram tiradas. Conto isso para mostrar a alegria, o respeito, a consideração que as pessoas têm com V. Exª. Isto acontece no Paraná e em todo o Brasil: a satisfação de milhões de pessoas com a sua história, a sua pessoa e as suas posições. É o ponto que quero enfatizar: o Brasil percebe. O segundo aspecto é o seguinte: talvez muitas pessoas não compartilhem com as posições que V. Exª tem externado no decorrer dos anos. Eu não estou junto com essas pessoas e já tive oportunidade de dizer isso em outras ocasiões. Sempre há opiniões diversas, mas ninguém no Brasil pode ignorar que V. Exª sempre lutou a favor do povo, do marginalizado, do empobrecido, do oprimido, da transparência e contra as injustiças. Então, V. Exª tem o reconhecimento do Brasil, não tenho dúvida, pela coerência, principalmente a coerência do discurso com a ação. Há um ditado que diz que podemos conhecer as pessoas pelos exemplos. Mas é importante dizer que devemos conhecer as pessoas pela coerência entre as palavras e ação. E V. Exª, nesse sentido, é uma referência para o Brasil. E o terceiro aspecto - e, no particular, me dirijo ao povo de Alagoas, donde V. Exª vem - é o orgulho que o povo tem que ter pelo seu trabalho, realizado no Congresso Nacional, a favor do Brasil e do seu povo, principalmente daquele que mais precisa da atuação parlamentar. Quero, portanto, dizer do orgulho e da satisfação de poder olhar para o Senado e dizer que temos uma pessoa lá que realmente engrandece o trabalho que deve ser feito a favor da cidadania. Então, é de pessoas assim que vamos nos orgulhar. Alguém disse antes: "Mário Covas nunca foi eleito Presidente da República, mas ninguém se esquece de Mário Covas". Então,não é a vitória, necessariamente, que vai dizer da trajetória e do reconhecimento do povo. Que V. Exª sempre tenha, de todos nós, a amizade, o respeito e a consideração. O Brasil poderá sempre dizer do orgulho que tem e que Heloísa Helena precisa continuar trabalhando - e vai continuar trabalhando onde quer que esteja -, também politicamente, no Legislativo ou no Executivo, a favor do povo. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, a V. Exª. Reconheço que, mesmo nos momentos de muita tormenta nas disputas, nas contendas com o Governo, V. Exª sempre teve a delicadeza da convivência nesta Casa. O Sr. Osmar Dias (PDT - PR) - Senadora Heloísa Helena, serei bem rápido, porque todos já expressaram a admiração por V. Exª. Tive a honra de dividir a Presidência da Comissão de Assuntos Sociais com V. Exª e aprendi, ali, a conhecer uma pessoa de dignidade plena, que calçou toda a sua vida pública sobre a honra e a lealdade com os seus princípios, sem abrir mão deles. A sua valentia e a sua garra se tornaram referência para o Brasil, sim. Hoje, V. Exª é admirada não apenas no seu Estado, mas em todo o País. Como disse o Senador Flávio Arns, no nosso Estado, V. Exª tem a admiração de muita gente, de muita gente mesmo, inclusive das minhas filhas, que têm em V. Exª uma referência verdadeira não só na política, mas no estilo de vida, como pessoa que é, admirável. V. Exª tem a admiração de todo o Senado e vai deixar uma saudade imensa aqui, mas tenho certeza de que vai continuar lutando para que população brasileira continue admirando, sobretudo, a sua decência e a sua obstinação em buscar melhorar a qualidade de vida daqueles que mais necessitam. Parabéns pelo seu mandato, mas, parabéns, sobretudo, pelos princípios que defende! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço a V. Exª, Senador Osmar Dias. Abraços em suas menininhas, moças. E agradeço também o tempo que tivemos a oportunidade de dividir a Comissão de Assuntos Sociais. O Sr. Ney Suassuna (PMDB - PB) - Senadora Heloísa Helena, nossa convivência foi de altos e baixos: as muitas ameaças à minha vida feitas por V. Exª, seja na hora de fazermos as comidas nordestinas na festa da Senadora Iris de Araújo, seja pelas brincadeiras em que V. Exª sempre dizia: "Ah, vou furar o olho" e tal. A verdade é que eu a admiro muito pela persistência com que defende seus ideais, suas idéias, e todo o sofrimento que passa para fazer isso. Quantas vezes eu a vi aqui sem ter almoçado, tendo eu que mandar buscar um sorvete para você comer, se não desmaiava! Quantos dias de dor de cabeça, dessa dor de cabeça persistente que a atormenta, sem arredar um centímetro para defender suas idéias! Podemos divergir, mas a admiração é grande. Vai fazer falta nesse Senado. Parabéns! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Senador Ney Suassuna. Muito obrigada pela delicadeza de sempre.
Sábado, Fevereiro 10, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... O Sr. Cristovam Buarque (PDT - DF) - Senadora Heloísa Helena, muitas pessoas assistem a este momento. Poucos passariam por este Senado tendo uma despedida como a sua. Cada um de nós dá sua contribuição, ninguém passa por esta Casa à toa, mas creio que poucos deram ou darão o tamanho da sua presença, da sua contribuição. E tento explicar as razões: a primeira é a presença em si, essa coisa mágica, que alguns chamam de carisma - que alguns de nós têm, e outros, não; alguns têm muito; outros, pouco. Mas não é só isso, pois isso alguns têm; o que não têm é a soma de tudo. A segunda razão é o compromisso. Seu compromisso, de fato, é algo que transcende o que a maioria de nós, mesmo fazendo esforço, não consegue ser. Depois, vem a coerência. Há pessoas com compromissos que mudam a cada semana. V. Exª tem a coerência, tem o compromisso, tem a presença, mas tem também algo que é ainda mais raro: a capacidade de articulação, de dizer a coisa certa no momento certo, de não apenas fazer os discursos duros da Oposição, mas também de fazer o discurso específico da vírgula que está errada no projeto. É muito difícil combinar essas coisas. Reconheço que, entre nós, não há muitos que o conseguem. Por isso, estamos aqui neste momento. Além disso, V. Exª deixa marcas em projetos de lei, o que é outra coisa rara. E cito um - e V. Exª sabe da minha admiração: o da reforma constitucional, para garantir creche a todas as crianças do Brasil. Só com isso, se V. Exª se mantivesse calada durante os oito anos e não tivesse feito mais nada, já deixaria sua marca, mas, com esse conjunto de qualidades, creio que explicamos o porquê dessa coisa chamada Heloísa Helena, desse fenômeno na política do Senado brasileiro. Para concluir, quero dizer que V. Exª tem combatividade, que também não é algo que todos têm; alguns têm combatividade, mas não têm o resto. Concluo dizendo que este é o momento de lamentar sua saída, mas não é um momento de tristeza. V. Exª sai com a cabeça mais erguida do que, talvez, centenas dos que passaram por esta Casa em toda a história do Senado. Não vou dizer que V. Exª é a única - há outros também -, mas poucos conseguiram sair daqui com a cabeça erguida, como V. Exª o faz. Além disso, não apenas com respeito mútuo, mas com a profunda admiração que qualquer um de nós tem por sua presença, por sua coerência, por seu compromisso e por sua capacidade de articulação, fico orgulhoso de ser Senador durante o tempo em que V. Exª foi também Senadora.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Muito obrigada, Senador Cristovam Buarque, pelo combate permanente em relação à educação. O Sr. Antero Paes de Barros (PSDB - MT) - Senadora Heloísa Helena, em primeiro lugar, arriscaria até a dizer que os 80 Senadores que conhecem V. Exª sabem exatamente como é sua pessoa. V. Exª é firme em suas convicções. V. Exª defende seus pontos de vista, mas passa uma imagem inteiramente diferente daquela que é na realidade. V. Exª é emotiva, chorona, e fala com o coração na boca. V.Exª consegue ouvir o grito das nossas crianças, V. Exª ama o povo brasileiro, V. Exª ama as crianças do Brasil. Hoje não é um dia de tristeza. Só Gonçalves Dias, o poeta, explica V. Exª. Na poesia I-Juca Pirama, ao se referir a um grande guerreiro que chorava - e alguns tentavam dizer que o guerreiro era covarde -, ele dizia para o guerreiro: "Corram livres as lágrimas que choro, estas lágrimas, sim, que não desonram". As lágrimas de V. Exª são as lágrimas que orgulham o Parlamento brasileiro. Neste momento em que se tenta um projeto de pizza na Câmara dos Deputados, em que o Congresso é colocado em situação difícil, a atuação de V. Exª engrandece o Congresso Nacional. Cumprimento V. Exª. Com relação à sua candidatura, havia uma brasileira que sabia que não ia ganhar a eleição para Presidência da República. Essa brasileira era V. Exª. A gente não participa de eleição só para ganhar, mas luta por um ideal para não deixar o ideal morrer. Não vou cometer a indelicadeza de perguntar qual a idade de V. Exª, mas sei que se vão passar muitos anos depois dos sessenta, e V. Exª vai continuar a ter o direito de ser de esquerda. Parabéns a V. Exª! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, a V. Exª o aparte, Senador Antero Paes de Barros. Fiz 44 anos e só digo isso, porque o velho Oscar Wilde dizia assim: "Nunca confie em uma mulher que diz a idade, porque ela é capaz de dizer qualquer coisa". O Sr. Eduardo Azeredo (PSDB - MG) - Senadora Heloísa Helena, quando comecei a trabalhar no Senado, encontrei-me com o Senador Francelino Pereira, que estava terminando o mandato, e perguntei: "Como é a Senadora Heloísa Helena?". S. Exª me disse: "Olha, ela é brava no discurso, mas é um doce no contato do dia-a-dia". Vimos que isso é verdade. Pude ver nesses quatro anos o que S. Exª me disse. Além da sua bravura e da sua coerência, que todos aprendemos a admirar, quero ressaltar um ponto muito importante que logo me deu empatia com sua atuação: a defesa das causas de pessoas com deficiência. Esse é um ponto que realmente marcou e marca sua vida parlamentar. Cumprimento V. Exª por toda a sua atuação e desejo que V. Exª continue, sim, na política, pelo bem do Brasil. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço a V. Exª e faço também um tributo a V. Exª e ao Senador Flávio Arns por uma luta tão especial como essa. Para inveja de V. Exª, tive a oportunidade de receber aqui, ainda quando era Presidente da Casa o Senador José Sarney, a primeira Ordem do Dia em braile, porque S. Exª sabia que eu era a única Senadora que produzia todo o material em braile. Infelizmente, continuo sendo a única a fazê-lo. S. Exª teve a delicadeza de me conceder a primeira Ordem do Dia escrita em braile. Agradeço a V. Exª de coração. O Sr. Alberto Silva (PMDB - PI) - Senadora Heloísa Helena... Não me dá vontade de chamá-la de Senadora, mas, sim, de Heloísa. Você está deixando esta Casa, mas, primeiro, você escreveu uma história aqui. Todos nós a acompanhamos desde aquele momento em que você saiu do seu Partido - tenho certeza de que todos ficamos do seu lado. Depois, você saiu daqui, defendendo o Brasil, suas idéias, tudo o que você defendeu aqui. O que é mais importante de tudo isso - permita-me dizer, Heloísa - é sua personalidade. Você é Heloísa, quer esteja aqui, quer esteja na universidade. Eu soube, por meus amigos alagoanos, que quiseram matá-la, mas que não o conseguiram, pois Deus estava do seu lado. Num determinado momento, eu a ouvi dizer: "Nesta orelhinha da minha mãe, lavadeira, ninguém pendura brinco". É a Heloísa que todos conhecemos aqui. Estou saindo daqui para a outra Casa - eu já estive lá e voltei para cá -, mas, seguramente, mesmo eu não estando aqui, esta Casa vai ter saudades de você, da sua presença, das suas idéias, da sua firmeza, da sua personalidade. Por fim, temos um compromisso. Você fez com que eu conversasse com o Rainha. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - É verdade. O Sr. Alberto Silva (PMDB - PI) - Você levou o Rainha ao meu gabinete, o que é prova de sua personalidade. Por que o Rainha? Porque você queria que ele ouvisse aquele projeto. Aqui, você me disse: "Meu Senadorzinho, eu posso levar o Rainha ao seu gabinete?". Eu respondi: "Pode. Eu vou estar esperando". Aquele projeto, minha cara Heloísa, está em marcha. E, onde você estiver, vou atrás para você ir lá ver e depois dizer: "Rainha, eu não disse a você que o projeto do Alberto Silva estava certo?". Heloísa, temos saudade de você, mas o Brasil está atento e não vai esquecer você, nem as Alagoas. Quem sabe você será... Só nas mãos de Deus... Que Deus a proteja! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Amém! Agradeço-lhe, Alberto, sua generosidade. Num momento tão difícil, de tantas pancadas em relação ao movimento, V. Exª atendeu, trabalhou junto o projeto. Agradeço, de coração, a V. Exª. O Sr. Garibaldi Alves Filho (PMDB - RN) - Senadora Heloísa Helena, quem sabe V. Exª, que nunca pensou em ter unanimidade como essa, não levaria todos nós para o P-SOL? Por incrível que pareça, V. Exª, que é sempre uma figura marcante, por isso mesmo, divide. Hoje, V. Exª tem o condão de unir todos nós. Todos nós nos rendemos à sua inteligência, à sua capacidade, à sua determinação e à sua personalidade. Afinal de contas, se não nos rendêssemos aqui, nossos eleitores cobrariam lá, porque eles é que nos procuravam para perguntar: "Como é Heloísa Helena? Será que ela é brava daquele jeito quando desce da tribuna?". O que muitos Senadores já disseram aqui, o que é certo, Senadora Heloísa Helena, é que V. Exª vai ficar aqui não apenas na nossa memória, mas nos nossos corações. Muito obrigado. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Muito obrigada, Garibaldi. Obrigada pela delicadeza, pela generosidade das palavras. Muito obrigada, "velho Gariba". O Sr. Efraim Morais (PFL - PB) - Senadora Heloísa Helena, só quem conviveu e convive com V. Exª sabe da pessoa inteligente, competente, persistente e carinhosa que é, porque esse foi o tratamento que V. Exª sempre deu a todos nós. É evidente que aqueles que, muitas vezes, ouviram V. Exª da tribuna não imaginam o quanto V. Exª é diferente na Bancada, ao conversar, ao aconselhar e, às vezes, até ao se aborrecer, como em determinado momento, com todos nós. É claro que, neste dia que marca este Senado, este Plenário, houve choros, sorrisos, momentos de alegria, momentos que, com certeza, ficarão marcados, mas podemos ter a certeza de que V. Exª sai daqui com a consciência tranqüila do dever cumprido, da Senadora que fez sua parte, que cumpriu seu compromisso com seu Estado de Alagoas e com nosso Brasil. Pode ter certeza que por esta tribuna todos nós vamos passar um dia para dizer ao nosso povo, principalmente ao nosso Estado, o que fizemos, a nossa missão, o voto, a confiança que recebemos dele. V. Exª pode ter certeza que deixa um legado muito forte nesta Casa, pela coragem, pela persistência e, acima de tudo, pelo amor e pelo carinho por este imenso País, por nosso imenso Brasil. Parabéns a V. Exª. Tenho certeza de que, da mesma forma que V. Exª venceu neste plenário, saberá e vai vencer em outras plagas, seja onde e com quem estiver porque com a verdade, com a persistência e com a coragem sempre se vence. Deus a abençoe. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Amém. Agradeço a delicadeza, a generosidade de sempre de V. Exª, Senador Efraim, abraço a sua esposa Ângela, agradeço de coração a V Exª. O Sr. Wellington Salgado de Oliveira (PMDB - MG) - Senadora Heloísa Helena, confesso a V. Exª que assumi aqui no Senado há um ano e meio e tinha a imagem de que V. Exª realmente era aquela mulher guerreira, lutadora. E o que acontece? Eu chego e vejo V. Exª de mão dada com o Senador Pedro Simon, caminhando, caminhando para cá, para o plenário. Eu disse: mas, espera aí, Senadora Heloísa Helena de mão dada com o Senador Pedro Simon? Em outra observação, vejo V. Exª de braço dado com a Senadora Patrícia, caminhando para cá, falando sobre crianças e tudo mais. Eu falei: mas o que é isso? Quem é essa mulher, meu Deus? E aí, Senadora Heloisa Helena, vem a maior marca. Nunca mais vou esquecer de V. Exª. Vou repetir aqui o que já disse a V. Exª sobre o meu filho de 16 anos. Todo pai tem grande carinho por seu filho, mas esse meu filho mais velho é especial. Ele me disse: "Pai, eu quero tirar o meu título de eleitor". Falei: por que você quer tirar o título de eleitor? Vota depois! "Não, pai, eu quero votar na Heloisa Helena". Aos 16 anos! Lembro-me que liguei para ele e a coloquei em contato com ele. V. Exª falou: "Olha, você ainda é puro, ainda tem salvação. O seu pai não tem jeito, mas você tem salvação. O seu pai não tem jeito mais, já está na base de apoio". Tudo isso foi colocado. Então, independentemente da sua posição aqui, são aqueles pequenos momentos que não vamos esquecer jamais; tenho certeza de que vai estar gravado na minha retina. Se algum dia eu sentar para falar com alguém sobre política, sobre esse meu momento vivido aqui no Senado, eu vou me lembrar sempre de V. Exª caminhando de mãos dadas com o Senador Pedro Simon, por quem tenho o maior respeito; vou me lembrar sempre de V. Exª caminhando e sorrindo com a Senadora Patrícia por um lado e por outro. Vou olhar sempre para o meu filho e me lembrar do primeiro voto que ele deu, que foi para V. Exª. Com certeza, um voto puro, porque, eu tenho certeza, em termos políticos, naquele momento, ele era um eleitor puro. Foi um voto bonito que ele deu, que nunca mais vou esquecer. Vou sentir muita saudade de V. Exª e espero vê-la algum dia de volta a esta Casa. Boa sorte. A SRª HELOISA HELENA (P-SOL - AL) - Muito obrigada. Agradeço a generosidade de V. Exª e tenha a certeza de que é por essa meninada, como o seu filho e tantos outros. Como costumo dizer, uma geração já está perdida; quem é bom é, quem não é não é; a salvação está difícil. Mas há uma geração que a gente precisa salvar. Se salvarmos uma geração a gente vira o mundo. O Sr. Almeida Lima (PMDB - SE) - Senadora Heloísa Helena, vou fazer aqui um esforço muito grande para transmitir, em palavras, o meu sentimento por V. Exª e por este instante. Não sei se vou conseguir. É evidente que me sinto satisfeito porque percebo que, a cada dia que passa - esta é a imagem que tenho, a impressão que tenho -, eu consigo evoluir. É o objetivo de todo ser humano, evoluir. Confesso que estou alegre neste instante. Não estou triste. Suas lágrimas devem ser de alegria, não de tristeza. Estou satisfeito porque tenho certeza absoluta de que V. Exª cumpriu aqui a sua tarefa, a sua missão. Não quer dizer que não possa retornar a esta Casa novamente como Senadora para dar continuidade a este trabalho. Mas por certo lá fora muita gente está aguardando V. Exª para ter também a alegria e a satisfação da convivência e da sua força de trabalho. Aprendi a ver uma pessoa com muita sensibilidade e, ao mesmo tempo, intrépida. Se alguém aqui estranhava a radicalidade de V. Exª, eu nunca estranhei. Se já viram, na sua forma radical de lidar com os fatos, um defeito, sempre vi uma virtude porque, para problemas gravíssimos, só mesmo posições radicais. Observando a origem da palavra, que vem de radical, de raiz, de estrutura, vemos que só mesmo posições radicais para transformar as estruturas carcomidas do nosso País. Portanto, não me admirei, não estranhei, me somei a essa radicalidade exatamente por pensar dessa forma. Este é um momento de alegria, de satisfação porque quando as pessoas cumprem seu papel precisam sair dos lugares com a fronte bem erguida e satisfeitas. Triste e chorando eu ficaria se V. Exª não tivesse cumprido seu papel e eu estivesse sentindo na minha alma que V. Exª estava arrependida. Tenho certeza absoluta de que V. Exª não se arrepende por ter deixado de fazer, aqui nesta Casa, aquilo que teve vontade de fazer. O momento é de alegria, de confraternização porque, tenho certeza, tanto faz aqui quanto lá fora, V. Exª será a mesma pessoa, com as mesmas atitudes, com os mesmos sonhos, com a mesma sensibilidade, com a mesma esperança e com a mesma vontade de fazer. Portanto, nada de até logo, nada de até breve, porque o elo permanecerá. Muito obrigado, minha saudação a V. Exª. Que eu saia desta Casa, daqui a quatro anos, com esse espírito de que fiz aqui aquilo que desejei fazer, sem a preocupação de preservar o mandato, mas de exercê-lo. Tenho certeza de que V. Exª se preocupou em exercer e não em preservar seu mandato. Sairei daqui muito feliz, como, tenho certeza, V. Exª está saindo. Portanto, lágrimas só de alegria, de satisfação, não de tristeza. Muito obrigado e parabéns. Esqueci de dizer só uma coisa, perdão, porque não anotei e acho que V. Exª não sabe, mas meu voto para Presidente foi para V. Exª. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço de coração a generosidade das palavras de V. Exª, Senador Almeida Lima, abraço sua esposa e suas filhas. Agradeço, de coração, a delicadeza que sempre tiveram comigo. Obrigada, Senador Almeida Lima. O Sr. Paulo Paim (Bloco/PT - RS) - Senadora Heloísa Helena, eu estava aqui ouvindo e preocupado, pensando se teria oportunidade de fazer um aparte a V. Exª. Estávamos na Comissão de Educação e iríamos fazer uma homenagem a Darcy Ribeiro. O Senador Cristovam Buarque fez um aparte e pediu que transferíssemos para outra data a homenagem a Darcy Ribeiro, para que pudéssemos vir ao plenário fazer essa pequena saudação à nossa querida Heloísa Helena. Digo mais, Senadora Heloísa Helena, os funcionários do meu gabinete me ligaram e avisaram que o plenário estava lotado, os microfones estavam de pé e todos faziam uma saudação à Senadora, que estava chorando. E perguntaram: "Como é que o senhor não está lá?" Com toda a liberdade que dou, o meu gabinete me xingou. Respondi que estávamos encerrando a reunião e eu iria para o plenário. Senadora Heloísa Helena, aprendi muito convivendo com V. Exª. Quero dizer a V. Exª que existe uma música do Pablo Milanés, que o argentino Dante Ramón canta, de que gosto e ouço muito. Na introdução ele pergunta quantos homens são necessários nascer para valer uma mulher. Eu não entendia muito bem a introdução, mas depois que passei a conviver com V. Exª entendi o que ele quis dizer. Tive a alegria de dividir com V. Exª o debate sobre a Previdência, os embates do salário mínimo, tive a alegria de viajar com V. Exª para diversos Estados do Brasil. Na Bahia, Senador Rodolpho Tourinho, V. Exª estava doente e assim mesmo participou do debate e expôs com muita convicção o seu entendimento sobre a importância da valorização do salário mínimo e dos aposentados e pensionistas. Quero concluir dizendo que, há quatro anos, no Rio Grande do Sul, V. Exª foi convidada a dar depoimento para os candidatos. V. Exª me encontrou e me disse: "Dei diversos depoimentos e vou hoje, em reunião, perguntar por que eu não dei depoimento para o operário e para o negro candidato a Senador, Paulo Paim." Então, foi à televisão e fez um belíssimo depoimento. Enfim, todos nós teríamos passagens para contar da caminhada a seu lado, mas quero dizer que estou muito orgulho de ter entendido agora essa frase do Dante. Eu termino indagando: quantos homens são necessários para representar a luta que V. Exª representa para todo este País? Quero dizer que eu encaminho à Mesa, para que fique registrada nos Anais da Casa, a música "América Latina" em homenagem a V. Exª. Muito obrigado. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Muito obrigada meu querido, combativo, herdeiro das mais belas tradições de Zumbi e Dandara República dos Palmares. O Sr. Leonel Pavan (PSDB - SC) - Senadora Heloísa Helena, vou ser objetivo para não lhe tomar muito tempo. Todos já falaram da importância de V. Exª para o Brasil. Nesses quatro anos que passei no Senado Federal aprendi muito, muito, com V. Exª, com sua luta, com sua persistência em defesa dos oprimidos, em defesa daqueles que não têm oportunidade, às vezes, de buscar um lugar melhor ao sol. Eu aprendi muito com V. Exª, vendo sua luta, sua garra na busca do seu espaço, do seu ideal, suas propostas e, principalmente sua luta por um Brasil melhor. Eu também não estarei aqui no ano que vem. Eu também fiz hoje o meu pronunciamento de despedida do Senado Federal. Eu aprendi muito com os colegas. Eu aprendi muito nesta Casa, apesar da minha experiência como prefeito -três vezes - e também como Deputado federal. O Senado realmente foi a maior escola da minha vida. Pudemos aqui ver, discutir, apresentar projetos, todos eles, sem dúvida, para tornar o Brasil melhor. Então, levo de V. Exª o exemplo da garra, da perseverança, de uma pessoa que quer um Brasil para todos. Parabéns pelo trabalho. Agradeço-lhe por me permitir ser seu amigo. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, a V. Exª, Senador Leonel Pavan. Tomara que a fase que V. Exª inicia agora seja muito promissora! Faça o melhor com o que Deus e o povo de Santa Catarina lhe deram.
Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Querida Senadora Heloísa Helena, a minha vontade, em verdade, é de falar para V. Exª sorrindo, porque considero que V. Exª estará sempre presente. Sei que continuará, lado a lado, nesta batalha por justiça, igualdade, liberdade, solidariedade, pelas coisas em que juntos acreditamos e que, por essa razão, nos levaram a estar no Partido dos Trabalhadores e em partidos afins, porque considero o P-SOL um partido que, por ter nascido de uma dissensão séria e grave com o Partido dos Trabalhadores, não deixa de ser seu irmão. V. Exª sabe que foram muitas as ocasiões em que nós dois divergimos, às vezes na entoação, no estilo, na forma de falar as coisas, mas quase nunca, em nossa convivência, nos princípios e nos objetivos. Algumas vezes, em projetos de lei ou em propostas de emenda à Constituição, como, por exemplo, quando votei a favor da Reforma da Previdência, tal como o Presidente Lula aqui havia encaminhado, com algumas modificações, e V. Exª ali divergiu, o que acabou resultando no processo de expulsão de V. Exª do nosso Partido. Naquela época, avaliei, e continuo avaliando até hoje, que teria sido muito melhor para nós, como defendi naquela reunião de 2003, no Diretório Nacional, que estaríamos muito melhor se tivéssemos respeitado o ponto de vista de V. Exª, Luciana Genro, João Fontes e Babá, que disseram que estavam de acordo com muitas coisas, mas naquele ponto não, e que gostariam de ser respeitados. E me parecia que o Estatuto do Partido permitia que isso acontecesse. Mas foram tão positivos os momentos em que aqui convivemos, em que travamos batalhas juntos, desde quando aqui chegou, em 1995, que a minha vontade é de continuarmos a caminhar juntos. Sabe V. Exª que me deu um motivo de alegria quando, por volta de agosto, setembro, V. Exª me convidou: "Olha, Eduardo, venha aqui me explicar um pouco mais aprofundadamente sobre a Renda Básica de Cidadania". Fui, então, ao seu gabinete - V. Exª havia convidado a Deputada Luciana Genro para estarmos juntos - e conversamos por uma hora e meia. Naquela ocasião, V. Exª me disse: "Eduardo, se porventura não for eleita, eu serei professora na Universidade Federal de Alagoas. Gostaria de lhe convidar para expor isso tudo que você está me dizendo". Eu disse que aceitava o seu convite não apenas no caso de não ser eleita, mas também se fosse eleita, porque continuaria sendo professora na Universidade Federal de Alagoas e, assim, estaria lá, diante de seus alunos, falando perante a Presidenta e a professora. Digo que aceito o convite e quero ir mesmo, mas tenho a certeza de que serão muitas as ocasiões em que, junto aos movimentos sociais, aos estudantes, a tudo aquilo que significar movimento em favor do aperfeiçoamento das instituições democráticas, da ética na política, a tudo aquilo que for para promover a igualdade de direito entre todos os brasileiros e brasileiras, estaremos juntos... Quero apenas lhe dizer, querida Senadora Heloísa Helena, que muitas vezes continuaremos juntos. E V. Exª estará aqui presente. De alguma forma, a sua palavra, a sua energia, a sua vitalidade estará aqui presente, seja no seu lugar, seja aí na tribuna, ao lado da bandeira do Brasil, pois a sua presença aqui foi de tal ordem que será eterna.
A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço a V. Exª, meu querido companheiro Suplicy, de tantas conversas. Éramos Marina, Suplicy e eu a conversarmos sobre a humanidade, as dores, as tristezas, os amores e os futuros. Que V. Exª seja muito feliz! O Sr. Eduardo Suplicy (Bloco/PT - SP) - Quero continuar a receber suas recomendações para o coração. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - (Risos.) O Sr. Tasso Jereissati (PSDB - CE) - Senadora Heloísa Helena, ao longo da minha vida pública, aprendi a respeitar os políticos, não necessariamente aqueles políticos, homens públicos, pessoas públicas, que concordassem comigo e que tivessem a mesma visão do mundo. Mas respeitar, na vida pública, aqueles que a levam com dignidade e coerência. Praticamente, comecei minha vida tendo como referência Mário Covas, participando da sua campanha para a Presidência da República, que - costumo dizer - foi a campanha derrotada mais vitoriosa do Brasil. Se não me engano, naquelas eleições, Mário Covas ficou em quarto lugar, mas deixou uma marca que, até hoje, o grupo que o seguiu dentro do PSDB tem como referência. A princípio, quando cheguei ao Senado, assustava-me um pouco quando V. Exª se exaltava no microfone. Depois, percebi, fazendo uma autocrítica, que isso acontecia de vez em quando comigo e que, por trás de seus momentos mais exaltados, havia uma profunda e sincera indignação. V. Exª é uma figura política que marca muito mais pelo seu comportamento, pela sua postura e pela sua trajetória do que por um projeto ou por uma ação específica. E não concordo com o que alguns disseram sobre sua volta. Faço de novo a comparação com Mário Covas, que perdeu a eleição para a Presidência da República, mas hoje, sem dúvida, se falarmos nos políticos da nossa geração, com certeza, ele é uma referência. Gostando ou não de Mário Covas, ele teve uma das trajetórias mais importantes da minha geração de políticos. Vejo em V. Exª trajetória semelhante: uma referência, uma vida de coerência e dignidade, principalmente neste momento em que estamos vendo a banalização, a vulgarização do adesismo, do fisiologismo, da mudança fácil, da falta de percepção da dignidade e do compromisso que se tem de ter na vida pública. A sua trajetória é vitoriosa, tenho certeza. À semelhança do meu grande líder Mário Covas, sua trajetória continuará nessa linha. Se tenho alguma coisa a lhe desejar, não é que volte nem que deixe de voltar, mas que permaneça com essa linha de coerência, de dignidade, de sinceridade na sua conduta na vida pública brasileira, pois precisamos de pessoas públicas como V. Exª. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço de coração a V. Exª, Senador Tasso, a delicadeza, a generosidade de sempre. O Sr. César Borges (PFL - BA) - Senadora Heloisa Helena, quero neste momento dizer que esta Casa, sem a presença de V. Exª, será diferente. V. Exª animava as discussões políticas com seu entusiasmo, com seu amor pela causa, mas, acima de tudo, com sua coerência. Sua coerência me fez admirá-la cada vez mais, porque vi como V. Exª sofreu no processo que o País experimentou, lamentavelmente, nesses últimos anos. V. Exª acreditou, tinha um sonho, queria vê-lo realizado, empenhou-se profundamente para que isso ocorresse, dentro da sua ótica de mundo, dentro da sua ótica política. Quando V. Exª viu que esse sonho não vinha ao encontro dos seus anseios e que estava sendo malversado, manteve-se íntegra com seus princípios, com seus sonhos. Temos posições políticas diferentes, mas admiro essa coerência e a pessoa humana que V. Exª é, que cativou minha esposa e meus filhos, tanto que eles sempre lhe demonstraram um afeto muito grande, recíproco por parte de V. Exª. Então, neste momento, quero lhe dizer que vamos sentir muito sua falta. Queremos que V. Exª encontre sempre o caminho da realização dos seus sonhos, da sua felicidade pessoal e de toda sua família. Sempre estaremos aqui lhe desejando que alcance esse objetivo, por ser V. Exª uma grande colega e uma grande Senadora. Muito obrigado. A SRª HELOÍSA HELENA (PSOL - AL) - Agradeço a V. Exª, a sua esposa, a sua família pela delicadeza. Agradeço de coração. A Srª Lúcia Vânia (PSDB - GO) - Senadora Heloísa Helena, é difícil para todas nós, que fomos suas companheiras nesta Casa, falar de V. Exª neste momento. Assisti a sua luta para se colocar dentro do seu ex-Partido, o PT. Vi seu sofrimento, sua angústia, vi o quanto aquilo doeu em V. Exª ter de deixar de lado um Partido ao qual deu tudo: sua juventude, sua força, sua energia, seus sonhos. Depois, nós a vimos caminhar por todo o Brasil como uma guerreira, altiva, altaneira, levando a alma da mulher brasileira por todos os cantos deste País; mostrando, na atividade política, o que uma mulher pode oferecer do seu trabalho e da sua alma para que este País se torne mais justo e mais humano. Sem dúvida alguma, V. Exª significou e significa nesta Casa a presença da mulher brasileira. Talvez por sua desinibição, por seu sofrimento, por sua trajetória de vida, V. Exª pôde expressar tudo isso com muito mais clareza e autenticidade. Sua presença nesta Casa significa a representação do universo feminino, com sua coragem, sua determinação e sua capacidade. Leve para sua nova trajetória o respeito de todas as mulheres brasileiras, especialmente das goianas, que tanto a admiram. Faça dessa sua luta uma luta por mais igualdade, por uma maior percepção pela sociedade da importância da mulher na atividade política. Meu abraço, meu carinho, meu muito obrigada por ter podido conviver com V. Exª não só como Parlamentar, mas como amiga e companheira. Divergimos, às vezes, mas foram divergências amenas, que, em nenhum momento, feriram nossa simpatia e empatia. Meu carinho, meu abraço! A SRª HELOISA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Lu querida, muito obrigada. Lembro nossas conversas eternas, com Lúcia Vânia, com minha irmã Patrícia, com Íris, conversas sobre tantas coisas inimagináveis. Além de agradecer a cessão de sua inscrição - estou conseguindo falar hoje por cessão de S. Exª. O Sr. João Batista Motta (PSDB - ES) - Muito obrigado. Senadora, esteja certa de uma coisa: essa calça jeans e essa camisa branca, o Brasil jamais esquecerá. V. Exª e elas simbolizam hoje a coragem, a determinação, a inteligência, a vontade de servir. Simbolizam o caráter, a humildade e o carinho, mas simbolizam, acima de tudo, o amor, o amor que V. Exª tem pelos seus amigos, tem pelo povo brasileiro, tem pelo Brasil. Aqui, aprendi a admirá-la, como a admira todo o povo brasileiro, mesmo aqueles que não votaram em V. Exª. Peço a Deus que o povo de Alagoas a traga de volta para esta Casa. Fique certa de que, onde eu estiver, estarei com V. Exª nos lábios, na minha cabeça e no meu coração. Que Deus proteja para sempre V. Exª, que é, talvez, a maior estrela deste País. Que Deus a acompanhe! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Amém, Motinha. Obrigada, de coração O Sr. Magno Malta (Bloco/PL - ES) - Senadora Heloísa Helena, este é um momento ímpar para todos nós, de um significado que livro nenhum vai ser capaz de comportar, porque ninguém vai ter capacidade para escrever a emoção e o significado deste dia. É à D. Helena, a sua querida mãe, D. Helena, que certamente, está nos assistindo agora, que me dirijo agora: a senhora produziu uma coisa boa e significativa para este Brasil. Quem vê esta onça na luta não sabe que, no relacionamento pessoal, na convivência com aqueles que a cercam, ela não passa de um gatinho mimado. E a pergunta que fazem, nas ruas, os parentes, os vizinhos, as pessoas que nos cercam, que a admiram e que a vêem de longe e que de longe convivem com a sua bravura... Quando leio o livro do profeta Amós, do boiadeiro Amós, que saiu do meio do mato para lutar a luta dos menos favorecidos, vejo que V. Exª é um Amós de calça jeans e blusa branca, como diz o Senador Motta, quando encarna a luta dos menores, dos menos favorecidos. Daí essa identidade, até porque parece que nós, nordestinos e não nordestinos, de origem tão simples, temos a mesma história. Parece que, quando um de nós conta sua história, está repetindo a história do outro, de dificuldades na escola, dificuldades para compra de um livro, de um caderno, de mãe pobre, de pai pobre. E minha identificação com V. Exª e com milhões de brasileiros é porque nossa história é a mesma, é a história de milhões de brasileiros, é a história dos pobres de Alagoas, dos menos favorecidos, é a minha história, é a história da minha mãe, é a história de tantos milhões que vêem a TV Senado agora. V. Exª se emociona ao ser aparteada, num momento duro para nós e para o Brasil, que a perde no Parlamento - uma perda significativa. Porém, sua família ganha, seus filhos ganham, pois vão recebê-la de volta para com V. Exª conviver por mais tempo, com mais intensidade. V. Exª é uma extremada mãe, e nós, que convivemos com V. Exª, sabemos como é essa mãe Heloísa Helena. As pessoas ligam e nos pedem para lhe dizer que a estão vendo pela televisão, que estão chorando com V. Exª, que estão sofrendo com o Parlamento, nós, que, durante esses quatro anos - e, antes disso, como Deputado Federal, tivemos a assessoria de V. Exª na CPI do Narcotráfico, V. Exª, aqui, e nós, lá -, aprendemos a conviver e tomar lições as mais significativas com sua sensibilidade. Minha mãe, D. Dadá, que era analfabeta profissional, dizia uma coisa que V. Exª encarna muito bem. Ela dizia que a vida só tem um sentido, e o único sentido que a vida tem é quando investimos nossa vida na vida dos outros, ou quando encarnamos a luta dos outros como se ela fosse nossa, a luta do coletivo. Pois V. Exª é a própria encarnação disto tudo: a luta dos outros, dos menos favorecidos, dos discriminados, dos descalços, dos sofridos, dos moradores da rua, dos sem-teto. Foram inúmeras as vezes em que, ao comentar a situação dos drogados, dos bêbados, das prostitutas, dos caídos, dos sofridos, dos abandonados, dos garotos do sinal, do farol, V. Exª fez seus apartes doídos, sofridos, como se essa ferida, como se essa dor fosse sua de maneira muito permanente. Essa guerra que V. Exª estabelece ao pedir verificação de quórum no momento certo - pois conhece o Regimento Interno - e discordar, à sua maneira e dentro da sua crença, e essa sensibilidade extremada com a causa do mais sofredor é que fazem de V. Exª a pessoa bonita e forte que é. A coragem da candidata a Presidente da República de desconcertar repórter no ar, ao vivo, quando se sentia afrontada naquilo que era posto para V. Exª responder é coisa de dar inveja a qualquer homem. Hoje é um dia difícil, pois até quem articula bem as palavras, como o Senador Arthur Virgílio, que é um campeão, gagueja; assim também eu, que não sou campeão como ele na articulação das palavras, também não estou conseguindo raciocinar nada. É assim que me sinto, minha irmã: teu irmão na convivência, no compartilhar. Eu, que mostrava a Bíblia ao Senador Romeu Tuma, quero dizer a V. Exª, profeta Amós de jeans e blusa branca: continue sendo esse profeta Amós, continue com a determinação do profeta Isaías, que denunciava dizendo: "ai daqueles que fazem leis injustas para prejudicar os pobres, as viúvas, os menos favorecidos". Se eu soubesse articular como o Senador Jefferson Péres, recitaria uma poesia agora, mas não tenho essa capacidade. V. Exª vai para onde seu coração mandar: para o Governo de Alagoas, para esta Casa, ou vai disputar novamente a Presidência da República. V. Exª pode não ganhar na segunda nem na terceira, mas talvez um dia tenhamos o privilégio de visitá-la no Palácio e recordar este dia significativo, porque, se Deus escreveu que V. Exª um dia será Presidente da República, não existe força oculta neste País que possa apagar. Por isso, receba o meu abraço, só o meu abraço. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, o abraço de V. Exª, Senador Magno, de sua esposa, de suas meninas queridas. Agradeço, de coração, a generosidade de V. Exª. O Sr. Gilberto Mestrinho (PMDB - AM) - Senadora Heloísa Helena, convivemos aqui durante oito anos e ainda me lembro do primeiro dia de V. Exª, sempre autêntica, franzina, blusa branca, calça jeans e o rabo-de-cavalo característico, mas com uma personalidade que não muda. V. Exª passou aqui quatro anos defendendo o PT, e sou testemunha disso. Eu defendia o Governo Fernando Henrique, e V. Exª jamais tergiversou na defesa do partido de V. Exª, partido em que nasceu e cresceu politicamente. Também vi V. Exª profundamente injustiçada, ferida, mas de cabeça levantada, com a admiração do Brasil inteiro. Todo o povo brasileiro respeita V. Exª. Alguns podem discordar da forma aparentemente radical das colocações que faz, mas isso é típico daqueles que, V. Exª sabe, não aceitam o sucesso dos seus chamados "filhos da pobreza". Aqui, V. Exª sempre lutou coerentemente pelos princípios em que acredita, e deu exemplo ao Brasil. V. Exª não vai fazer falta só ao Senado. Vai fazer falta ao Brasil. Mas eu lhe peço: continue, continue na luta. Eu não voltarei mais para cá, decidi abandonar a vida pública. Mas V. Exª, com certeza, terá um torcedor constante, pela admiração que tenho pela pessoa coerente que é, pelos princípios que defende e, sobretudo, pela fé que demonstra ter, como cristã que é. Assim, querida companheira Heloísa Helena, querida Senadora, o meu abraço, e que seja feliz. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Senador Gilberto Mestrinho. Obrigada. A primeira vez que eu vi um boto na vida, eu liguei logo para o Senador Gilberto Mestrinho, para brincar com ele. Uma coisa linda! Muito obrigada pela delicadeza de sempre. O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Querida Senadora Heloísa Helena, eu diria: "Não chores por nós, Heloísa". Nós é que temos de chorar sua ausência, que, tenho certeza, será breve, nesta Casa. Quando aqui cheguei, há dois anos, não tive o mesmo privilégio dos Senadores que apartearam V. Exª, pois não pude conviver com V. Exª por oito ou por quatro anos. Quando aqui cheguei, há dois anos, eu já conhecia a Senadora Heloísa Helena brava, franzina, mas determinada e corajosa, tida por muitos como ranzinza, mas aprendi a respeitá-la; em seguida, a admirá-la; e, depois, a ter uma aproximação que eu diria fraterna. Minha filha Érica tem por V. Exª um carinho muito grande. Ela está sempre se lembrando dos encontros que teve com V. Exª. Eu diria que ela é apenas um exemplo do que acontece. Na semana passada, ao ter de esperar com V. Exª por nossos vôos, no aeroporto de Brasília, por algumas horas, tive oportunidade de testemunhar, de presenciar o carinho que os brasileiros têm por V. Exª. Até comentei que acreditava que o resultado das urnas não havia sido correto, porque não correspondia ao carinho que a população demonstrava ter por V. Exª. Senadora, eu a admiro pela determinação, pela forma como defende suas convicções. Como disse o Senador Arthur Virgílio, podemos divergir em alguns caminhos, mas há a nos unir, com certeza absoluta, a intenção de vivermos em um País melhor, com uma condição de vida melhor para os brasileiros. Senadora Heloísa Helena, tenho a certeza absoluta de que o exemplo que V. Exª deu à Nação, ao competir nas últimas eleições à Presidência da República, fez com que V. Exª fosse mais conhecida e reconhecida nacionalmente. Sua trajetória política não se extingue, mas, pelo contrário, vai ter continuidade. Tenha a certeza de que o País já deve e muito ficará a dever a V. Exª. Vamos nos encontrar diversas vezes, e, com certeza, haverá o atendimento ao convite que lhe fiz para estarmos juntos no Círio de Nazaré de 2007. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - A Corda! O Sr. Flexa Ribeiro (PSDB - PA) - Que Deus a abençoe e abençoe sua família! Tive também o privilégio de conhecer seu filho e vi a forma fraterna como V. Exª administra a questão familiar. Um grande abraço! Seja feliz! Que Deus a abençoe e a ilumine! A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço, de coração, a V. Exª, Senador Flexa Ribeiro.
Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
Estava assistindo TV Senado e me deu uma saudade que resolvi publicar este "resumo"... A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão da oradora) - Senador Alvaro, vim preparada para não derrubar uma lágrima. Eu tinha me comprometido com a Senadora Patrícia e com a Deputada Luciana. Cheguei, fui falar com o Jefferson Péres e já comecei a chorar. Lembro que algum tempo atrás, de fato quatro anos atrás, quando o nosso querido Senador Artur da Távola não foi reeleito, ele dizia que não ia fazer um discurso de despedida, porque se sentia se despedindo a cada aparte que fazia. Eu estava até pensando em fazer assim também, para não ter que falar solenemente; até porque não consegui preparar o que realmente gostaria de falar. Estou muito mais para agradecer, agradecer a muitos, muitos, muitos espalhados pelo Brasil; agradecer ao meu querido Deputado João Alfredo, a todos que me deram carinho, solidariedade, amor em plenitude, maravilhoso, desinteressado. Quero agradecer a competência e a fraternidade dos funcionários do meu gabinete, além dos assessores, terceirizados, todos, cada um com seu jeitinho próprio, mais ou menos calmos ou alvoroçados, ou mais ou menos risonhos, mas todos muito queridos, especiais, preciosos. Meu tributo a cada um deles, a cada uma delas. Não vou citar o nome de cada um, desde a época da Claudinha até hoje, sob o doce comando do nosso querido José Antônio. Quero agradecer a todos e todas que foram presença delicada e generosa em minha passagem por esta Casa. Agradeço aos Senadores, aos servidores da Casa, de todos os setores; aqui no plenário, agradeço à Claudinha, ao Carreiro, ao pessoal da Taquigrafia e da Mesa, a quem atormentei muitas vezes; agradeço ao pessoal da limpeza, do cafezinho e dos elevadores; à Polícia Militar e à Polícia da Casa, daqui ou do apartamento onde morrei; enfim, a todos que foram presença muito delicada e muito generosa.
O Sr. Jefferson Péres (PDT - AM) - Creio que o Senador Arthur Virgílio cede-me a vez pelo fator idade. Não sei. Minha cara Heloísa, você - você! - eu aparteio de pé. Cometi um alto engano. Dentro de mim, eu esperava que este momento não chegasse nunca, mas chegou esta triste cerimônia do adeus. Senadora, já me despedi de muitos Senadores nesta Casa, alguns do porte de Darcy Ribeiro e Josaphat Marinho. Mas, creio, nenhuma dessas despedidas me comoveu tanto quanto esta, pela nossa identidade, pelas nossas afinidades, embora sejamos tão diferentes, pela nossa origem. V. Exª é de um lar mais pobre que o meu; eu, de uma família de classe média, média. V. Exª, católica praticante; eu, um agnóstico. V. Exª, uma nordestina, filha da caatinga; eu, um amazônida, filho da várzea. Tão diferentes climaticamente, mas creio que se irmana a nossa gente pelo sofrimento. Um grande escritor da minha terra, citando essa diferença entre o Nordeste e a Amazônia, dizia: "No Nordeste, o sol resseca a cacimba para encher de lágrimas os olhos do sertanejo. Na Amazônia, o rio inunda a várzea para secar de angústia o coração do caboclo". Eles se irmanam no sofrimento, Senadora. V. Exª, uma socialista apaixonada; eu, um liberal convicto. Mas creio que não são duas paralelas que não se encontram nunca, nem no infinito; acho que são dois rios que se encontram no estuário do humanismo, que é a nossa marca, Senadora, que é o nosso senso ético, que é a nossa permanente indignação com todas as formas de injustiça. V. Exª, com esse mercurial entre o riso e o pranto, faz-me lembrar um soneto de um grande poeta da minha terra, Luiz Bacellar; uns poucos versos que dizem assim: "Entre lágrima e riso a rosa nasce. E se esse poder de riso nos subjuga, o poder de lágrima profundo se faz em claridade e lava o mundo". Isso é Heloísa Helena. V. Exª me lembra uma flor, uma rosa, mas não púrpura como V. Exª se pretende; uma rosa azul que consegue vicejar no pântano, imunizada contra a poluição em torno. Você, minha cara Heloísa, faz-me lembrar o soneto porque é uma figura chapliniana: entre a lágrima e o riso. Hoje nos despedimos. Sabe Deus como estou contendo o pranto, porque a dor é muito grande! V. Exª se vai, chaplinianamente: uma figura patética e comovente, pelas veredas do mundo, a pregar a sua utopia. Vá, Senadora! Vá, minha querida Heloísa! Mas, neste momento - e eu já usei essa imagem literária de outra vez quando a saudei -, V. Exª me faz lembrar aquela figura da Sônia, de Crime e Castigo, de Dostoievski, e eu, um Raskolnikov, que me prosterno aos seus pés. Ele, beijando nos pés daquela filha do povo toda a humanidade sofredora; eu, beijando nos seus pés aquela parcela descente que faz parte da humanidade. Heloísa, você vai pelas veredas do mundo e leva de mim, talvez, apenas uma lembrança fugaz, mas você deixa comigo, esteja certa, para sempre, imperecível, uma imorredoura saudade. O Sr. Arthur Virgílio (PSDB - AM) - Senadora Heloísa Helena, conheci V. Exª quando eu era Líder do Governo Fernando Henrique, e V. Exª, a brava e intimorata Líder do Partido dos Trabalhadores. Para falar a verdade, tenho a impressão de que eu não exageraria um pingo se dissesse que, àquela altura, sem nos conhecermos na verdade, não havia a menor eiva de simpatia pessoal de um pelo outro. À distância, eu simplesmente não gostava de tudo o que lia de V. Exª e também do que eu não lia e sabia que V. Exª não precisava me ler ou não me ler, ouvir-me ou não para, do mesmo modo, não simpatizar com as minhas posições. Não exatamente com as minhas posições; acho até que era algo além, talvez com a minha pessoa, porque de minha parte era com sua pessoa. Então, cheguei ao Senado e percebi, primeiro, o primeiro gigantesco erro de uma série de outros erros cometidos pelo Governo atual, que foi não ter sabido compor com V. Exª, com a coerência de V. Exª, dando-lhe o espaço para uma dissidência que poderia ser momentânea. Eu via, do início, que V. Exª seria a grande Líder do Governo, a grande Líder, quando nada - e não sei se teria vocação para a Liderança do Governo que exerci por tanto tempo -, do Partido dos Trabalhadores, uma Líder inigualável, pela capacidade de nos dar combate, pela capacidade de defender com legitimidade os pontos de vista do Governo cujas eleições V. Exª havia ajudado a vencer tão brilhantemente em 2002. E aqui começamos a travar um conhecimento que, em muitos momentos, levou-nos a - e o Senador Jefferson Péres passou de raspão, mas mencionou isso - momentos de aliança tática. Estamos contra fatos de corrupção, estamos contra fatos administrativos equivocados, sem prejuízo dos momentos em que dissentimos - e muitas foram as vezes, mas sempre com bom humor, em que dissentimos -, até porque V. Exª tem as posições que tem, declara-se trotskista, declara-se socialista pela via trotskista. Para mim, V. Exª é uma espécie de Arlette Laguiller do Brasil - refiro-me àquela líder francesa que é detentora de um percentual de votos significativos naquele País, representando precisamente o trotskismo. Sabe V. Exª que tenho idéias que levam a acreditar que a economia de mercado é a que é capaz de produzir mais riquezas e que cabe aos governos - e, portanto, não deixar o laissez faire, laissez passer - aproveitarem as riquezas que a economia de mercado produz para promoverem a distribuição dessa riqueza e promoverem o maior nível de bem-estar social que seja possível. Ou seja: somos diferentes quando pensamos, quando ideologizamos, quando colocamos nossas idéias em prática. Mas aqui aconteceram fatos. Eu via V. Exª, primeiro, como uma grande conhecedora do Regimento - e isso não surpreende, porque bastava ler o Regimento, bastava praticá-lo, bastava recorrer à jurisprudência da Casa -; depois percebi que, apesar da idade tão tenra - V. Exª, que vinha de uma experiência de Deputada Estadual e tinha, até eu chegar aqui, quatro anos como Senadora -, V. Exª tinha uma sabedoria que eu passava insistentemente para os meus colegas e companheiros de partido, talvez aqueles que não tivessem de início lidado tanto com V. Exª quanto eu lidei. Eu dizia: Heloísa é uma surpresa; ela é sábia; ela tem um senso político fantástico; ela sabe exatamente a hora em que deve falar, a hora em que não deve falar; ela sabe exatamente como se conduzir; e, o mais grave: ela é sincera. Ou seja: não é alguém que satisfaça a expectativa simplória dos que gostariam de vê-la uma destrambelhada, porque não o é, e, ao mesmo tempo, decepciona aqueles que se entregam à fisiologia, porque V. Exª, que destrambelhada não é, fisiológica, muito menos e, portanto, muito menos capaz de cair em cantos de sereia. Ao contrário, mostrou a disposição de chegar até a se imolar em nome de suas convicções. Se V. Exª me perguntar: "Com qual das minhas convicções V. Exª concorda?" Eu digo que concordo com o combate à corrupção. Se formos esmiuçar as nossas diferenças, vamos encontrá-las aos milhões. Se formos buscar as nossas aproximações, teremos milhões de aproximações humanas e teremos uma ou outra no plano das idéias, e todas elas desligadas da visão de mundo maior. Agora, eu tenho uma convicção muito simples. Eu falei em Arlette Laguiller porque ela é fadada a ser Presidenta da França? Não. Ela optou por um caminho que não lhe permite ser Presidenta da França, mas ela é fadada a ser uma Deputada quando se elege em seu distrito - e lá a eleição é muito dura. É uma Deputada importante, relevante, alguém que pesa sobre os destinos da França e que decide uma eleição. V. Exª fez uma opção muito dura, muito difícil, muito corajosa e muito sensível. V. Exª simplesmente disse: "O meu conjunto de idéias é este e eu não vou abrir mão dele". E aqui devo dar o depoimento ao País de que V. Exª não abriu mão de nenhuma de suas idéias. V. Exª pergunta: "Senador Arthur Virgílio, V. Exª concorda mais comigo ou com muitos de seus adversários que estão no Governo?" Eu digo que concordo muito mais com eles quando falamos de economia e quando falamos de uma porção de fatores ligados à gestão da economia brasileira. No entanto, se me perguntarem quem respeito mais, aí V. Exª ganha de goleada - aquela goleada que eu torceria que o Flamengo desse todos os domingos no Maracanã: 12x2, 13x0, 15x1. Por outro lado, V. Exª não praticou nenhum ato de suicídio. V. Exª obteve uma votação expressiva, falou para o Brasil, e o Brasil não só a conhece como a reconhece. V. Exª fez uma campanha de penúria, uma campanha brava. Diz o Senador Jefferson Peres que V. Exª vai, e eu digo que não sei se V. Exª não volta. A política é fascinante precisamente porque dá muitas voltas, permite muitos contornos nas vidas da gente. Cito, a propósito, o exemplo de alguém que também não é de seu espetro ideológico. Em 1960, Tancredo Neves perde eleição, em novembro, para Magalhães Pinto. Tancredo é muito maior que Magalhães - Magalhães tem retrato na história, retrato 3x4; Tancredo Neves tem um pôster na história. Jânio assume em 1º de janeiro de 1961. Em agosto do mesmo ano, Jânio renuncia, e vem a solução parlamentarista em setembro. Quem é o homem-síntese para pacificar o País naquele momento? Tancredo Neves, que havia voltado a seu escritório de advocacia e estava imaginando que teria de disputar um mandato de Deputado na eleição de 1962, dois anos depois, para sobreviver politicamente - ele, que era, no bom sentido, um político de profissão, que pensava na política acima de tudo, 24 horas por dia. Digo isso, porque não vejo que V. Exª não retorne ao Senado Federal. E aí vem um dado triste: quando retornar, muitos de nós aqui não estarão. V. Exª poderá retornar. Retornaria ao Congresso pela via da Câmara Federal, eleita por qualquer Estado deste País. Qualquer Estado deste País teria a honra de lhe conceder votos suficientes para que o representasse na Câmara Federal. E V. Exª é alguém que tem essa responsabilidade, que é santa, de fazer um partido no qual tanta gente não crê, um partido que, depois de feito, deve ter lhe causado muitas decepções - pessoas que se elegem ao abrigo dos votos e do carisma de V. Exª e depois começam com atitudes que nem sempre são as mais firmes, que nem sempre são as mais corretas, as mais lisas, as mais diretas. Mas, V. Exª diz: "Estou disposta a fazer de novo o partido, estou disposta a enfrentar o que tiver de enfrentar". Em outras palavras, é ilusão de algum adversário seu imaginar que V. Exª perdeu a vida política; é ilusão achar que V. Exª está fora da política. Não estará. Eu mesmo, no primeiro momento, convocarei V. Exª a vir depor em alguma comissão aqui para que volte a conviver conosco, emprestando-nos a sua experiência, a sua sabedoria, a sua coragem e o seu patriotismo. Finalmente, é ilusão imaginar que V. Exª simplesmente esgotou um ciclo com idade tão tenra e, ao mesmo tempo, com a felicidade que teve - encare por aí - de disputar uma eleição para Presidente da República - eleição levada a sério, eleição séria. V. Exª não fez papel de candidato de brincadeira, não fez papel de candidatura para inglês ver. V. Exª disputou a Presidência da República sem dinheiro, sem meios, sem estrutura e sem logística. Disputou a Presidência da República, viajou o País inteiro e, hoje, se parar em qualquer esquina deste País, é reconhecida, aplaudida, respeitada. Esse é um patrimônio. Nem todo mundo é obrigado a votar em V. Exª - e a maioria não vota -, mas V. Exª tem votos bastantes para retornar à vida pública no momento em que quiser - refiro-me à vida pública com mandato, porque sem mandato V. Exª sempre estará na vida pública. Por outro lado, V. Exª deve colocar na cabeça o seguinte: seu mais arraigado inimigo de seu antigo partido tem todos os direitos, inclusive o de expulsá-la, mas não tem o direito de desrespeitá-la. Todos têm de respeitá-la. E aqueles que optaram por não votar em V. Exª, a começar por mim, têm o dever de respeitá-la - eu com particular e familiar afeto. Muito obrigado. A SRª HELOÍSA HELENA (P-SOL - AL) - Obrigada, Arthur. O Sr. Romeu Tuma (PFL - SP) - Senadora Heloísa Helena, jovem guerreira, tenho certeza de que V. Exª analisou todos os riscos que corria nessa sua candidatura à Presidente. Mas decidiu ter a coragem de enfrentá-la para colocar ao conhecimento da sociedade o seu pensamento e aquilo que realmente poderia servir ao cidadão brasileiro. Eu via na televisão os seus programas, aquele buquê de girassol sempre no seu colo e um sorriso, mas com a fisionomia cansada de lutadora. Os Senadores Arthur Virgílio e Jefferson Péres já fizeram um perfil de V. Exª. Dou graças a Deus de ainda termos lágrimas para chorar as saudades daqueles que aprendemos a admirar. As suas lágrimas comovem a sociedade. V. Exª sempre usou essa tribuna, enfrentando toda e qualquer adversidade, jamais se curvando àqueles que pretendiam desonrá-la. Esse é um exemplo maravilhoso. Eu diria que, aos poucos, as mulheres vão ocupando espaços que até então só nós, homens, tínhamos. E os usam com a grandeza da alma e do coração, com a certeza de que seu amor é maior do que o nosso para com aqueles que precisam da nossa ajuda. V. Exª não se despede, porque a alma, o espírito, o coração, a figura, a imagem de V. Exª nas nossas vistas ficará presente para sempre. Não sei se estarei aqui na sua volta, como diz Arthur Virgílio, mas estarei torcendo sempre por V. Exª. A sua coragem a faz voltar para os bancos escolares, para ensinar à juventude aquilo de que o Brasil precisa, como se conduzir na vida pública, na vida privada. Deus estará sempre ao seu lado. Tantas e tantas vezes ouvi, na sua voz, a leitura da Bíblia, nesta cadeira, Senadora. Vou sentir falta. Acho que vou comprar uma Bíblia para poder lembrar, e vou pôr a sua fotografia na capa para não esquecer as palavras amorosas, sempre carinhosas, esse sorriso rico de alegria e de esperança que a senhora traz nos seus lábios. Que Deus a proteja e que o seu caminho seja sempre iluminado! A senhora jamais fracassou. Quando perdemos alguma coisa com honra, isso não representa fracasso. V. Exª honrou a campanha eleitoral. Boa sorte, Senadora, e conte sempre com o amigo. Dizem que não posso me emocionar devido a razões médicas, mas quem não vai se emocionar perante uma figura maravilhosa como a sua? A SRª HELOISA HELENA (P-SOL - AL) - Agradeço de coração, Senador Romeu Tuma. Não consigo nem comentar tanta delicadeza. São oito anos de convivência com o Senador Jefferson Péres. Por tantas vezes nos juntávamos eu, o Senador Jefferson e o Senador Lauro Campos. Vou deixar a minha Bíblia com V. Exª, toda riscada, cheia de detalhe, Senador Romeu Tuma. Senador Arthur Virgílio, tão querido, que até brinco com ele, quando digo que, na revolução, ele está frito, mas ele sabe o quanto é meu amigo, e Goreth... Ele conquistou o coração do meu filho.
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Um Toyota Corolla foi recuperado por policiais rodoviários graças a um erro de grafia na adulteração das placas. O nome da capital catarinense - Florianópolis - estava grafado "Frorianópolis". O homem que dirigia o carro foi preso.
O veículo foi parado na altura do km 439 da rodovia Régis Bittencourt, sentido Paraná. O erro das placas foi reproduzido também nos documentos apresentados pelo comerciante que dirigia o carro. Por meio dos números do chassi e do motor, a Polícia Rodoviária Federal descobriu que o carro havia sido roubado no dia 31 de maio de 2006 em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O comerciante disse ter comprado o veículo por R$ 5.000 em um shopping de Florianópolis. O preço de mercado é de aproximadamente R$ 50 mil. Ele foi preso e autuado em flagrante por uso de documento falso e receptação de carro roubado.
Pra reparar nos próximos filmes... * Durante toda e qualquer investigação policial, será necessário visitar um strip club, ao menos uma vez;
* Todos os números de telefone nos USA começam com 555; * A maioria dos cães é imortal; * Se estiver sendo perseguido pela cidade, você pode se esconder no meio de uma parada do dia de São Patrício - em qualquer época do ano; * Todas as camas têm lençóis especiais em 'L', cobrindo as mulheres até a altura das axilas e os homens até a linha da cintura; * Qualquer saco de compras de alguém que sai de uma padaria vai conter pelo menos uma baguette; * É muito fácil para qualquer pessoa pousar um avião, desde que haja alguém na torre de controle passando as instruções; * Uma vez que se passa batom, ele não sai mais, mesmo que a pessoa mergulhe utilizando um snorkel ou scuba; * O sistema de ventilação de um prédio é o esconderijo perfeito. Ninguém pensará em te procurar lá e você pode se deslocar para qualquer outra parte do prédio sem dificuldades; * Se você precisar recarregar sua arma, sempre haverá mais munição; * É muito provável que você sobreviva a qualquer batalha, em qualquer guerra. A não ser que você cometa o erro de mostrar a alguém uma foto da pessoa amada que está te esperando em casa; * Se você tiver de se passar por um oficial nazista, não é necessário saber falar alemão. Falar inglês com sotaque alemão já será o suficiente; * Se sua cidade estiver ameaçada por um desastre natural iminente ou por uma fera assassina, a primeira preocupação do prefeito será o dinheiro dos turistas; * A Torre Eiffel pode ser vista de qualquer janela em Paris; * Um homem não demonstrará sentir qualquer dor sendo esmurrado em uma luta, mas vai gemer quando uma mulher for limpar os ferimentos; * Se uma grande vidraça fica visível por mais de um segundo e meio, logo alguém será jogado através dela; * O Chefe de Polícia sempre é afro-descendente; * Se for pagar um táxi, nunca olhe pra carteira ao pegar o dinheiro. Pegue aleatoriamente qualquer nota e entregue ao taxista. Será sempre a quantia exata; * O intercruzamento é possível com qualquer criatura de qualquer canto do universo; * Cozinhas não tem interruptores de luz. Ao entrar numa cozinha a noite, você precisa abrir a geladeira e usar a iluminação dela; * Se estiver numa casa mal-assombrada, uma mulher deve investigar qualquer ruído estranho vestindo apenas a lingerie mais ousada possível; * Se você iniciar um processador de texto num computador, ele nunca mostrará um cursor na tela, mas sempre mostrará: "Enter Password:"; * Mães prepararão todos os dias ovos, bacon e waffles para sua família todas as manhãs, mesmo que seu marido e filhos nunca tenham tempo para comer; * Carros que batem ou capotam sempre se incendiarão; * O Chefe de Polícia sempre suspenderá seu principal detetive. Ou lhe dará 48 horas para concluir a investigação; * Um único fósforo será suficiente para iluminar um galpão; * Mendigos medievais tinham dentes perfeitos; * Toda pessoa que acorda de um pesadelo vai se sentar na cama e ofegar; * Não é necessário dizer "alô" ou "tchau" ao iniciar ou terminar uma conversa no telefone; * Mesmo que você esteja dirigindo numa estrada completamente reta, é necessário virar o volante vigorosamente para a direita e para a esquerda a cada poucos segundos; * Toda bomba está equipada com um contador regressivo, com um grande display digital vermelho, de maneira que você sempre possa saber quando ela irá explodir; * Sempre é possível estacionar bem na frente do prédio que você está visitando; * Um detetive só conseguirá resolver um caso complicado quando for suspenso do trabalho; * Se você começar a dançar na rua, todo mundo que estiver por perto começará a dançar junto. ( E saberá todos os passos da coreografia); * A maioria dos laptops é potente o suficiente para sobrepujar os sistemas de comunicação de qualquer civilização alienígena que tentar invadir a Terra; * Não importa se você estiver em larga desvantagem num combate que envolva artes marciais. Seus inimigos sempre o atacarão um de cada vez, dançando e gritando de maneira ameaçadora até que você tenha derrubado os predecessores; * Quando alguém é nocauteado com um golpe na cabeça, ele nunca sofre uma concussão ou qualquer dano cerebral; * Os departamentos de polícia sempre aplicam testes de personalidade a seus detetives, para assegurar que lhes seja designado um parceiro que seja justamente o seu oposto; * Mesmo quando estão sozinhos, os estrangeiros preferem falar em inglês entre si; * Toda porta pode ser aberta com um clipe de papel ou um cartão de crédito - a não ser que seja a porta de uma casa em chamas com uma criança dentro; * Você sempre encontrará uma motosserra com o tanque cheio quando precisar; * Uma cerca elétrica, potente o suficiente para machucar um dinossauro, não causará qualquer tipo de seqüela em uma criança de 8 anos; * É comum que qualquer telejornal apresente uma notícia que te afeta pessoalmente naquele dado momento.
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