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Terça-feira, Janeiro 22, 2008
Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque: "De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris,Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!
Domingo, Janeiro 20, 2008
Milho transgênico é proibido na França O governo francês apelou para a cláusula de salvaguarda para proibir o milho MON 810, na última sexta-feira, dia 11 de janeiro, em nome do "princípio de precaução". Portanto, não haverá, em 2008, cultivo do milho transgênico na França. Se o impacto econômico, no curto prazo é irrisório, são os impacto de longo prazo que são deplorados pelos defensores dos OGM. A reportagem é do jornal Le Monde, 15-01-2008.
Sábado, num comunicado, os industriais lamentam que "as empresas produtoras de semente (...) não têm mais nenhuma visibilidade". Mas elas não mencionam a contrapartida do governo que anunciou um plano de investimento em biotecnologias no valor de 45 milhões de euros, oito vezes mais que o orçamento atual. Uma contrapartida que foi criticada pela Conferação camponesa. Com 22 mil hectares em 2007, a produção de milho transgênico representa somente 0,7% da terra destinada a este tipo de cereal. Mas para os agricultores que se converteram ao milho transgênico, ele rende de 5% a 30% mais. Para as produtoras, as multinacionais como Limagrain ou Pioneer(Dupont) o impacto será menor. Uma gota de água para a Monsanto, pois o seu foco é o Brasil A Monsanto também é atingida. Não só porque vende as sementes, mas sobretudo porque ela é que desenvolveu o elemento transgênico MON 810, o único autorizado na Europa. Ela recebe os royalties pela licença concedida às outras produtoras de sementes transgênicas. A multinacional americana se nega comentar a decisão francesa. "Seu eixo de desenvolvimento é o Brasil. A Europa é somente uma gota de água", explicar Francis Prêtre, de CM-CIC Securities. É o símbolo que representa a nova posição francesa que amedronta os industriais. A França, primeira potência agrícola européia, detém um conhecimento reconhecido no campo das sementes. Ela é também a segundo produtora de transgênicos, depois da Espanha. Somas enormes de dinheiro já foram investidos nas biotecnologias. "Nós entramos numa dinâmica e as perspectivas eram boas", explica Karine Affaton, porta-voz da Pioneer. O grupo, que utiliza o MON 810, espera uma homologação da sua própria tecnologia. De 500 hectares em 2005, a área plantada passara para os 5 mil hectares em 2006 e para 22 mil em 2007. "O que se pasará em 2009?", pergunta Christian Pées, presidente de Euralis. Ele teme o isolamento econômico da França. "O milho não transgênico se vende 25% mais caro. É melhor conservar na França a especificidade não transgênica", afirma Jacques Pasquier, da Confederação camponesa, a que pertence José Bové. O debate é ambiental, mas também econômico, conclui o jornal francês. Do site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) - 15/1/2008
Sábado, Janeiro 12, 2008
uma história hedionda Com a internet, nada mais cai no esquecimento, embora ainda faltem palavras para certas sensações.
Por mais palavras que registrem os dicionários, sempre haverá sensações indefiníveis. Cortar o dedo com papel, por exemplo, é uma delas: acima da dor, paira a obscena traição daquele ferimento, a absurda injustiça metafísica do sangue derramado por um material inocente que, em nenhuma outra circunstância, se ousaria chamar perfurocortante. A aflição causada pelo giz que escorrega no quadro-negro também ainda não encontrou a palavra certa, assim como aquela dentada involuntária que se dá no papel prateado agarrado numa bala ou num docinho de aniversário. Digo isso porque, há dias, tento encontrar uma palavra para definir o que senti quando, por acaso, li na internet sobre as Garotas do Rádio. É uma história antiga, que deu origem a leis trabalhistas importantes, péssima poesia e alguns livros de história, direito e reportagem, mas da qual eu nunca tinha ouvido falar. Em princípios do século passado, um inventor americano esteve em Paris com Pierre e Marie Curie, de quem ganhou de presente um pouco da extraordinária substância que haviam descoberto, o rádio. As pedrinhas eram muito bonitinhas, tinham luz própria e logo o diligente inventor achou uma forma de dar-lhes uso, triturando-as, misturando-as com cola e com um ingrediente que brilhava no escuro graças à radiação. Nascia ali uma tinta "mágica" que, durante a Primeira Guerra, foi produzida em larga escala com o nome de Undark, e usada na pintura de diversos itens, sobretudo mostradores de relógio. O exército americano adotou a novidade, que também fez enorme sucesso entre os civis, aplicada a objetos como interruptores de luz e brinquedos. Até aí, normal: na época sabia-se pouco sobre a radioatividade, e a curiosidade humana não tem limites. Aliás, sempre me pergunto quantos milhões de pessoas morreram ao longo dos tempos insistindo em comer plantas e bichos venenosos até que se descobrissem formas seguras de prepará-los, como se não houvesse outra experiência gastronômica disponível nas redondezas; mas isso são outros quinhentos. A fábrica de mostradores de relógio da US Radium Corporation ficava em Nova Jersey, era limpa, moderna e pagava bem. E como mulheres supostamente têm mais paciência e mais jeito com coisinhas delicadas, centenas de garotas (mesmo; algumas mal saídas da puberdade) foram contratadas para pintar os números, os ponteiros e outros detalhes. A ponta dos pincéis tinha que estar sempre fina para que o trabalho saísse bom; portanto, cada vez que os fios se abriam, o que era freqüente, elas levavam os pincéis à boca para refazer-lhes as pontas com a língua e com os lábios. Foi esse detalhe horrendo da história que me arrepiou dos pés à cabeça, causando a angústia que não sei definir: fileiras e fileiras de moças, como as simpáticas telefonistas d"antanho com que a Telerj enfeitava as capas dos catálogos, lambendo delicadamente a morte. A história das Garotas do Rádio é particularmente sinistra porque, quando os efeitos da radiação começaram a ser descobertos, a US Radium os escondeu delas. Os cientistas que tinham contato com o rádio já o faziam devidamente protegidos, enquanto elas continuavam a ser instruídas a lamber os pincéis. Os conhecimentos da época sobre o perigo dos materiais radioativos não eram difundidos como hoje; para as garotas, trabalhar com a tinta fosforescente era até divertido (como, tantas décadas depois, foi divertido para as crianças de Goiânia brincar com o Césio 147), e, ocasionalmente, muitas chegaram a usá-la para pintar o rosto e as unhas, para fazer bonito nas festas. Passados poucos anos, várias começaram a ter doenças estranhas. Logo a ligação entre causa e efeito foi ficando óbvia, e, em 1925, um grupo entrou na Justiça contra a fábrica. Novos detalhes hediondos incluíram testemunhos de falsos médicos a favor da US Radium, falsificação de laudos de especialistas e, até, a inexplicável adesão de médicos e dentistas aparentemente sérios e honestos à tese de que a tinta não tinha nada a ver com os problemas de saúde das litigantes. Num caso de má-fé raras vezes igualado na abundante história de má-fé das relações trabalhistas de princípios do século passado, as necroses de maxilar, os tumores do queixo e vários tipos de câncer apresentados pelas jovens foram atribuídos à sífilis, numa tentativa de desmoralizá-las. O processo chamou a atenção da imprensa e, logo, também, do público. Graças a isso a US Radium não conseguiu sepultar sossegadamente as vítimas e as evidências, e, em 1928, fechou acordo fora dos tribunais, comprometendo-se a pagar indenizações às funcionárias que haviam entrado com a ação. O valor, de dez mil dólares para cada uma, era ridículo mesmo naquele final dos anos 20, mas elas não tinham nem tempo, nem escolha; em meados dos anos 30, já estavam mortas. Como escreveu Eleanor Swanson num poema de resto muito ruim, seus ossos vão brilhar para todo o sempre na escuridão da terra. Cora Rónai - O GLOBO (RJ) - 10/01/2008
Sábado, Janeiro 05, 2008
(5 anos de Café Dostoiévski) O universo dos que não se conformam é único. Sem nem se dar conta, eles compram as revistas de moda só para fazer exatamente o contrário do que elas mandam. Se foi decretado que o amarelo é a cor desse verão, o inconformado não precisa nem pensar: antes de sair de casa, tudo funciona no piloto automático, e até que o amarelo saia de moda ele não será visto convivendo com nada dessa cor; talvez nem coma mais bananas, até a onda passar.
Ele estará sempre ou muito à frente do seu tempo, ou lá atrás, bem longe. Um inconformado não iria, por dinheiro nenhum, passar o Réveillon ou o Carnaval em Salvador ou Trancoso; para ele, isso é coisa de um passado remoto, já vivido, ou talvez de um futuro, um dia. Recentemente foi obrigado a deixar de lado o vinho rosé, de que gostava tanto - e até bebia com duas pedrinhas de gelo - para não fazer parte da turma que descobriu, em 2007, esse tão antigo vinho da Provence. Teve que rever seus gostos, pelo menos por aqui, para não fazer parte do mundo dos que seguem a moda de perto demais. Os inconformados sofrem. Não que sejam pessoas difíceis; elas apenas gostam de andar na contramão, e isso em tudo. Um inconformado só freqüenta praias no inverno, não vai a restaurantes da moda, e seu roteiro internacional é, geralmente, um pouco de Paris, Veneza, Marrakech ou Capri - fora de estação, é claro. Nunca pisaram em Bali e estão esperando que passe a febre da Índia para poderem voltar a esse país tão lindo, hoje tão banalizado; preferem ficar em casa, inteiramente sós, a fazer parte de qualquer grupo que se guia por modismos. Um inconformado detesta datas; não sabe do dia do aniversário de nenhum amigo e gostaria que esquecessem do dele. Quando pode, pega um avião, vai para bem longe e só volta uns dez dias depois da "data querida", mas nem sempre consegue se livrar; tem sempre um amigo ou uma amiga que lembra e dá os parabéns quando ele volta. E tem mais: se ninguém se lembrar, o inconformado é capaz de sofrer, se achando um rejeitado. Se não é fácil entender um inconformado, mais difícil é ser um deles. O fim de ano dos inconformados é um verdadeiro suplício; quando vê um gorrinho de Papai Noel, os comerciais na TV anunciando o Natal, as guirlandas de luzinhas piscando, ele passa mal, e se alguém mandar um cartão de feliz Natal ou uma lembrancinha, quer se atirar pela janela. Passa tudo adiante imediatamente, mas felizmente empregadas domésticas e porteiros estão aí para isso mesmo. Entre 20 de dezembro e 6 de janeiro, em suas casas não entra uma só castanha, um só panetone, nada que lembre, de longe, o tal do Natal; e, se conseguir, durante esse prazo nem atende o telefone. Um problema, entender um inconformado. Eles até tentam, mas não conseguem - e não por falta de esforço; a cada vez que fazem o que se costuma fazer nas datas certas, como todo mundo, sofrem, e muito. Depois de algumas tentativas, desistem, ficam como são, e pronto; mas fácil não é. Basicamente, os inconformados não suportam ter que viver da maneira que foi determinada, seja lá por quem for, mas têm, pelo menos, um mérito: não obrigam ninguém a fazer o que eles querem, seja lá o que for. Só um inconformado compreende outro inconformado, e como eles são poucos, geralmente passam a vida sós; sós e sofrendo, porque eles sofrem - mas preferem assim. Mas, de alguma maneira, não escapam de desejar, a amigos e a todos, um feliz Ano Novo. Sendo assim, feliz 2008. Danuza Leão - FOLHA DE SÃO PAULO - 30/12/2007
Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
As equipes de emergência médica se deram conta de que, muito freqüentemente, nos acidentes em rodovias, os feridos portam consigo um telefone celular. No entanto, na hora de os médicos fazerem uso para se comunicar algum parente, não sabem com quem contatar entre a longa lista de números.
Assim, lançam-nos a idéia de que todos adicionem em sua agenda do telefone celular um número da pessoa a ser contactada, em caso de acidente, sob a expressão " A Em emergência". (O A é para que apareça sempre em primeiro lugar na lista). É algo simples, não custa nada e poderia os ajudar demais.
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