Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Pentacampeão



Brasileiro

2007


Postado por por... [Dostoiévski] às 11:57 PM

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Sexta-feira, Outubro 26, 2007

A felicidade hoje é fechar os olhos


Antigamente, a felicidade era uma espécie de "missão" a ser cumprida, a conquista de "algo maior" que nos coroasse de louros, a felicidade demandava o "sacrifício", a renúncia, a luta contra obstáculos. A idéia de que a felicidade se "constrói" já ficou para trás. Hoje, felicidade é ser desejado.

A idéia de felicidade não é mais interna, como a dos monges, ou a calma vivência do instante, ou a visão da beleza. Felicidade é entrar num circuito comercial de sorrisos e festas e virar alguém a ser consumido. Felicidade é ter um bom funcionamento. McLuhan escreveu que os meios de comunicação são extensões de nossos braços, olhos e ouvidos. Hoje, nós somos extensões das coisas. Fulano é a extensão de um banco, sicrano comporta-se como um celular, beltrana rebola feito um liquidificador. Assim como a mulher deseja ser um eletrodoméstico, um "avião", peituda, bunduda, o homem quer ser uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente, e mais que tudo, um grande pênis voador sem flacidez e angústias. Confundimos nosso destino com o destino das coisas... Felicidade não é mais lenta ou contemplativa - é velocidade. O mundo veloz da internet, do celular, do mercado financeiro nos imprimiu um ritmo incessante, uma gincana contra a idéia de morte ou velhice, melhor dizendo, contra a obsolescência do produto ou a corrosão dos materiais.

Somos "felizes" dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, bagatelas, mixarias. Uma alegria para nada, para rebolar o rabo nas revistas, substituindo o mérito pela fama. Esta infantilização da felicidade pela mídia se dá num mundo em parafuso de tragédias sem solução, como uma disneylândia cercada de homens-bomba. Não precisamos fazer ou saber nada; o sujeito só existe se aparecer.

Há alguns anos, a infelicidade, a tragédia ainda provocavam escândalo. O holocausto, Hiroshima, jogaram o mundo em cava depressão, mudou a visão da vida. E hoje? O crime hediondo está mais aceito, o Iraque é apenas uma assalto corriqueiro à razão, acostumados ao horror como um cotidiano inevitável. O Horror deixou de ser um susto - faz parte da vida. A incessante pantomima da alegria movida pelas novidades eletrônicas, pelo marketing inovador da tecnociência serve para camuflar a melancolia que nos atinge e que temos de "forcluir", tirar de cena, como dizem os analistas, essa pobre minoria de defensores da razão.

O pensamento humanista está lamentoso de tanto absurdo. De que adianta falar em compaixão ou afeto a propósito de um menino de 13 anos que decepa a cabeça de um colega com um machado, com as mães atirando filhos nas lixeiras e brejos? Como falar em democracia com muçulmanos analfabetos, que desde o século 7º se massacram por um ser inexistente, educando crianças-bomba nas "madrassas", para extirpar qualquer resquício de razão no Ocidente, enquanto, do outro lado, os monstros-caretas do Bush repetem mantras da Bíblia fundamentalista?

Para a felicidade, só nos resta "não ver". Fechar os olhos. É uma lista de negativas: Não ter câncer, não ler jornal, não ligar para as tragédias, não olhar os meninos-malabaristas no sinal, não ver os cadáveres explodidos na TV, não ter coração, se transformar num clone de si mesmo, num andróide programado para ter esperança, vivendo um presente infinito e longo, incessante e delirante como um "rave" sem fim.

Há um grande livro de science fiction (talvez o maior) Tiger Tiger (antigo The Stars My Destination), de Alfred Bester, onde há um grande SPA em Marte para supermilionários onde eles teriam a suprema felicidade de viver extirpados de todos os sentidos, apenas os cérebros funcionando em "alfa", livres de qualquer angústia. Um dia, chegaremos lá.

Oscilamos entre o desejo de ser "especiais", únicos, brilhantes indivíduos, celebridades que fujam do escuro anonimato e o desejo de virar pó, de ser uma formiga obediente, conduzida por um comandante qualquer.

E tudo sempre em nome da palavra-chave da época: a liberdade, que todos fingem querer, a liberdade respirando como um bicho sem dono entre o indivíduo e a massa, a liberdade - esta coisa que provoca tanta angústia. O Big Brother do capitalismo de mil olhos se apossou de uma nova mercadoria: a liberdade. A América corporativa se apossou até da consciência crítica e fetichizou-a. Num filme como Clube da Luta ou Matrix, vemos a chamada crítica ou autocrítica "de mercado", um estratagema para incorporar a idéia de transgressão e ódio ao sistema e assim, paralisá-la. Vejam a passividade da juventude americana, que só agora começa a acordar para o monstro Bush; comparem-na com os milhões contra a Guerra do Vietnã. A liberdade/felicidade virou mais uma camuflagem do capitalismo.

No fundo, temos uma secreta nostalgia da submissão. A liberdade dá angústia. Dostoievski acerta na mosca, prevendo o tempo de hoje, quando no espantoso e profético capítulo dos Irmãos Karamazov, intitulado O Grande Inquisidor, nos escreve do passado, na grande diatribe do Inquisidor a Cristo:

"Você esqueceu que o homem prefere a paz e mesmo a morte ao invés da liberdade de ter de escolher entre o Bem e o Mal? Pode ser muito sedutora a idéia para os homens de "livre arbítrio", mas nada lhes é mais doloroso. Em vez de princípios sólidos que pudessem tranqüilizar a consciência humana para sempre, você escolheu noções vagas, enigmáticas, tudo que vai além da possibilidade humana, e assim, você agiu sem amor por eles, você, que diz ter vindo salvá-los! Você aumentou a liberdade humana, em vez de confiscá-la! (...) depois de 15 séculos, que restou? Você não conseguiu elevar ninguém até a sua altura divina! O homem é muito mais fraco e vil do que você imaginou."

É isso aí... O chamado "indivíduo" livre está cada vez mais ridículo. O "eu" virou um privilégio para meia dúzia de loucos e, claro, para as grande corporações donas do mercado do desejo. Entramos no século 21 regidos por deuses malucos, do Oriente ao Ocidente. Na realidade, chegamos ao século 7º, apenas com tecnologia avançada...


Arnaldo Jabor - O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/10/2007





Talentos clandestinos



REBELDE E INQUIETA , Ada Toscanini dava trabalho a seus professores em Buenos Aires -e os professores também lhe davam trabalho, submetendo-a a vários castigos e até a humilhações, como expulsá-la da escola. Toda essa rebeldia deixou-a obcecada por descobrir talentos incompreendidos.

A inquietude continuou na vida universitária: iniciou três cursos -matemática, física e biologia-, mas não concluiu nenhum deles. O regime militar fez com que ela se refugiasse em São Paulo. Teve três filhos, todos com dificuldades em sala de aula. "A diferença é que, antes de serem expulsos, os tirava da escola."

No Brasil, cursou pedagogia com foco em crianças com necessidades especiais e, depois, se dedicou à arte-terapia. No consultório, percebeu que muitas das crianças que lhe eram encaminhadas por causa de dificuldades na escola sofriam do mesmo "mal": excesso de talento. "Algumas chegavam a ser medicadas."

Muitas vezes, crianças com excesso de inteligência apresentam sintomas de hiperatividade e distúrbio de atenção e acabam sendo obrigadas a tomar remédios ou a fazer terapia.

"Ocorre que, freqüentemente, os estudantes com habilidades muito acima da média precisam também de estímulos apropriados para se desenvolverem e têm dificuldades de lidar com a modorra de sala de aula."

Ada passou, então, a se aproximar de entidades que estudavam o caso de crianças com altas habilidades, popularmente mais conhecidas como superdotadas. Ela prefere ampliar o conceito para englobar não apenas os estudantes que se destacam no aprendizado das matérias escolares, mas também aqueles que sobressaem quando o assunto é empreendedorismo, liderança, esportes ou artes. Alguém com habilidades relacionais - fazer amigos e estabelecer contatos- pode se encaixar nesse grupo.
Mas o que a deixou surpresa foi o que descobriu quando começou a investigar as escolas públicas.

Durante vários anos, ela aplicou testes em estudante de escolas municipais de bairros pobres de São Paulo.

Invariavelmente, encontrava um grupo de cerca de 20% de crianças com altas habilidades, muitas das quais tidas como problemáticas pelos próprios pais e pelos professores.

Dedicou-se a ensinar os professores a perceber quando estão diante de um aluno com sinais de alta habilidade. O difícil, porém, não é identificar esses jovens. A dificuldade está no que fazer com essa informação. Ada recebe um grupo de alunos com essas características. "Alguns faltam porque não podem pagar a passagem do ônibus."

O que acontece quando essas pessoas são acolhidas ela aprendeu, de fato, em casa. Depois da turbulência escolar, seus três filhos descobriram sua vocação e encontraram suas profissões. Entre as várias lições, eles lhe ensinaram a importância da disciplina. "Eu os deixava fazerem em casa o que não podiam fazer na escola." Um dia, disseram que queriam morar numa "casa normal".

"Ficaram mais seguros com a disciplina que eles próprios criaram."


Gilberto Dimenstein - FOLHA DE SÃO PAULO (SP) - 24/10/2007


Postado por por... [Dostoiévski] às 4:56 PM

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Segunda-feira, Outubro 22, 2007

O Mapa da Mina

Felipe Biglia

Muitas vezes durante a vida
Precisamos de desafios para dar o gosto de viver,
Mesmo sem ver que isso
Muitas vezes é uma forma de aparecer.
Mas existem os que fazem isso para sentir a chama da vida
Através da emoção, aceitam desafios
Para sentir a adrenalina rolar em seu coração.

Alguns procuram o desafio no esporte que mais gostam,
Outros tentam o caminho difícil pelas drogas.
Mas o maior desafio da vida é viver e ser feliz,
Pois a vida não tem um mapa com um tesouro embaixo do X.

Agonizando no leito da morte,
Você vê que procurou pela companheira
Que sempre esteve ao seu lado.
A felicidade o acompanhou no trajeto de sua vida,
Só você que não notou.

Agora se lamenta pelo tempo que perdeu
Procurando por algo que já tinha encontrado,
Nos amigos, nas viagens e no amor.
Tudo aquilo que fez parte dessa vida que já acabou.


Postado por por... [Dostoiévski] às 5:22 PM

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Sexta-feira, Outubro 12, 2007

Esquerda e direita


A indefinição ideológica dos nossos genes é apenas mais um numa longa lista de paradoxos que nos dividem.

O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos genéticos, e portanto são iguais - ponto para a esquerda - mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita, se bem que não necessariamente para os racistas. Na velha questão biologia x cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa - muito menos socialista - com o tempo. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que se tornaram possíveis com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o auto-aperfeiçoamento.

Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora devem tratar de mudá-lo. Biologia não é, afinal, destino. Ao mesmo tempo a eugenia é uma ciência com má reputação. Seu apogeu anterior foi nos experimentos nazistas durante a guerra, e o significado de "aperfeiçoamento" é uma questão aberta. Uma pessoa "melhora" tornando-se mais bem preparada, pela aparência, a capacidade física e o espírito empreendedor, para as competições da vida ou mais tolerante com a variedade humana?

A indefinição ideológica dos nossos genes é apenas mais um numa longa lista de paradoxos que nos dividem. É "de esquerda" ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e ao mesmo tempo o direito do estado de tirá-la, embora não gostem que o Estado interfira em outras áreas. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração, mas aceita a desigualdade social, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um estado impessoal ou a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um humanismo igualitário. Etcetera, etcetera. E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenado a ser contraditórios de uma maneira ou de outra, para sempre. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão.

Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética, mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações.


Verissimo - GAZETA DO POVO (PR) - 11/10/2007




Magrelinha


O "Desafio Intermodal" que reuniu, no horário do rush e em um percurso pré-determinado, bicicleta, carro, moto e pedestre, ontem em Curitiba, foi vencido pela bicicleta.

O carro foi o último a cruzar a linha de chegada. E a torcida motorizada apressou-se a explicar o motivo: quem dirigia era uma mulher. Quaquaquá.

JORNAL DO ESTADO (PR) - 11/10/2007


Postado por por... [Dostoiévski] às 3:16 PM

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Quinta-feira, Outubro 04, 2007

» Conforme o tempo passa, dentro da gente, as mudanças são mínimas, se não inexistentes. Passamos a perceber melhor aquilo que acontece ao nosso redor, sabemos analisar os momentos, sabemos entender as pessoas e conseguimos encontrar um sentido na vida, mesmo que este não tenha sentido algum.

» E de acordo com nossas quedas, aprendemos a levantar mais depressa, a seguir em frente, deixando pra trás os ignorantes que riram do nosso tombo. E você segue, caminha na direção que seu coração manda, mesmo que muitas vezes seu coração seja um tanto quando desorientado, mas isso deve-se à inexperiência dele, afinal, é errando que se aprende.

» Aprendi com a vida [e as pessoas que nela passaram] que um problema tem sempre solução, basta ter a disposição para falar sobre ele e levantar possíveis soluções, por mais impossíveis que elas pareçam. Não adianta mascarar, virar a cara ou simplesmente fingir que nada aconteceu. Aconteceu, sim! Agora, juntos, temos que perceber que ele precisa ser resolvido. Você ainda acha que não tem solução? É como pular do 10º andar de um prédio: quando você está a 2 terços da queda, percebe que todos os seus problemas tinham solução, exceto o fato de que você pulou e agora, infelizmente, é tarde demais.

» Resolva seus problemas, sente, converse, debata, questione, mesmo que demore pra resolver. Não se arrependa de ter perdido o seu tempo com uma mágoa no coração, um espinho na alma. Deus sempre foi a favor dos nossos arrependimentos, mas Ele não nos devolve o tempo que perdemos nos lamentando das coisas que fizemos errado, ou das coisas que achamos que era certo, mas deu no que deu.

» Perdoar é divino.

» Somos tão capazes de criar novas tecnologias, mas nem sempre somos capazes de criar um espaço dentro de nós pra esquecer as diferenças, perceber os erros alheios e, sempre que possível, abrir os olhos e dar-se conta de que errar é humano e, felizmente, ninguém nasceu sabendo.

» Olhe a sua volta, veja todas aquelas pessoas que estão chateadas por alguma coisa que você fez, ou então aquelas que te chatearam por alguma coisa que elas fizeram. Estenda sua mão, abra seu coração, tome a iniciativa e seja superior às diferenças, deixe o passado de lado, aprenda com o erro e vamos juntos seguir em frente por um único objetivo: a felicidade!

» Pablo Biglia, 29/09/2007

Postado por por... [Pablo] às 11:19 AM

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Terça-feira, Outubro 02, 2007

Justiça exige que Bunge e Cargill cumpram lei de rotulagem



Greenpeace denuncia os óleos Liza e Soya, líderes de mercado no Brasil, como sendo produzidos com soja transgênica e exige sua rotulagem conforme lei federal de 2003.




São Paulo, Brasil — Quase dois anos depois de denúncia feita pelo Greenpeace, liminar concedida por juiz de São Paulo obriga as maiores fabricantes de óleo de soja do país a informarem seus consumidores de que seus produtos contêm transgênicos.

A Justiça de São Paulo determinou que as duas maiores fabricantes de óleo de soja do Brasil – Bunge e Cargill – rotulem seus produtos (respectivamente os óleos Soya e Liza) como transgênicos, conforme determina a lei em vigor no país. As empresas terão que se adequar ao decreto federal de rotulagem de 2003, fazendo constar dos rótulos a imagem do triângulo amarelo com um T no meio e a informação de que o produto foi fabricado com matéria-prima transgênica (no caso, a soja). A 3a. Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu a ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), mandou citar as empresas e deu uma liminar de ofício concedendo prazo de 30 dias para a adequação de suas respectivas linhas de produção.

“O Código do Consumidor assegura o direito à informação sobre toda característica relevante dos produtos. No caso dos transgênicos, há também normais legais específicas a fazer obrigatória a informação ao consumidor, seja na Lei da Biossegurança (Lei 11.105, de 2005), seja no Decreto Federal 4.680 (de 2003)”, afirma Paulo Sérgio Cornacchioni, promotor de Justiça do Consumidor do MP-SP que propôs a ação. “O que a Promotoria do Consumidor pretende é o cumprimento da lei. Quem deve decidir o que quer ou deve consumir é o próprio consumidor. Ele é o senhor absoluto dessa escolha e decisão. Mas para ele poder decidir é fundamental que a informação lhe seja propiciada, como manda a lei.”

A ação civil pública proposta pelo MP-SP é resultado de uma denúncia feita pelo Greenpeace em outubro de 2005, quando cerca de 20 ativistas da organização foram à Brasília entregar ao governo um dossiê que comprovava a utilização de soja transgênica na fabricação dos óleos Soya e Liza, marcas líderes do setor. Os ativistas desceram a rampa do Congresso Nacional empurrando 20 carrinhos de supermercado cheios de latas de óleo da Bunge e da Cargill, e se posicionaram próximos à entrada da Câmara dos Deputados enquanto a denúncia era entregue aos parlamentares. Posteriormente, a denúncia foi encaminhada a diversas representações do Ministério Público e aos ministérios da Justiça, Agricultura, Ciência e Tecnologia, e Meio Ambiente.

As evidências contidas no dossiê comprovam a utilização da soja transgênica pela Bunge e pela Cargill na fabricação de diversos produtos, como os óleos Soya, Liza, Primor e Olívia, e a falta de rotulagem dos produtos oferecidos ao consumidor. O material continha amostras de soja, documentos e um vídeo.

“Essa é uma grande vitória para todos os brasileiros”, disse Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace Brasil. “A ação do MP garante o direito à informação dos consumidores. É vergonhoso que a Justiça precise forçar as empresas a cumprir a lei.”

De acordo com o decreto de rotulagem, todos os produtos fabricados com mais de 1% de organismos geneticamente modificados devem trazer essa informação no rótulo. Isso vale mesmo para produtos como o óleo, a maionese e a margarina, em que não é possível detectar o DNA transgênico. No entanto, até o momento, nenhum produto rotulado pode ser encontrado nas prateleiras dos supermercados.

“Esperamos que esse caso sirva de exemplo para outras empresas que não respeitam os direitos dos seus consumidores”, alertou Gabriela. “Já está claro que os brasileiros não querem comer transgênicos. Então é fundamental que eles sejam informados sobre o que estão comprando para poderem exercer o seu direito de escolha. Isso está garantido pelo Código de Defesa do Consumidor e precisa ser respeitado”.


Fonte: Greenpeace



Postado por por... [Dostoiévski] às 10:03 PM

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