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Domingo, Maio 27, 2007
É A Vista De Um Ponto Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiência tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim. Fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo em que habita. Leonardo Boff
Sexta-feira, Maio 25, 2007
Quem votou, e mesmo quem não votou em Lula em 2002, na eleição que deu fim à sina ironizada por Paulo Maluf - de que o petista era competente, pelas tantas vezes que havia competido - há de lembrar do bordão que marcou aquela campanha finalmente vitoriosa. Diante dos oito anos de governo tucano, era chegada, segundo defendia o então partido da ética e da renovação, a hora da esperança vencer o medo. O mote convenceu o eleitorado e nem mesmo a enxurrada de denúncias e crises que marcou a segunda metade do primeiro mandato do ex-líder sindical foi capaz de impedir que, em outubro de 2006, exatos 58.295.042 eleitores, não apenas do PT, mas principalmente de Lula, hoje muito maior que a legenda que ajudou a criar, reafirmassem sua confiança.
O que nos leva mais uma vez ao bordão. Esperança não faltou entre 2003 e 2006, assim como sinais positivos, mas, diante da agenda que norteou a caminhada vitoriosa rumo ao Palácio do Planalto, muito não foi feito. E nem se fala das promessas de geração de empregos que depois, descobrir-se-ia, haviam sido mal interpretadas - seriam um diagnóstico, e não um compromisso. O mais gabaritado economista, como o menos esclarecido eleitor, entenderam, a seu modo, a opção preferencial de Lula pelo arrocho nos primeiros quatro anos de governo. Afinal, as reservas internacionais e os compromissos com os bancos ainda vinham em níveis preocupantes, assim como o déficit das contas públicas e o superávit da balança comercial. Na didática do presidente, um trabalhador não pode gastar mais do que tem e sabe que, se não há aumento de salário, a única forma de juntar um dinheirinho para comprar a tão sonhada TV nova é fechar a carteira e gastar menos. Assim foi feito e, na lógica do Planalto, chegou a hora de colher os frutos do sacrifício. O que se traduz na profusão de siglas: PACs, PDEs e outros tantos que ainda esperam pelo momento de vir a público. Na conversa com os jornalistas, semana passada, Lula fez questão de dizer que, como não tem a preocupação de fazer campanha, pode enfrentar os desafios, sem medo. No dia seguinte, diante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, criticou o Congresso por ter protelado a apreciação das reformas previdenciária, política, tributária e trabalhista. É exatamente aí que o calo aperta. Quem se lembra do programa de governo apresentado no longínquo 2002 sabe que as reformas eram apontadas como prioridades. A sindical, por exemplo, foi alvo de uma longa discussão no Fórum Nacional do Trabalho, que reuniu, em uma mesma mesa, patrões, empregados e governo. Mais do que isso, chegou-se, em 2005, a uma proposta (a PEC 369) que, se implicava em perdas e ganhos para cada setor, representava um compromisso aceitável para as partes envolvidas. "Patrocinador" da empreitada na qualidade de ministro do Trabalho, o hoje deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) trocou a euforia inicial pela certeza de que "a reforma não seria para agora". E assim foi com a reforma tributária, que mofa no arquivo do Congresso há três anos. Foi o governo federal, e não a oposição, quem bateu o pé para votar a PEC 285 em sua integridade, deixando os prefeitos a ver navios desde então, devido à falta de um acordo entre os estados sobre a questão do ICMS. Talvez o presidente Lula se esqueça que deve partir do governo, até porque tem maioria, a mobilização para garantir quórum na Câmara e no Senado. O que não ocorreu até 2006 por conta da forma equivocada pela qual foi construída a base aliada, alimentada por cargos e emendas. Agora, fala-se em coalizão e a contabilidade governista aponta para uma maioria folgada, ao menos entre os deputados - deixando de fora o PV, são 365 dos 513, ao menos na teoria. O problema é que certos vícios da política brasileira prevalecem. Não há como pensar no sucesso de qualquer votação enquanto o PMDB não for contemplado com os cargos que reivindica no segundo e terceiro escalões. E assim com o PP, o PR, o PTB e tantas outras legendas do "rolo compressor" governista. E votar as reformas significa contrariar, em alguma medida, interesses de governadores, prefeitos, aliados, rivais, empresários, trabalhadores e, acima de tudo, dos próprios políticos, que não querem mexer nas regras do sistema que os favorece e estimula a infidelidade e a impunidade. Não há como contemplar a todos, sempre. O melhor remédio para que a esperança vença o medo está nas palavras do próprio Lula aos jornalistas. "Quem quiser votar contra, atrás de nomeação de cargo, pode votar contra. O que eu estou propondo aos partidos políticos e, graças a Deus, estamos construindo uma harmonia, é construir uma coalizão neste país". O desafio talvez não seja fazer a esperança vencer o medo, mas as palavras virarem ação. ESTADO DE MINAS (MG) - 21/5/2007 A pena e a espada HAVIA PAÍSES onde ser escritor envolvia mais do que publicar e ser lido. Em tais lugares, os autores consideravam-se e eram não raro considerados a consciência da nação ou a voz do povo, os portadores dos valores tradicionais ou o símbolo da resistência. Eles eram, enfim, figuras sobre-humanas, heróis da comunidade. Uma frase atribuída a Charles de Gaulle ilustra bem esse estatuto. Quando, durante os distúrbios estudantis de 1968, Jean Paul Sartre desceu às ruas da capital francesa para se unir aos jovens, o velho soldado orientou seus policiais a não o perturbarem, dizendo que "não se prende Voltaire". Talvez o militar estivesse apenas preocupado com as repercussões negativas, mas tampouco é improvável que respeitasse a profissão das letras e o renome que esta emprestou à França. Convém, afinal, lembrar que foi nesse país que, durante as últimas gerações do antigo regime, os escritores conquistaram um novo papel que lhes concedia prestígio social e influência política. Antes disso, um escritor era simplesmente um escritor, alguém que entretinha e, às vezes, instruía o público leitor, um profissional em nada diferente de um compositor como Mozart, que, segundo a lenda, comia com os serviçais na cozinha dos príncipes Esterházy ou de um Casanova que, conforme foi retratado por Fellini, chegara à velhice obrigado a reclamar de seu macarrão em alguma pequena corte européia. Que, no final do século 19, durante o "caso Dreyfus", cujo desenrolar envenenou todas as dimensões da vida pública francesa, um romancista como Zola pudesse se dirigir diretamente ao presidente do país e questionar-lhe as decisões no seu célebre "J"Accuse" (Eu Acuso) prova que, se nada, o papel do escritor tornou-se ainda mais central após a revolução de 1789. E resistiu relativamente intacto até a transição da quarta para a quinta república, na qual um dos principais conselheiros e ministros de de Gaulle era André Malraux. Os comunistas, influentíssimos então, podiam discordar em tudo do governo, mas eles também cuidavam de recrutar suas próprias celebridades literárias. Se foi na França que essa história começou, ela continuou, de acordo com padrões diferentes, em grande parte da Europa e das Américas (em particular a hispânica). Na metade centro-oriental do continente, a conversão dos escritores em porta-vozes da nacionalidade se deveu, na virada dos séculos 18/19, ao romantismo. Sob influência sobretudo germânica, povos como os poloneses, tchecos, húngaros, sérvios etc., enredados então no âmbito de impérios multinacionais, passaram a equacionar seu desejo de independência com a afirmação da singularidade irredutível de sua história e de seu caráter nacional. Se, digamos, os tchecos eram essencialmente distintos em sua língua, cultura, tradições, tanto dos vizinhos como dos austríacos que os dominavam, decorria daí que tinham um direito intrínseco a seu país soberano. E quem melhor para destacar a singularidade em questão do que autores patrióticos, os poetas em especial, que, dependentes da língua local, faziam o possível para, por um lado, por meio da exploração do folclore, enraizá-la na memória popular e, por outro, transformá-la em instrumento digno da alta cultura? Foi assim que, na região, os bardos românticos se transformaram em sumos intérpretes da alma do povo e em profetas da independência. Por meio de sucessivas reencarnações tal papel perdurou ali até tempos recentes, pois não foi de modo algum secundário o que os escritores fizeram para se contrapor, primeiro, à hegemonia alemã e, logo depois, enquanto dissidentes, à russo-soviética. Nada o demonstra melhor do que a quantidade de autores executados ou encarcerados. O caso russo, embora aparentemente distinto, reúne elementos seja do francês, seja do europeu oriental. Sendo a Rússia mesma um império, não havia ocupante estrangeiro a combater, nem hegemonia cultural à qual se contrapor. O peso do regime tsarista, porém, bem como o de seu sucessor stalinista, e a distância que ambos mantinham em relação ao grosso da população permitiram aos escritores, que amalgamaram liberalismo ocidental e nacionalismo étnico, tratar o governo como algo externo, alheio à verdadeira Rússia representada por seu povo. Se o modelo do escritor tribuno não tem mais lugar no mundo contemporâneo, a memória de dois séculos, quando a pena duelava com a espada, continua influente. Embora de útil não renda nada, sua influência ainda leva literatos a namorarem idéias e ideologias que lhes prometem um papel mais nobre que o do cidadão comum. Nelson Ascher - FOLHA DE SÃO PAULO (SP) - 21/5/2007
Sexta-feira, Maio 18, 2007
adota as sacolas oxi-biodegradáveis "Acreditamos estar fazendo a nossa parte", diz o suinocultor Jaime Maccari. Ecologia
Curitiba, PR (15/05/2007) - A agroindústria familiar Maccari, de produção de salames, embutidos, carne suína e derivados, da comunidade de São Miguel, interior de Francisco Beltrão, passou a adotar as sacolas oxi-biodegradáveis na comercialização dos seus produtos. Os irmãos Maccari estão testando as novas sacolas e despertando a atenção de clientes e consumidores, mas já se dizem convencidos não só pela qualidade do material, mas também pela certeza de estarem contribuindo para reduzir a poluição do Planeta. "Quando chove, é mais fácil perceber a quantidade de plástico jogado nas ruas da cidade, que entopem os bueiros ou são carregados pela enxurrada. No meio rural não é diferente, você passa nas estradas e percebe quanto lixo é jogado na natureza", diz o suinocultor Jaime Maccari. "Acreditamos estar fazendo a nossa parte. Nós, agricultores, usamos e vivemos no meio da natureza; a nossa vida depende de preservar os seus recursos", argumenta. O pequeno frigorífico de Francisco Beltrão adquiriu três mil sacolas, quantidade suficiente para aproximadamente 90 dias de uso. As sacolas plásticas oxi-biodegradáveis se decompõem em aproximadamente 18 meses, enquanto que as tradicionais, se não forem incineradas, levam centenas de anos para desaparecerem. Até lá, elas causam enormes estragos ao meio ambiente e se configuram numa das principais vilãs do lixo urbano. Contatos: Jaime Maccari - (46) 9917-7177 Jornalista: Thea Tavares Não deixa de ser curioso que o papa Bento XVI condene o machismo na América Latina, se a Igreja Católica é a primeira a restringir a atuação das mulheres, até hoje proibidas de oficiar missas. Rosane de Oliveira - ZERO HORA (RS) - 14/5/2007 Nota zero para o "Neura" da MTV. Entre as opções de resposta para a pergunta "Que alimento faz bem ao coração?" apareceu escrito "giló" (sic). Olha só o perigo que o chuchu está correndo, vai ser chamado de "xuxu". Controle Remoto - O GLOBO (RJ) - 14/5/2007
Quinta-feira, Maio 10, 2007
Que troço é esse? Tem um troço novo aí. Lula inventou, neste governo, a feijoada ideológica.
Os tucanos são bichos hesitantes, cheios de "se" e de "talvez". Lula está realizando, na prática, uma espécie de baixo-tucanismo, unindo tudo, homogeneizando tudo, num sarapatel político-partidário. Lula sacou que o PSDB não tem mais programa. O PSDB existia através de FH, Serra, Tasso e mais meia dúzia, mas sem militância alguma. Que partido é esse, ilegível, sem plataforma clara, a não ser uma vaga promessa de elegância socialdemocrata mais complexa? O PT falava coisas mais óbvias e mais legíveis: fome, rico e pobre, imperialismo, Estado. O PT deu mais ibope, foi mais fácil de entender. Mas, graças à intervenção salvadora de Roberto Jefferson, para sorte do Lula e do Brasil, acabou o PT-bolchevista voluntarista, infiltrado no Planalto. E, cercado de peleguismo sindical, nasceu o "lulismo", que é invulnerável, resiste como almofada às espadas, é molenga, plástico, adaptável. Lula continua a usar a linguagem do PT (na mídia e no marketing), junto com uma prática inominável, um tucanismo-peemedebista-pessedista- sei-lá-o-quê. Qual o projeto do lulismo? Resposta: união de todos para o bem da imagem do Lula em nossa História. Só. O lulismo esvazia nossa indignação, nossa vontade de crítica, de oposição. Para ser contra o quê, se ele é "a favor" de tudo? Como escreveu muito bem Demétrio Magnoli, outro dia no GLOBO, a propósito da adesão do professor Pardal, o Roberto Mangabeira Unger, ao governo. (O professor Pardal é aquele jurista americanizado e afascistado que fala com o mesmo sotaque do Henri Sobel e que declarou, há um ano, que "Lula devia ser impichado e que seu governo era o mais corrupto da História"). Diz Magnoli: "Lula não convidou Mangabeira para o círculo ministerial por não ter lido o que ele escreveu contra ele, mas, precisamente, por ter lido. Agindo com requintada crueldade, o presidente inventou, para abrigar o intelectual, uma Secretaria de Ações a Longo Prazo, que é uma piada literal já chamada de Sealopra. Mas a operação não se cinge à humilhação e serve a um objetivo presidencial estratégico: dissolver a ética da convicção no ácido da galhofa pública". Esse texto é na mosca. É o segredo da estratégia do lulismo: a todos cooptar e a todos desmoralizar, enfiando-os no círculo de um poder abstrato para nada, já que ele não fará nada, atolado na feijoada das alianças, a não ser o mínimo necessário, ajudado por seu imenso "rabo-para-a-lua" - a economia mundial bombando como nunca. Não precisa nem ter governo, pois tudo anda sozinho. Seu Executivo estatizante só serve para atrapalhar. Outro dia, disse-me um ex-ministro do Planejamento: "Eles preferem que as estradas apodreçam a privatizá-las". Eu já achei que o Lula poderia ficar autoritário, no segundo mandato, mas Lula é bem mais esperto que eu: ele inventou a manemolência tão nossa, o bundalelê partidário, o coração-de-mãe onde sempre cabe mais um. Lula se apropriou da "cordialidade" tradicional para esvaziar resistências. Lula não quer se aporrinhar, põe qualquer chapéu. Ele é ecumênico: todas as religiões podem adorá-lo. Lula desmoralizou os escândalos, vulgarizou as alianças, se abraçou com Barbalho, Newtão, todos... Ele subverteu tudo, inclusive a subversão. Os comunas xingam-no "na moita", pois estão todos bem empregadinhos; hoje em dia, na Argentina e na Venezuela, ele já é chamado de "neoliberal". E nós estamos nos acostumando à decepção, aprendendo a querer pouco. Tem um troço esquisito aí... Tínhamos duas formas de esquerda: uma light e uma dura. As duas se liquefizeram. Ficou uma vaga saudade de FH, enquanto Lula usa os slogans da velha esquerda, da boca para fora, deprimindo os acadêmicos que ele seduzira. O que dói é imaginar o que Lula poderia fazer, com maioria no Legislativo e oásis econômico mundial. Mas não faz, não quer fazer marola, chatear ninguém. Não há nem oposição e nem "situação" claras. Só ele, se movendo no meio: um messias sem programa, um messias de si mesmo. Tem um troço esquisito aí, mas ninguém sabe o que é. Tem um troço na cara das pessoas, na esperança das pessoas, um troço estranho que tentamos entender, mas que passa, como um passarinho ou um passaralho no ar. Tem um troço poluindo a cabeça das pessoas, o afeto das pessoas. "Precisamos combater esse troço", pensamos, mas o diabo é que esse troço oculta a doença e a solução. As velhas categorias para explicar o Brasil morreram. Já há uma pós-miséria, um pós-poder, uma pós-corrupção, uma pós-direita, um pós-crime, uma pós-língua da violência que grunhe, uiva, não fala. Esse troço é feito de sobras do ferro-velho mental do país, de oligarquias felizes e impunes, de um Judiciário caquético, esse troço deforma a cara dos políticos, esse troço está nas barrigas, nas gravatas escrotas, na gomalina dos cabelos, nas notas frias, na boçalidade dos discursos, nos superfaturamentos, esse troço é um estafermo fabricado com detritos de vergonhas passadas, togas de desembargadores, bicheiros, fardões de academia, cérebros encolhidos, olhos baços, depressões burguesas, hipersexualidade rasteira, doenças tropicais voltando, dengue, barriga d"água, barbeiros e chagas, cheiros de pântano, esse troço é uma enchente que não drenou, bosta que não sumiu, ovo gorado, irresponsabilidades fiscais, assassinos protegidos no Congresso, furtos em prefeituras, municípios apodrecidos, decapitações, pneus queimados, ônibus em fogo. Esse troço, esta xicaca, estava dormindo há séculos e agora despertou, para criar um buracão no país, esse troço sempre esteve aí, mas, agora, ressuscitou. Volto a Magnoli: "O lulismo persegue tenazmente a meta de esvaziar o fórum, reduzindo a "ágora" a uma praça de mercado e convertendo todos os cidadãos em idiotas". E nossa desgraça paralítica é tal que acho que é até "melhor" assim: que permaneça essa gosma geral, em vez do voluntarismo bolchevo-dirceuzista revolucionário que ia prevalecer. A que ponto chegamos. Arnaldo Jabor - O GLOBO (RJ) - 8/5/2007 Improviso caro O Brasil tem improvisado em assunto sério: a relação com os países vizinhos. No caso da Bolívia, o Brasil decidiu na base da tentativa e erro e só agora está começando a achar o tom certo, depois de um ano de equívocos. Isso terá seqüelas, e uma delas poderá ser vista no ano que vem no Paraguai. O Brasil cresceu, as empresas brasileiras se globalizaram, e a primeira escala é sempre num país vizinho. Quando o governo brasileiro comemorava estrepitosamente a vitória de Evo Morales, escrevi aqui que era melhor não fazer muita festa porque o Brasil tinha virado o gringo da vez. Quando Evo vociferava contra o capital estrangeiro, era o Brasil que ele tinha em mente. Era fácil perceber isso. Os Estados Unidos têm reduzido sua presença relativa na região. Ostensivamente, o país símbolo do imperialismo está apenas na Colômbia, mas com autorização do país. A globalização aumentou e diversificou as fontes do fluxo de capitais externos para a América Latina. Hoje é o Brasil que cresce na região e multiplica suas áreas de interesse com, obviamente, outro tipo de atitude em relação aos países. Uma das duas cabeças da diplomacia da era Lula, a de Marco Aurélio Garcia, achava que o que estava se passando na região era a chegada ao governo dos "companheiros" de esquerda. A Petrobras, por sua vez, não fez a devida análise de risco político e errou redondamente ao subestimar o que estava por vir. Achou que intimidaria Evo Morales pelo tamanho da empresa na Bolívia. Não percebeu que enfrentar um gigante econômico pode ser muito rentável politicamente. E foi essa a estratégia usada pelo governo para lutar contra suas fragilidades políticas e construir maioria na Assembléia Constituinte. Talvez um dos erros mais graves cometidos em todo este festival de sandices que foi a reação à crise boliviana tenha sido o presidente Lula aceitar uma reunião com Evo Morales e Hugo Chávez logo após a ocupação da refinaria com fanfarra militar. Lá, Lula ouviu em silêncio um absurdo discurso de Chávez em tom paternal sobre Morales, chamando de "ação soberana" o que tinha acabado de fazer. A situação ficou mais esdrúxula quando Morales agradeceu a solidariedade dos vizinhos como se tivesse sido atingido por uma catástrofe, quando, na verdade, havia ocupado militarmente a sede de uma empresa brasileira, acusando-a de fazer chantagem. - Para mim, é uma alegria estar aqui com as nações mais desenvolvidas da América do Sul e receber a solidariedade de Brasil, Argentina e Venezuela pelos problemas que atingem o meu país nas últimas horas - disse Morales na ocasião. A Petrobras está em muitos países da América Latina, com investimentos diversificados. Inúmeras empresas brasileiras também. Há pouco mesmo, quando Hugo Chávez fez mais uma de suas bravatas, típica do governante espetáculo que é, atacando uma siderúrgica argentina, acertou em outra empresa brasileira: 16% do capital da controladora da Sidor é a brasileira Usiminas. O modelo é sempre o mesmo, ataca-se a empresa levantando suspeitas difusas de práticas condenáveis e contra os interesses do país no qual a empresa atua. Assim faz Chávez, assim fez Morales sobre a Petrobras. Em relação ao último evento da briga, a verdade está com fontes da própria Petrobras, que, nos últimos anos, acompanharam in loco os investimentos da empresa brasileira nas duas refinarias. Quando o Brasil as comprou, elas estavam em estado avançado de deterioração. Uma dessas fontes descreve o prédio administrativo como "todo depredado, com ratos e infiltrações"; as tubulações pelas quais passavam os derivados "corriam sobre a terra diretamente, com muitos vazamentos poluindo o solo". Isso entre outros detalhes. Hoje a refinaria de Cochabamba, por exemplo, está há quatro anos sem acidentes e tem ISO 14.000. Portanto é inaceitável o preço estabelecido pela Bolívia, e a Petrobras tem que resistir a qualquer pressão do governo, em defesa dos interesses de seus acionistas. Ao contrário do que, às vezes, parecer crer o governo Lula, a Petrobras não é só uma estatal. É uma empresa de capital aberto com acionistas dentro e fora do país. O prejuízo dela afeta os dividendos desses investidores. Há um prejuízo, no entanto, mais perigoso na atitude leniente do governo: o incentivo a que outros países usem a mesma forma de atuação. Ontem, aqui neste jornal, o diplomata Rubens Barbosa escreveu sobre o aumento da animosidade no Paraguai em relação ao Brasil e aos brasileiros. No ano que vem, haverá eleições, e o Brasil já foi escolhido para ser o alvo de todos os candidatos que querem parecer fervorosos nacionalistas. Recentemente, num mesa-redonda do Cebri, o embaixador José Botafogo Gonçalves disse que o Brasil tem vivido na região uma "diplomacia do desgaste". Houve um tempo em que se repetia entre os diplomatas o lema "o Itamaraty não improvisa". Tempo bom. O problema é que os improvisos podem produzir mais prejuízos que se imagina. Nesta era de arroubos primitivos por parte de alguns governantes da região, o Brasil precisa redobrar os cuidados e ter uma estratégia. Uma velha e boa regra é a que foi defendida pelo embaixador Rubens Ricupero: nunca aceitar negociar sob uma posição de força, nunca pautar a política por razões ideológicas, nunca mostrar falta de firmeza. Mirian Leitão - GAZETA DO POVO (PR) - 9/5/2007 Gastos x Gastos Que me perdoem os bem intencionados de sempre, mas não dá pra levar a sério mais uma denúncia de exagero nos gastos de publicidade por parte de Governo, como esta do deputado-dono de rádio, Marcelo Rangel, do PPS. Ninguém, mas ninguém mesmo, age como anjo neste quesito. E o denunciante de hoje é sempre o perdulário de amanhã. É só uma questão de tempo. Ruth Bolognese - FOLHA DE LONDRINA (PR) - 9/5/2007 Insensatez A suspensão da aposentadoria paga à mulher mais idosa do Brasil, Maria Olívia da Silva, de Astorga (Pr) ¿ míseros R$ 350,00, mostra a insensibilidade da "burrocracia" do INSS. Quando do recadastramento, foi informado que nos casos em que o beneficiário não pudesse comparecer, a Instituição mandaria um fiscal até à residência. Tratamento discrepante Num país em que, um deputado marcado por inúmeras denúncias de corrupção, recebe em Curitiba a visita de uma comissão de médicos vindos de Brasília, para constatar seu real estado de saúde e logo após é brindado com uma aposentadoria de quase R$ 13 mil reais mensais, a atitude do INSS beira à sandice. Informações imprecisas Enquanto isso, 24.884 beneficiários do Bolsa-Família no Paraná, terão seu benefício cortado este mês. No país, serão 330.682. Mas por aqui, outros 14.390 estão sob investigação. Simplesmente por terem sido descobertas declarações diferenciadas na Rais do Ministério do Trabalho, das fornecidas ao cadastro único de programas sociais. Panorama Político - O PARANÁ (PR) - 9/5/2007 CIDADE LIMPA O outdoor em que Daniela Cicarelli posava seminua para uma campanha de lingerie, na rua da Consolação, amanheceu coberto com uma mensagem: "Bem-vindo, papa Bento 16". Mônica Bergamo - FOLHA DE SÃO PAULO (SP) - 9/5/2007 Ação Discurso do presidente Sarkozy serve de exemplo. Ele disse que, desde a época de Napoleão, os primeiros 100 dias de governo são uma referência para o povo francês. Completou: se não houver ação com mudanças nesse período, o mais da gestão é fatalmente inerte. O choque primeiro, a adaptação depois. A observação caiu como uma carapuça de chumbo no governo brasileiro. PAN Pequim se prepara para os Jogos Olímpicos de 2008 em campanha educativa. Os moradores da capital recebem verdadeiro bombardeio de informações sobre o bom hábito de não cuspir ou jogar lixo nas ruas. Respeitar filas e não gritar em público. No Rio, para o sucesso do Pan, os problemas a serem resolvidos são bem diferentes. COLUNAS - CORREIO BRAZILIENSE (DF) - 10/5/2007 Tanto teatro, tanto desgaste... É infinita a capacidade da Câmara para aprofundar sua própria crise. A Casa exercitou-a novamente ontem, no encaminhamento da votação do reajuste do salário dos congressistas. Os partidos, quase todos, dedicaram-se ao campeonato da esperteza, com destaque para a posição assumida pelo DEM e pelo PSOL. À tarde, houve o primeiro show, na votação do requerimento de urgência para a votação do projeto de reajuste. Ficaram contra o PSOL e o DEM, sendo que este último defendia em dezembro, em companhia do deputado Aldo Rebelo, cuja candidatura a presidente da Casa apoiava, a equiparação dos salários dos congressistas aos dos ministros do STF (R$22,5 mil). Em dezembro, diante da forte reprovação da sociedade, houve o recuo. Não se aprovou o reajuste no final da legislatura anterior, como manda a Constituição, ficando para os deputados empossados em janeiro a tarefa desconfortável de fixar os próprios vencimentos. O DEM, que apoiou a equiparação de dezembro, que representava um reajuste de 91%, ontem ficou contra o reajuste de 28%, que eleva o subsídio de R$12,8 mil para R$16,5 mil. O presidente do partido, Rodrigo Maia, sustenta a mudança: "em dezembro ficou claro que a sociedade não aceita qualquer tipo de aumento". Pode ser, mas então é preciso criar regras, mudar a existente. O reajuste é previsto constitucionalmente, a reposição inflacionária é garantida a todos. Os penduricalhos, verba disso e daquilo, devem acabar mas o subsídio, fixado de forma transparente, deve ser condizente com a função e suas demandas. O PSOL, contrário era, contrário se manteve. O PSDB, através de um vice-líder, também ficou contra. O PT recuou, quando viu a oposição refugiar-se na posição purista e demagógica, deixando aos governistas a tarefa de aprovar o reajuste, por todos desejado. Na reunião de líderes, todos haviam sido favoráveis, cobrou o líder do PT, Luiz Sérgio. Coube ao deputado Ciro Gomes (PSB-CE), liderança emergente na Casa, por sua firmeza e franqueza, passar uma descompostura nos pares. Estavam praticando, disse ele, um ato de desmoralização do Parlamento, tisnando a majestade de um Poder que só conjunturalmente representam. Se o reajuste era decente e defensável, que fosse aprovado por todos. Presidindo a sessão, já que Arlindo Chinaglia fora receber o Papa em São Paulo, o vice-presidente Inocêncio Oliveira tocou o barco: manteria a votação do requerimento,o que todos haviam assinado. O desnudamento surtiu efeito. O líder do PSDB, Antonio Carlos Pannunzio, que estava numa reunião, apareceu e anunciou que liberava a bancada. O PT, que já recuara, fez o mesmo. O PPS, desde o início, deixara corretamente a questão aberta. Raul Jungmann assumiria: o partido arcaria com o desgaste, por ser o reajuste desejado, legal e defensável. O líder do DEM, Onix Lorenzoni, declarou que manteria o combinado com os líderes: o partido votaria contra mas não faria obstrução. Aprovada a urgência, o teatro foi reaberto, no início da noite, na sessão de votação do projeto em si, fixando o salário de deputados, senadores e presidente da República. Chico Alencar, pelo PSOL, avisou que sua bancada não aceitará o reajuste. Teremos então uma Câmara onde uns ganham 12 mil e outros ganham 16 mil. O desgaste virá, e em dobro, porque a Câmara não foi capaz de decidir na hora certa, que era dezembro, nem de forma unitária. COLUNAS - O GLOBO (RJ) - 10/5/2007 AGRADO A distribuição de um brinde levou 700 médicos para a porta do estande do laboratório Schering-Plough, no Congresso da Sociedade de Cardiologia de SP, no fim de semana. Os médicos respondiam um questionário para ganhar um pendrive. Segundo o laboratório, o brinde é autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). MISTÉRIO José Sarney terminou mais um romance. "A Duquesa Vale uma Missa" conta a história de um homem que se apaixona pela imagem de uma duquesa num quadro. A obra vai falar de amor, mistério e sexo. Mônica Bergamo - FOLHA DE SÃO PAULO (SP) - 10/5/2007
Segunda-feira, Maio 07, 2007
PARIS - Uma coisa é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar, faz já quatro anos, a iminência do espetáculo do crescimento sem que o show jamais tenha sido encenado.
Outra coisa, bem mais grave, é seu colega George Walker Bush, também faz quatro anos, falar em "missão cumprida", em relação à Guerra do Iraque, apenas para que, no quarto aniversário do anúncio, o líder da maioria democrata, Harry Reid, diga o contrário: "A guerra está perdida". Estabelecida a diferença, passemos às semelhanças. Semelhança 1 - Governos mentem. Faz muito tempo que o fazem, mas não deixa de ser surpreendente que continuem a fazê-lo -e até aumentem o tamanho das mentiras- em plena era da informação, que, supostamente, tudo devassa. Semelhança 2 (e mais grave) -Quando não mentem por iniciativa própria, o fazem porque seus assessores mentem para eles. Caso de Lula: leigo em economia, jamais se animaria a anunciar o espetáculo do crescimento se algum "aspone" de grosso calibre não lhe tivesse soprado algo a respeito. No caso de Bush, o livro de George Tenet, ex-chefe da CIA na época dos atentados do 11 de Setembro e da Guerra do Iraque, mostra um formidável círculo de assessores contando ao chefe mentiras sobre o vínculo entre a Al Qaeda e Saddam Hussein, para não falar das tais armas de destruição em massa. Parece haver aí uma conclusão inescapável: as máquinas governamentais, ao menos em países grandes (ricos ou emergentes, não importa), escaparam ao controle dos eleitores e, pior ainda, de seus próprios chefes. Como mesmo os mais aplicados não conseguem saber de tudo -seja sobre a economia interna, seja sobre a situação em outro país-, não governam de fato. Reagem a comandos. Pode até dar certo, mas o risco é formidável, como o demonstra o Iraque. Clóvis Rossi - FOLHA DE SÃO PAULO - 3/5/2007
Sábado, Maio 05, 2007
A distância não impediu o título de cidadão honorário de Nova Iguaçu (RJ), em 2003, ao desembargador do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP) Ernesto Pinto Dória, preso na ""Operação Furacão"".
Decreto de Lula, mês passado, concedeu a ordem do mérito militar, no grau de oficial, à juíza Alda Maria Basto, presa na ""Operação Themis"", da PF, suspeita de receber propina numa causa envolvendo impostos. No voto contra a pensão vitalícia ao ex-governador Zeca do PT, a (ótima) ministra Cármen Lúcia (STF) bateu o martelo: ""Ex-governador não compõe os quadros do Estado"". Então, nada de ""graça com recursos públicos"". A TV por assinatura chegou ao Brasil prometendo programas de qualidade sem comerciais. Hoje, os assinantes pagam para ver anúncios sem fim. E ainda paga para sintonizar canais de televisão aberta. E a Anatel nada faz. Está no currículo do desembargador Carreira Alvim, preso pela PF: ele é professor de ética e faz palestras sobre ""Os crimes contra a Administração Pública"" e sua frase preferida é ""ser juiz não é profissão: é predestinação"". Cláudio Humberto - FOLHA DE LONDRINA (PR) O assunto está sendo tratado com reservas, mas o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, negocia uma saída para aumentar o número de vereadores no País. A proposta de emenda constitucional engavetada pelo ex-presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que a considerava indecente, aumentaria em cinco mil o número de vereadores. Chinaglia articula com os líderes para que o aumento ocorra com as eleições de 2008. Fábio Camargo - JORNAL DO ESTADO (PR) Justiça é só para pobre. É o que diz um dos juízes investigados num dos grampos da Operação Têmis, sobre suposta venda de sentenças judiciais. O diálogo, de acordo com a transcrição da Polícia Federal, ocorreu entre o juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Cível, e pessoa desconhecida. Diz o juiz: "A Justiça não é uma coisa que interessa... é uma coisa, que a Justiça acaba sendo uma... uma coisa "pá" pobre, né? Porque rico resolve as coisas dele (...) de outra maneira. Então a Justiça foi uma coisa dada pros pobres, pra eles viver (sic) brincando aí". O interlocutor do juiz concorda com ele. Djalma continua: "Então quando isso aí... quando isso ameaça muito, então é bom... Aí imagina, pô! O nosso sistema foi feito pra não funcionar. É, foi feito pra não funcionar, se funcionar, tá errado". O interlocutor ri. "É, se funcionar, tá errado. Da forma como ele foi concebido, imagina. "Tão" tentando dar uma mexida nisso, mas... imagina." O diálogo nada revela sobre irregularidades, mas foi colocado no relatório pelos investigadores por ser "bastante curioso", já que Djalma "é membro da Justiça". O juiz não comenta a transcrição. Seu advogado o proibiu de dar entrevistas. Nos relatórios da Operação Têmis, os policiais citam os excelentes, e caros, restaurantes que alguns dos investigados costumavam freqüentar: La Tambouille, Rodeio, Café Armani e Frans Café. Miriam Leitão - Gazeta do Povo (PR)
Quinta-feira, Maio 03, 2007
Maconheiros de 199 cidades do mundo já fizeram a cabeça: no primeiro fim de semana de maio estarão numa marcha mundial pela legalização da chamada erva maldita - e o Rio de Janeiro, primeira das cinco cidades do Brasil a aderir ao movimento, se prepara não para uma, mas duas passeatas da fumaça. Na esteira dos protestos contra violência, o debate sobre a legalização ganha fôlego e simpatia do Governo do Estado, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e de diversos políticos e entidades. Interessados no assunto, usuários que lutam para serem promovidos a consumidores ainda encontram resistência entre os próprios adeptos da erva. O governador Sérgio Cabral é não só favorável à legalização da maconha como de todas as drogas. Sua proposta chega a ser até mais utópica do que a dos usuários. Para ele, a discussão sobre a legalização deveria entrar na pauta mundial, tendo como principal argumento a diminuição da violência: - Estou sendo pragmático. Não a favor de cocaína, heroína ou cigarro de maconha. Sou favorável a que o mundo reconheça que há uma demanda por drogas que só aumenta. O presidente da OAB, Wadih Damous, manifestou apoio às declarações do governador. Os consumidores passariam a fazer parte de políticas públicas assim como já acontece com as campanhas anti-tabagistas do governo. Radicalmente contra, o prefeito Cesar Maia argumenta que diversos fatores gerariam instabilidade na economia brasileira. Para ele, hectares hoje usados para plantar gêneros alimentícios seriam substituídos pelo plantio de maconha e haveria falta de controle do teor de THC (princípio ativo da erva) no código de defesa do consumidor. Presidente da Comissão de Prevenção ao uso de Drogas e Dependentes Químicos em Geral da Assembléia Legislativa do Rio, o deputado José Nader (PTB) faz coro junto ao prefeito com o argumento de que a maconha é a porta de entrada para drogas mais pesadas. Segundo ele, apesar de admitir que os usuários não são responsáveis pela violência, deve-se reconhecer ¿que o custo social do uso de drogas é elevado, haja vista as numerosas clínicas para tratamento¿. Presidente da Ong Psicotropicus, que luta pela legalização da maconha, o psicoterapeuta Luiz Paulo Guanabara - especializado no tratamento de dependentes químicos - acredita justamente no inverso. Para ele, a guerra global contra as drogas está causando agora mais danos do que o uso indevido de drogas em si. Apesar dos argumentos, Guanabara admite dificuldades entre seus próprios ¿correligionários¿ para sair da clandestinidade. - Vamos dar a cara à tapa ou ficaremos sendo tratados como criminosos. Não somos nem doentes nem bandidos. Guanabara é um dos organizadores da Marcha da Maconha, marcada para domingo, 6 de maio, do Arpoador ao Posto 9, em Ipanema - local onde o uso independe dos debates. Dois dias antes, na sexta-feira, o Movimento Nacional pela Legalização das Drogas - que surgiu no Fórum Social Mundial de 2005 - já terá levantado suas bandeiras em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (Ifcs). O movimento, porém, encontra resistência entre os próprios adeptos: no ano passado, cerca de 50 usuários prestigiaram o ato. Apesar da dificuldade em mobilizar maconheiros ativistas, o Brasil é o país com mais maconheiros adeptos da Marcha, em nada menos que cinco capitais: Rio, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Salvador. A Marcha Mundial pela Regulamentação da Maconha acontece todos os anos desde 1999. Desde a sua primeira edição em Nova York, promovida pela ONG Cures-not-War, vem ocorrendo sempre no primeiro sábado de maio. O Rio foi a primeira cidade brasileira a sediar uma edição da marcha, em 2002, quando cerca de 300 pessoas compareceram ao ato - um recorde brasileiro. Na época, a Psicotropicus era patrocinada por uma fundação americana para promover o debate no Brasil. Felipe Sales Fonte: Jornal do Brasil Curitiba-PR A Marcha da Maconha vai rolar em Curita dia 5 de maio. Concentração as 14 horas, com manifestações artísticas livres, e saída as 16 horas, destino ao Palácio Iguaçu, passando pelo Largo da Ordem. Compareçam!! Pelotas-RS Marcha da Maconha em pelotas , saída da praça da donja rumo ao quadrado. Vamos lutar pela legalização da baura!! Contamos com todos os pelotenses na luta contra a hipocrisia!! Rio de Janeiro-RJ Dia 6 de maio de 2007, em Ipanema, concentração à partir das 14:00hs no Arpoador com saída da marcha às 16:20hs. A partir das 17:00hs, festa ao som dos melhores Sound Systems do Rio de Janeiro. Concurso de Fantasias, não deixe de participar da marcha com receio de ser flagrado pelas câmeras! Venha fantasiado. Participe do concurso de fantasias e concorra a prêmios! mais informações... |
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